Provavelmente o melhor brinquedo do mundo

 

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A LEGO fez 85 anos e, assinalando a efeméride, José Morgado escrevia ontem, na sua Atenta Inquietude, sobre aquele que é provavelmente o melhor brinquedo que a humanidade já inventou.

Do meu ponto de vista é o brinquedo perfeito. A sua utilização é intuitiva permitindo que o manual de instruções ou a supervisão de alguém só possa ser necessária para réplicas mais sofisticadas. Os bebés com peças LEGO na versão Duplo nas mãos rapidamente entendem a forma como se brinca. Dispensa manual de instruções a não ser para replicar construções.

Contrariamente a muitos outros brinquedos, os LEGO é mesmo interactivo, qualquer de nós, mais pequeno ou mais velho, transforma um monte avulso de peças coloridas naquilo que entender. Por isso uma outra característica, a imaginação, é o limite de uma brincadeira com peças LEGO que a alimentam e estimulam.

Inventados e patentados por um carpinteiro dinamarquês, os blocos coloridos LEGO permitem uma infinidade de combinações. E tanto se podem construir, passo a passo, as casas, os veículos ou os cenários reproduzidos nas caixas dos conjuntos, como pôr de parte os manuais de instruções e dar largas à imaginação, fazendo criações inteiramente originais, onde os limites são apenas os impostos pela idade, os interesses e, acima de tudo, a imaginação dos pequenos criadores.

Vivendo a minha infância e juventude num tempo em que não havia telemóveis nem internetes, em que as férias eram mesmo grandes e quase não havia ocupação organizada de tempos livres, recordo com saudade as longas horas que passava entretido com os LEGOS, um brinquedo que os meus filhos, embora de outra geração, também apreciaram.

Mas os tempos mudaram, e vejo hoje com apreensão como os jogos electrónicos, os omnipresentes telemóveis e internet estão a tornar os miúdos cada vez mais, e cada vez mais cedo, consumidores passivos do entretenimento que os fabricantes de conteúdos produzem para eles, em vez de imaginarem e criarem eles próprios as suas brincadeiras, como o LEGO e outros jogos semelhantes permitem fazer.

A própria LEGO sentiu dificuldade em se adaptar aos novos tempos, e a sobrevivência das peças coloridas passa cada vez mais pelos conjuntos que reproduzem cenas de séries e filmes populares ou os super-heróis do agrado do grande público. Lamentavelmente, um brinquedo que sempre serviu indistintamente para os dois sexos é hoje tendencialmente sexista, com os carros e os monstros para meninos e as casas de bonecas para as meninas.

Ainda assim, julgo que o LEGO continua a ostentar o título de melhor brinquedo para crianças e jovens de todas as idades. E os adultos que sentiram – e ainda não esqueceram! – o encanto e a magia daquelas construções certamente concordarão comigo…

Leituras: O Alentejo segundo Eugénio de Andrade

alentejo.JPGNo Alentejo, em fins de Julho ou princípios de Agosto, o olhar atinge o seu zénite. No horizonte raso e limpo tudo parece pegado à terra: muros, árvores, medas de palha, montes, quando se avistam distantes. Um delírio de luz sobe à cabeça, como a música das cigarras, e faz doer. As coisas todas estalam como romãs maduras, e ficam cheias de brilhos. Mesmo dentro de casa, com portas e janelas trancadas, a luz entra pelas frestas, entorna-se pelas tijoleiras e reflecte-se, tenuemente rosada, na brancura das paredes. No pátio, uma oculta água ergue-se num repuxo exíguo – e é pura delícia. Cheira a barro e a cal, cheira a coentros e a queijo seco. Cheira ao que é da terra e regressa à terra. Um som de guizos, o trote miúdo das mulas, o grito de uma criança, custam a distinguir, de tão longe vêm. Neste longo, ardente verão do sul apenas as cigarras têm modulações amplas. À roda tudo é silêncio e secura. Os próprios homens quase não têm fala, mas os seus olhos queimam como duas pedras expostas ao sol durante milhares de dias. Só eles afirmam que nem tudo no Alentejo nasce e morre acachapado à terra. Eles, e uns pombos bravos que subitamente rasgam o céu, como quem foge ao áspero, ardido, amargo coração do meu país.

Falei da luz do Alentejo, mas não é ela que verdadeiramente me liga e religa a esta terra: é demasiado ácida, falta-lhe uma doçura última, mediterrânea, que só encontraremos mais a sul. O que me fascina aqui é uma conquista do espírito sem paralelo no resto do país, numa palavra: um estilo. O melhor do Alentejo é uma liberdade que escolheu a ordem, o equilíbrio. Estas formas puras, sóbrias de linha e de cor, que vão da paisagem à arquitectura, da arquitectura ao vestuário, do vestuário ao cante, são a expressão de um espírito terreno cioso de limpidez, capaz da suprema elegância de ser simples. Povertà é talvez a palavra ajustada a uma estética alheia ao excesso, ao desmedido, ao espectacular. Ao luxo prefere-se a modéstia; à anarquia, o rigor; à paixão, um concentrado amor. O Alentejo é inimigo do barroco em nome da claridade. Mundo cerrado (quase apetecia escrever: encarcerado), sem dúvida; mas dos seus limites tira o alentejano a força. O seu olhar, na impossibilidade de ir mais longe, irá cada vez mais fundo, e o que lhe sai das mãos é fruto de uma paisagem enxuta, quase hirta, de uma magreza reduzida ao osso. Uma paisagem essencial, de que pode orgulhar-se um homem, quando lhe reflecte o rosto ou a alma.

