Colaborações: ComRegras – Avaliação da Semana

 Greve ao sobretrabalho!

A iniciativa não é inédita, pois já no ano passado estiveram em vigor pré-avisos de greve ao trabalho não docente convocado ilegalmente. Ou seja, todo aquele que não se encontra enquadrado no horário semanal do professor…

 Dez minutos a ler

O projecto não é novidade nas escolas, mas foi esta semana publicamente anunciado: o PNL arranjou algum dinheiro para as bibliotecas escolares comprarem novos livros, e vai daí arrancou com um novo projecto: introduzir, nos horários escolares, um período de dez minutos de leitura livre.

 História, Culturas e Democracia… opcional!

Outra novidade numa semana algo morna em termos de actualidade educativa foi a apresentação da nova disciplina opcional que as escolas secundárias poderão oferecer aos alunos do 12º ano: História, Culturas e Democracia, uma disciplina focada em temas de História Contemporânea. O objectivo será promover uma melhor compreensão do mundo em que vivemos e, num quadro de desvalorização curricular da História que se tem vindo a impor nos últimos anos, a medida não pode deixar de ser saudada. Contudo…

Colaborações: ComRegras – Avaliação da Semana

 Manifestação de Nacional de Professores

A manifestação de professores que, à hora que escrevo estas linhas, percorre ainda a Avenida da Liberdade, merece natural destaque esta semana. Apesar dos milhares de docentes que acorreram à chamada, a plataforma sindical não se livrou de críticas…

 Contra o amianto nas escolas, lutar, lutar

O STOP encetou esta semana uma luta em que poucos acreditariam: uma greve nacional destinada a alertar para o grave problema do amianto que continua a contaminar pelo menos uma centena de escolas por todo o país, ameaçando a saúde e a vida de alunos, professores e pessoal não docente…

 Bullying nas escolas soma e segue

Poucos dias passaram desde que se noticiou que as escolas iriam ter melhores meios para denunciar e actuar em casos de bullying. No entanto, estes continuam a assomar com regularidade na imprensa e nas redes sociais, demonstrando que as situações de assédio e violência em meio escolar continuam a ser um problema grave…

Colaborações: ComRegras – Avaliação da Semana

 Greve climática

A mega-manifestação que, na passada sexta-feira, uniu multidões em todo o mundo na defesa do futuro do planeta teve impacto significativo no nosso país. Entre os participantes, milhares de jovens seguiram o exemplo inspirador de Greta Thunberg e faltaram às aulas para virem denunciar, nas ruas e praças de mais de 30 cidades portuguesas, a emergência climática…

 Fim das aulas de EMRC nas escolas públicas?

O tema foi suscitado pela campanha eleitoral do LIVRE: deve haver lugar na escola pública, laica e não confessional como determina a Constituição, para aulas de Moral e Religião? Faz sentido o proselitismo religioso nas escolas, pago com o dinheiro dos contribuintes, num quadro legal que favorece objectivamente a Igreja Católica?…

 “Jovens talentos” em vez de profissionais da educação

O Público, jornal sempre atento às ofensivas neoliberais no sector da educação, noticiava no início da semana que uma organização intitulada Teach For Portugal iria colocar recém-licenciados a colaborar com os professores nalgumas escolas problemáticas do país…

Colaborações: ComRegras – Avaliação da Semana

Crime com castigo

…uma encarregada de educação irrompeu pela escola e interrompeu a aula dirigindo ameaças, ofensas e insultos ao professor…

Combater o bullying

O governo anunciou um conjunto de medidas para combater o bullying nas escolas. Entre elas, destaca-se a sua inclusão nas situações que devem ser reportadas na plataforma do sistema de segurança escolar. É certamente uma iniciativa positiva, ensombrada apenas pelos óbvios contornos eleitoralistas…

Educação nos programas eleitorais: um não-assunto

Muito longe vão já os tempos em que os líderes políticos proclamavam a educação como prioridade nacional ou até, como sucedeu com António Guterres, uma verdadeira “paixão”. Hoje, o sector está longe de mobilizar entusiasmos colectivos, o que significa também que conta muito pouco para a caça ao voto que agora entra na sua fase decisiva…

Colaborações: ComRegras – Avaliação da Semana

 Mais jovens a entrar no ensino superior.

