Colaborações: ComRegras

No Topo: Confiança nos professores e nas escolas públicas

O estudo da agência Aximage divulgado esta semana confirma o que também já tinha sido detectado há dias numa análise semelhante da Universidade Católica: os professores e as escolas públicas continuam a estar entre os profissionais e as instituições em que os Portugueses mais confiam. Uma tendência que vem de longe e que habitualmente coloca os docentes, tal como os bombeiros ou os polícias, entre os profissionais mais merecedores do apreço e da confiança dos cidadãos…

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No Fundo: Os exames inflexíveis

A notícia teve pouca repercussão mediática, mas o assunto é suficientemente importante para merecer destaque imediato e acompanhamento atento: paira um sentimento de inquietação, nas escolas que estão a realizar a experiência pedagógica da flexibilidade curricular, perante a perspectiva de os seus alunos terem de vir a realizar, no final do básico e do secundário, os tradicionais e nada flexíveis exames nacionais. E perante isto, raras foram as escolas que se aventuraram a estender o projecto ao ensino secundário…

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Excelente anunciação!

Os cerca de 350 mil euros que custou a novíssima aquisição do Museu Nacional de Arte Antiga são mais do que estava previsto gastar, mas ainda assim julgo que a compra valeu bem a pena: a Anunciação de Álvaro Pires, pintor português que fez carreira na Itália pré-renascentista, vem enriquecer o escasso património artístico do século XV, uma época da qual, com a notável excepção dos Painéis de S. Vicente, praticamente nenhuma pintura chegou aos nossos dias.

Espera-se que novas descobertas e futuras aquisições venham ajudar a preencher esse “buraco negro” que ainda persiste no conhecimento e na divulgação dos pintores “primitivos” portugueses.

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Em breve uma pequena Anunciação do século XV, executada pelo primeiro pintor português com obra atribuída, vai fazer companhia aos célebres Painéis de São Vicente, de Nuno Gonçalves, no Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), em Lisboa.

A pintura foi comprada nesta quinta-feira à noite pelo Estado português num leilão da Sotheby’s, em Nova Iorque, por 350 mil euros (o preço de martelo foi 350 mil dólares, aos quais é preciso acrescentar a comissão da leiloeira, que faz com que o valor suba para os 435 mil dólares), confirmou ao PÚBLICO o director do MNAA, António Filipe Pimentel.

Foi no início de Janeiro que o Museu Nacional de Arte Antiga pediu à Direcção-Geral do Património Cultural, entidade que o tutela, que fizesse tudo o que estava ao seu alcance para adquirir a pintura, explicando por que razões seria da máxima importância poder contar com ela na colecção de Arte Antiga. “Esta compra não é importante só porque é um Álvaro Pires, mas porque é um excelente Álvaro Pires. Refinado, apuradíssimo”, diz agora Pimentel.

A partir de agora haverá nos museus nacionais duas obras deste primitivo português que terá feito toda a sua carreira em Itália, depois de, muito provavelmente, ter recebido formação na cidade espanhola de Valência. A outra é A Virgem com o Menino entre S. Bartolomeu e Santo Antão, sob a Anunciação, hoje no acervo do Museu Frei Manuel do Cenáculo, em Évora. Foi comprada em 2001 a um privado por 64 mil contos (320 mil euros), graças à intervenção de dois mecenas – a Finagra de José Roquette e a Fundação BCP.

Progressões desbloqueadas em 2018

descongelamento.jpgPara todos os trabalhadores do Estado, excepto os que já beneficiaram de promoções durante o período de congelamento.

A partir de 1 de Janeiro será retomada a contagem do tempo de serviço.

Quanto aos aumentos salariais decorrentes das subidas de escalão, o governo irá propor aos sindicatos que sejam feitos de forma faseada, uma vez que não haverá verba orçamental para o seu pagamento integral.

A diminuição do desconto para a ADSE e o aumento do subsídio de alimentação também estão a ser planeadas, contribuindo para o aumento do rendimento líquido de todos os funcionários públicos.

Governo descongela progressões para toda a função pública

Finalmente, uma praxe que vale a pena!

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Há praxes e praxes. Os caloiros de Biologia e Biologia Marinha da Universidade do Algarve não andaram a fazer flexões como se estivessem num regimento militar ou a levar com ovos e farinha em cima. Arregaçaram as mangas e tornaram a Ria Formosa ainda mais bonita, retirando-lhe 114 Kg de lixo.