Eugénio de Andrade, Alentejo (1997).

Mais 200 psicólogos nas escolas portuguesas

poch.JPGSegundo a informação disponível no ‘site’ do POCH, foram aprovados quatro milhões de euros de despesa total para a integração, até ao final de 2018, de 108 psicólogos em escolas da região Norte, 1,9 milhões para integrar 52 psicólogos em escolas da região Centro e 1,5 milhões para 40 novos profissionais para o Alentejo.

“A integração de 200 novos psicólogos em escolas públicas visa apoiar o desenvolvimento psicológico dos alunos, a melhoria da sua orientação escolar e profissional, bem como o apoio psicopedagógico às atividades educativas e ao sistema de relações da comunidade escolar”, explicam os técnicos do POCH.

É indiscutivelmente uma boa notícia: a falta de psicólogos escolares é uma das maiores carências do sistema educativo português, e estes 200 profissionais que serão recrutados irão certamente ser úteis às escolas e agrupamentos onde forem colocados.

No entanto, é de lamentar que nem o jornal nem o site do POCH dêem informações mais concretas acerca da iniciativa. Destina-se a contratar novos profissionais, a juntar aos que já trabalham nas escolas, ou apenas a financiar a integração destes nos quadros dos agrupamentos?

Fazendo contas por alto aos 7,4 milhões de euros que irão ser gastos com esta medida, vê-se que ela permitirá pagar os vencimentos, durante dois anos, aos 200 psicólogos abrangidos. E depois de terminar o programa de financiamento, alimentado a 85% por fundos europeus, o que sucede? Mandam-se as pessoas embora? Ou presume-se que pagar necessidades estruturais do sistema com dinheiro proveniente de programas europeus é expediente que durará para sempre?

Não cometendo a irresponsabilidade de advogar que não se aproveitem todos os benefícios e ajudas ao desenvolvimento dados pela União Europeia, parece-me que vai estando na altura de se perceber que assumir a Educação como prioridade estratégica no desenvolvimento do país passa por assentar o investimento, não apenas na captação de subsídios europeus, mas também no reforço do sector ao nível do Orçamento de Estado.

 

Divulgação: Ensino secundário recorrente à distância

ens-recorrente-a-dist.pngJá em tempos tinha escrito por aqui sobre o ensino secundário recorrente, uma alternativa para a conclusão do ensino secundário com evidentes vantagens para muitos alunos.

O Agrupamento de Escolas de Mangualde é das poucas escolas do país que oferece esta modalidade de ensino não presencial, pelo que a Escola Portuguesa se associa à divulgação desta oferta formativa.

ENSINO SECUNDÁRIO RECORRENTE à DISTÂNCIA

O Agrupamento de Escolas de Mangualde é sede do Ensino Secundário Recorrente à Distância – ESR@D, regulado pela Portaria nº 254/2016

Pede-se aos colegas professores que divulguem esta oferta de formação, direcionada para adultos e jovens maiores de 18 anos, que queiram completar o Ensino Secundário e não tenham condições para um regime presencial.

As inscrições para frequência dos 10.º e 11.º anos estão abertas.

Os interessados poderão obter mais informações na nossa página do Facebook (https://www.facebook.com/esradesfa/) ou diretamente no sítio das Escolas de Mangualde (www.escolasdemangualde.pt)

Futebol, Fátima e Festival

Dia invulgar ontem em Portugal, com a reinvenção da tríade salazarenta do Fado, Futebol e Fátima, agora com o Festival da Eurovisão a tomar o destaque da impropriamente chamada “canção nacional”.

No Futebol, foi a já esperada consagração do campeão da época desportiva, com os habituais festejos e voltinhas ao redondel.

Em Fátima, a vinda do Papa cumpriu os objectivos e correspondeu às expectativas dos crentes, embora me pareça que não terá estado em Fátima tanta gente como se anunciava.

salvador-sobral.JPGJá a vitória de Salvador Sobral no Festival da Eurovisão, com uma canção que fugiu a todos os cânones “festivaleiros” – a lufada de ar fresco de um lirismo simples mas tocante, cantada em Português, sem coros nem coreografias – foi uma verdadeira e agradável surpresa mesmo para os que pouco ou nada ligam a estas coisas.

As mais belas bibliotecas

No século XXI, como em todos os tempos, o eterno fascínio dos livros e das leituras, nalgumas das mais belas bibliotecas do mundo.

Fica apenas uma pequena amostra; mais imagens aqui.

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Boas noites e boas leituras.

Feito!

Terminadas as avaliações do período, entramos na, julgo que inteiramente merecida, pausa lectiva. Ou, correndo o risco de ser politicamente incorrecto, em férias da Páscoa. Que oficialmente, para os professores, não são férias.

Pessoalmente, creio que as muitas horas que trabalhamos a mais, nestas últimas semanas de cada período, nos dão bem o direito à meia dúzia de dias sem alunos nem tarefas na escola que sobram depois das avaliações terminadas.

Parece, contudo, que nem todos têm a mesma sorte. Que também há por aí um ou outro director que consegue esticar o período das avaliações de forma a obrigar os malandros dos professores a terem reuniões ainda na próxima segunda-feira…