Embora o “canudo” por si só seja cada vez menos uma garantia de uma carreira profissional à medida dos sonhos e ambições de cada estudante, a verdade é que tanto a concretização das expectativas dos jovens que terminam o secundário como o desenvolvimento económico e social do país dependem de uma aposta clara no aumento de qualificações das novas gerações…

 O logro da autonomia

Foi anunciado em Julho, com pompa e circunstância, que a autonomia das escolas iria ser reforçada, bem para além do que se encontra previsto no âmbito da flexibilidade curricular. Os directores foram exortados a elaborar projectos de inovação pedagógica onde, indo além da mera reorganização curricular, poderiam redefinir o calendário lectivo e os momentos de avaliação…

 A eterna falta de pessoal nas escolas

Fica como um dos grandes falhanços da política educativa deste governo: a incapacidade de garantir uma adequada dotação de assistentes operacionais em todas as escolas…

Colaborações: Mitos e realidades da profissão docente

obs.JPGTexto publicado no Observador a 9/5/2019.

Do muito que se escreveu e disse sobre os professores nos últimos dias, há uma conclusão evidente: vista do exterior, a realidade da profissão continua a ser mal conhecida. E há quem tire partido dessa ignorância. Este texto é o modesto contributo de um professor para o esclarecimento de alguns dos falsos mitos que rodeiam a profissão.

Os professores ganham muito

Uma frase feita em que, de tanto repetida, se corre o risco de acreditar. Abundam até os estudos e as comparações feitos com valores intencionalmente distorcidos e manipulados. Não sei se salários que rondam os mil euros líquidos no início da carreira e cerca de dois mil no topo – onde ainda poucos chegaram – se podem considerar elevados. Julgo que não: pagar menos tornaria a carreira docente ainda menos atractiva do que já é. E o topo, que alguns acham inflacionado, é o resultado de uma carreira demasiado longa, com muitos escalões e barreiras à progressão. Mas esta estrutura de carreira nunca foi pretendida pelos professores. Foi imposta à classe por uma ministra autoritária, respaldada numa maioria absoluta.

São os professores perto do topo da carreira que mais beneficiariam com a recuperação do tempo. 

Li isto várias vezes nas redes sociais e ainda não percebi de onde veio a ideia. A medida não afecta os que estão no topo, que já não têm para onde progredir. Os que estão nos escalões imediatamente anteriores podem ter algum benefício na antecipação das progressões, mas de qualquer forma chegariam lá. Recuperar o tempo é sobretudo uma medida de justiça para com os professores que estão, com 20 e mais anos de serviço, nos escalões iniciais de uma carreira com dez, com entraves à progressão e que exige no mínimo 34 anos de serviço para chegar ao fim. E isto não se repercute apenas nos vencimentos. Sem recuperação do tempo de serviço, muitos dos actuais professores irão aposentar-se com pensões inferiores aos mil euros líquidos, ao fim de uma carreira de mais de 40 anos de descontos.

Os professores trabalham pouco. 

Esta é uma atoarda que nasce da confusão, por vezes mal intencionada, entre horário de trabalho do professor – que é de 35 horas – e horário lectivo – 25 horas no 1º ciclo e no pré-escolar, 22 horas nos restantes níveis de ensino. A que há que acrescentar a componente de estabelecimento – 2 a 3 tempos semanais em que os professores ficam adstritos a tarefas administrativas ou de coordenação pedagógica. Só as restantes 7 a 11 horas podem ser cumpridas fora da escola: são o tempo, escasso, destinado a preparar aulas, corrigir fichas e trabalhos dos alunos, fazer formação, etc. É fácil perceber que muitas vezes não chega: quando o trabalho aperta, é frequente os professores sacrificarem o tempo familiar e de lazer, cumprindo muito mais horas do que as que constam no seu “contrato”. Aparentemente, trabalham pouco, porque boa parte do seu trabalho é invisível: é fácil reparar no professor que, depois das aulas, descansa na esplanada. Mas ninguém o vê pela noite dentro, ou ao fim de semana, a trabalhar em casa.