Os novos alunos passaram a tarde de terça-feira, 19 de Setembro, a limpar a Ria Formosa, na zona do Ludo, perto da Praia de Faro) – uma actividade inserida na praxe académica e promovida pela associação ambiental Straw Patrol.

“Durante cerca de uma hora, aproveitando a maré baixa, os cerca de 40 alunos percorreram 350 metros de ria, recolhendo diversos tipos de lixo. Muito desse lixo recolhido estava associado à actividade piscatória”, lê-se na página de Facebook da Straw Patrol. Além de várias cordas e embalagens de sal (usadas provavelmente para apanhar lingueirão), foram recolhidas garrafas de água, tampas, palhinhas, ténis de corrida, beatas de cigarro, madeiras… “Feitas as contas, os alunos conseguiram evitar que 114 Kg de lixo entrassem nos oceanos e colocassem em risco a vida de organismos marinhos e a saúde e segurança humanas”, refere a mesma publicação.

Os caloiros foram acompanhados por alunos do 3º ano, responsáveis por acolher os novos alunos da faculdade. “Numa altura em que a praxe académica é amplamente discutida, estes alunos mostraram que é possível aliar a actividade de praxe à protecção dos ecossistemas marinhos, e fizeram toda a diferença”, conclui a Straw Patrol, um grupo de biólogos marinhos que nasceu para combater o lixo nos oceanos.

hemiciclo.pt

Quem já visitou a anacrónica página web do Parlamento português e se perdeu pelos seus inúmeros meandros tentando pesquisar qualquer tipo de informação só pode congratular-se com o aparecimento de um novo site que disponibiliza informação clara, actualizada e facilmente acessível sobre a actividade dos deputados. Senhoras e senhores, bem-vindos ao hemiciclo.pt!…

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Esta novo site, que só no dia da inauguração teve mais de 20 mil visitas, é uma iniciativa de Luís Vargas, designer industrial de 39 anos, e David Crisóstomo, estudante de economia de 24 anos. Sozinhos, fizeram algo a que o próprio Parlamento há muito assumiu como responsabilidade sua. Mas não cumpriu…

Segundo Crisóstomo e Vargas, os deputados aprovaram a Resolução da Assembleia da República n.º 64/2014, que é uma “Declaração para a Abertura e Transparência Parlamentar”, na sequência da “Declaração de Roma para a Abertura e Transparência Parlamentar” de 2012, o de se comprometeram em “assegurar uma efetiva monitorização parlamentar”, em “registar os votos dos deputados” de “forma a garantir a responsabilização dos deputados junto do eleitorado” e a “disponibilizar ao público um registo completo dos votos individuais dos deputados em plenário e nas comissões”.

“A própria Constituição prevê isso e a República Portuguesa assinou um acordo europeu que garante esse nível de transparência”, explicou Luís Vargas ao DN. “Neste caso não está a cumprir”, concluiu.

O hemiciclo.pt tem um design bastante amigável e apelativo, convidando o visitante a, clicando aqui e acolá, ir descobrindo sempre mais informação. Vai buscar a maior parte dos dados que apresenta ao site oficial do Parlamento, mas apresenta-os de forma muito mais acessível, organizada e interactiva. Vale a pena uma visita e, no caso de quem tem interesse ou necessidade de acompanhar os trabalhos parlamentares, recomenda-se desde já a entrada directa para a lista de sites favoritos.

 

Provavelmente o melhor brinquedo do mundo

 

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A LEGO fez 85 anos e, assinalando a efeméride, José Morgado escrevia ontem, na sua Atenta Inquietude, sobre aquele que é provavelmente o melhor brinquedo que a humanidade já inventou.

Do meu ponto de vista é o brinquedo perfeito. A sua utilização é intuitiva permitindo que o manual de instruções ou a supervisão de alguém só possa ser necessária para réplicas mais sofisticadas. Os bebés com peças LEGO na versão Duplo nas mãos rapidamente entendem a forma como se brinca. Dispensa manual de instruções a não ser para replicar construções.

Contrariamente a muitos outros brinquedos, os LEGO é mesmo interactivo, qualquer de nós, mais pequeno ou mais velho, transforma um monte avulso de peças coloridas naquilo que entender. Por isso uma outra característica, a imaginação, é o limite de uma brincadeira com peças LEGO que a alimentam e estimulam.