Os alunos cada vez sabem menos. 

Os alunos portugueses são dos que mais têm progredido, de forma consistente, nas avaliações internacionais feitas ao longo das duas últimas décadas. Os últimos resultados disponíveis dos testes PISA, referentes a 2015, colocam Portugal alinhado com a média dos países da OCDE, ligeiramente à frente de países como a Espanha e a aproximar-se de países de referência, como a Finlândia. Os políticos gostam de justificar os progressos invocando o acerto e o sucesso das respectivas políticas. Mas estas, como sabemos, são muitas vezes erráticas e contraditórias, mudando a cada mudança de governo. Se procurarmos um factor que, mantendo-se estável ao longo do tempo, tenha influído positivamente na melhoria dos resultados, ele só pode ser o esforço e a dedicação dos professores e a qualidade do seu trabalho.

Não há razões para os professores se aposentarem mais cedo. 

A docência é, reconhecidamente, uma profissão desgastante. O alargamento da escolaridade obrigatória e as políticas de inclusão escolar multiplicaram as tarefas e exigências que se abatem sobre os professores, tornando a profissão bem mais exigente e extenuante do que foi num passado recente. A pressão que hoje é colocada sobre uma geração de professores em torno dos 50 anos, a maioria com 30 ou mais anos de serviço, é muito grande e está a traduzir-se num elevado número de baixas por doença. Entre elas, doenças físicas e mentais decorrentes do exercício da profissão. O ME evita divulgar números, mas calcula-se que perto de 10% dos professores colocados nas escolas se encontrem de baixa. Destas, cerca de metade corresponderão a baixas prolongadas. Com o envelhecimento continuado da classe, e sem medidas que o contrariem, a situação só se poderá agravar.

Olhando racionalmente o problema, deveria perceber-se que um incentivo moderado às aposentações antecipadas traria benefícios para todos. Aos professores mais desgastados, libertando-os para uma merecida reforma. Aos jovens, abrindo-lhes o acesso à profissão. Às escolas, proporcionando uma estrutura etária mais equilibrada e uma salutar convivência profissional entre gerações docentes, de forma a garantir a “passagem de testemunho”. Ao Estado, que desta forma substituiria professores mais caros e com horários lectivos mais reduzidos por outros mais jovens, mais produtivos e com uma carreira pela frente.

A profissão docente é uma profissão sem futuro. 

Eis um aparente paradoxo: tanta gente a referir os supostos “privilégios” da classe e afinal são cada vez menos os candidatos aos cursos superiores de formação de professores. Alguns destes não preenchem sequer todas as vagas existentes, outros conseguem-no apenas com a entrada de jovens que não tiveram lugar em escolhas mais aliciantes.

Querem saber a verdade? Dentro de uma década, ou talvez até antes, haverá falta de professores qualificados. A geração que predomina actualmente nas escolas começará nessa altura a aposentar-se em massa. Em poucos anos, cerca de metade dos actuais 100 mil professores dos quadros terão de ser substituídos. Nessa altura os professores habilitados e disponíveis não chegarão para as encomendas. Ser professor é, sim, uma profissão de futuro!…

Colaborações: ComRegras

No Topo: O sucesso da luta dos enfermeiros

…a luta longa, dura e, finalmente, bem sucedida dos enfermeiros pode bem servir de inspiração e exemplo aos professores portugueses. Que se queixam do eterno congelamento da carreira, das más condições de trabalho, dos concursos injustos e da prepotência ministerial, mas se têm mostrado incapazes de, de forma organizada, consequente e eficaz, lutarem pelos seus direitos e aspirações…

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No Fundo: A tragédia dos incêndios

Pelo lado negativo, não pode deixar de destacar-se a vaga incendiária que varreu o país no início da semana e provocou já 44 mortos, centenas de feridos e milhares de pessoas afectadas pela perda de bens, incluindo não só casas e automóveis mas também terrenos de cultivo, fábricas e máquinas que eram a base da actividade económica de muitas famílias. Nos concelhos mais afectados, as escolas foram encerradas…