Inventados e patentados por um carpinteiro dinamarquês, os blocos coloridos LEGO permitem uma infinidade de combinações. E tanto se podem construir, passo a passo, as casas, os veículos ou os cenários reproduzidos nas caixas dos conjuntos, como pôr de parte os manuais de instruções e dar largas à imaginação, fazendo criações inteiramente originais, onde os limites são apenas os impostos pela idade, os interesses e, acima de tudo, a imaginação dos pequenos criadores.

Vivendo a minha infância e juventude num tempo em que não havia telemóveis nem internetes, em que as férias eram mesmo grandes e quase não havia ocupação organizada de tempos livres, recordo com saudade as longas horas que passava entretido com os LEGOS, um brinquedo que os meus filhos, embora de outra geração, também apreciaram.

Mas os tempos mudaram, e vejo hoje com apreensão como os jogos electrónicos, os omnipresentes telemóveis e internet estão a tornar os miúdos cada vez mais, e cada vez mais cedo, consumidores passivos do entretenimento que os fabricantes de conteúdos produzem para eles, em vez de imaginarem e criarem eles próprios as suas brincadeiras, como o LEGO e outros jogos semelhantes permitem fazer.

A própria LEGO sentiu dificuldade em se adaptar aos novos tempos, e a sobrevivência das peças coloridas passa cada vez mais pelos conjuntos que reproduzem cenas de séries e filmes populares ou os super-heróis do agrado do grande público. Lamentavelmente, um brinquedo que sempre serviu indistintamente para os dois sexos é hoje tendencialmente sexista, com os carros e os monstros para meninos e as casas de bonecas para as meninas.

Ainda assim, julgo que o LEGO continua a ostentar o título de melhor brinquedo para crianças e jovens de todas as idades. E os adultos que sentiram – e ainda não esqueceram! – o encanto e a magia daquelas construções certamente concordarão comigo…

Leituras: O Alentejo segundo Eugénio de Andrade

alentejo.JPGNo Alentejo, em fins de Julho ou princípios de Agosto, o olhar atinge o seu zénite. No horizonte raso e limpo tudo parece pegado à terra: muros, árvores, medas de palha, montes, quando se avistam distantes. Um delírio de luz sobe à cabeça, como a música das cigarras, e faz doer. As coisas todas estalam como romãs maduras, e ficam cheias de brilhos. Mesmo dentro de casa, com portas e janelas trancadas, a luz entra pelas frestas, entorna-se pelas tijoleiras e reflecte-se, tenuemente rosada, na brancura das paredes. No pátio, uma oculta água ergue-se num repuxo exíguo – e é pura delícia. Cheira a barro e a cal, cheira a coentros e a queijo seco. Cheira ao que é da terra e regressa à terra. Um som de guizos, o trote miúdo das mulas, o grito de uma criança, custam a distinguir, de tão longe vêm. Neste longo, ardente verão do sul apenas as cigarras têm modulações amplas. À roda tudo é silêncio e secura. Os próprios homens quase não têm fala, mas os seus olhos queimam como duas pedras expostas ao sol durante milhares de dias. Só eles afirmam que nem tudo no Alentejo nasce e morre acachapado à terra. Eles, e uns pombos bravos que subitamente rasgam o céu, como quem foge ao áspero, ardido, amargo coração do meu país.

Falei da luz do Alentejo, mas não é ela que verdadeiramente me liga e religa a esta terra: é demasiado ácida, falta-lhe uma doçura última, mediterrânea, que só encontraremos mais a sul. O que me fascina aqui é uma conquista do espírito sem paralelo no resto do país, numa palavra: um estilo. O melhor do Alentejo é uma liberdade que escolheu a ordem, o equilíbrio. Estas formas puras, sóbrias de linha e de cor, que vão da paisagem à arquitectura, da arquitectura ao vestuário, do vestuário ao cante, são a expressão de um espírito terreno cioso de limpidez, capaz da suprema elegância de ser simples. Povertà é talvez a palavra ajustada a uma estética alheia ao excesso, ao desmedido, ao espectacular. Ao luxo prefere-se a modéstia; à anarquia, o rigor; à paixão, um concentrado amor. O Alentejo é inimigo do barroco em nome da claridade. Mundo cerrado (quase apetecia escrever: encarcerado), sem dúvida; mas dos seus limites tira o alentejano a força. O seu olhar, na impossibilidade de ir mais longe, irá cada vez mais fundo, e o que lhe sai das mãos é fruto de uma paisagem enxuta, quase hirta, de uma magreza reduzida ao osso. Uma paisagem essencial, de que pode orgulhar-se um homem, quando lhe reflecte o rosto ou a alma.

Eugénio de Andrade, Alentejo (1997).