Não gostam do ministro? Houve piores…

tiago-rodriguesNão gostam deste ministro?
Qual dos anteriores é que preferiam?
Mal por mal, antes este, que pouco ou nada fez para pior.

Foi mais ou menos nestes termos que alguém comentou, no Facebook, a partilha de um post recente sobre Tiago Brandão Rodrigues.

À partida, há aqui um ponto em que o comentador terá razão: o importante não são os políticos que transitoriamente ocupam os lugares, mas as políticas seguidas pelo governo a que pertencem.

No caso da Educação, sabemos bem que o sector deixou há muito de ser considerado estratégico ou prioritário, pelo que a preocupação essencial de todos os governos tem sido conter a despesa, aplacar conflitos e focos de descontentamento e melhorar, sem alocar mais recursos ao sistema, os indicadores estatísticos de referência.

Isto significa que nenhum ministro, por mais relevante que seja o seu conhecimento, competência ou prestígio no sector, conseguirá ter margem de manobra para impor a sua política. Por isso mesmo, o cargo ministerial há muito deixou de atrair quer os barões da política partidária quer os académicos com ambições reformistas. Como muito bem explica Paulo Guinote, o acesso ao poder, influência e dinheiro para gastar faz-se mais através das secretarias de Estado e dos interesses privados instalados à mesa do orçamento educativo do que a partir do gabinete ministerial.

Podemos então concluir que, se o lugar de ministro não interessa nada, devemos deixar em paz o pobre Tiago que, apesar de acidentalmente se ter tornado ministro, até tem pinta de rapaz simpático?

Não me parece. A nomeação de um ministro notoriamente sem perfil nem competência para o cargo merece, agora e sempre, ser denunciada. Não pelo ataque pessoal, mas pelo significado político da decisão: é um sector de tal forma irrelevante para o actual poder que qualquer um serve para o gerir.

Pois ao fim de quatro anos não vimos, da parte de Tiago Brandão Rodrigues, uma única iniciativa relevante, um único gesto revelador de determinação, uma só demonstração de capacidade de liderança.

Colocar uma marioneta à frente de um ministério é sempre um sinal de que se pretende mudar alguma coisa para que tudo fique na mesma. Manter inalterados os consensos de regime alcançados e permitir que os lobbies e outros poderes ocultos se continuem a movimentar na sombra e a fazer prevalecer as suas vontades e os seus interesses.

Ou será que já somos um país tão rico e tão bem governado, que até nos podemos dar ao luxo de ter ministros que apenas fingem governar?

A ideia foi do ministro!

vickie.gif…o primeiro-ministro dedicou um “agradecimento muito particular” a Tiago Brandão Rodrigues por ter sido ele que, “há cerca de um ano, no início de um Conselho de Ministros”, se lhe dirigiu para dizer: “Ó António, tive uma ideia. E se em vez de irmos vender o prédio da 5 de Outubro o transformássemos numa residência universitária? Que melhor destino pode ter um edifício que há décadas acolhe o Ministério da Educação do que proporcionar a oportunidade de 600 estudantes por ano prosseguirem a sua educação?”

Quando um primeiro-ministro sente a necessidade, quase no final da legislatura, de divulgar publicamente que uma decisão tomada no sector da Educação foi da responsabilidade do respectivo ministro, isso é revelador… Trata-se de reconhecer, implicitamente, o que todos percebemos há muito tempo: que o ministro nada decide na área que tutela e que, também cada vez se entende melhor, foi escolhido precisamente com essa intenção.

Habituado a seguir as decisões dos dois Costas, o que preside ao governo e o que é seu secretário de Estado, a cumprir ordens dos amanuenses das Finanças, a mando do super-ministro Centeno, a seguir as recomendações da OCDE e dos lobbies eduqueses instalados no aparelho ministerial, este sempre foi um ministro sem iniciativa política, sem conhecimento aprofundado dos problemas do sector e também, valha a verdade, pouco empenhado em os conhecer e compreender.

Percebe-se que a passagem pelo ME é apenas o tirocínio para novos e mais ambiciosos voos do investigador que se cansou precocemente do que parecia ser uma auspiciosa carreira académica.

Ainda assim, mais vale tarde do que nunca. E eis que, ao quarto ano no governo, o homem teve, finalmente, uma ideia!…

Senhor doutor, se faz favor…

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O “homicídio qualificado” de Passos Coelho

sofia-v-rocha.JPGPedro Passos Coelho, depois de não ter mantido o governo em 2015, pensou que ia voltar rapidamente ao poder e, portanto, achou que as autárquicas não eram uma eleição importante e não era importante a eleição em Lisboa.

Eu considero que Pedro Passos Coelho matou o PSD em Lisboa e foi um homicídio qualificado.

Quem isto diz é Sofia Vala Rocha, quinta candidata na lista do PSD à câmara da capital, em entrevista ao DN. A mesma senhora que há um mês atrás defendia desta forma o grande líder do seu partido:

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Quando é evidente que o fraco resultado que se antecipa ao PSD em Lisboa não lhe permitirá ser eleita, foi a forma que encontrou para se demarcar desde já de uma liderança que terá, a partir de 1 de Outubro, os dias contados.

Resta saber se lá pelo PSD, onde andam a meter água há bastante tempo, apreciam quem segue o exemplo dos ratos. Que são sempre, como se sabe, os primeiros a abandonar o navio.

Camionistas fake

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Universidade de Verão

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– Muito bem, meus lindos – dizem-lhes por lá – agora já podem ir embora.

Como disse que disse?

paulo-rangel-anao-rezingao[1]Aquele ar presunçoso, engomadinho e bem falante engana um bocado, ao ponto de já lhe terem augurado um auspicioso futuro à frente do PSD.

Mas já outras vezes me quis parecer que o homem não tem os cinco alqueires bem medidos.

Se existe o direito ao suicídio, também existe o direito ao homicídio.

 

Luta pelo poder nas delegações da DGEstE

Dança-das-CadeirasContinua a saga dos concursos para selecionar os delegados regionais da Educação do Centro, Algarve e Alentejo. O subdiretor da Direção Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGEstE), entidade que gere as delegações regionais, bateu com a porta esta segunda-feira, tendo ficado no cargo apenas três meses. Segundo o i apurou, a escolha dos novos delegados regionais terá sido a razão da saída de Teodoro Roque.

Fontes ligadas ao processo contaram ao i que o subdiretor da DGEstE, também presidente do júri do concurso, entrou em conflito com a secretária de Estado Adjunta e da Educação, Alexandra Leitão, quem tem a tutela direta dos delegados regionais, na escolha dos novos dirigentes.

Diferentes fatores contribuíram para o desentendimento. Por um lado, entre os candidatos encontram-se algumas pessoas com ligações ao PS e, por outro, alguns dos critérios do concurso poderão beneficiar os três delegados que se mantêm em funções mesmo depois de o concurso ter sido anulado, há um ano e sete meses.    

O jornal i tenta lançar alguma luz sobre os imbróglios em volta dos concursos para a escolha dos delegados regionais da DGESTE, onde há mais de um ano os boys e as girls do PS e do PSD se degladiam sem que a “guerra” tenha fim à vista.

As antigas direcções regionais foram esvaziadas de boa parte das suas competências, há uns anos atrás, e transformadas em delegações de uma nova direcção-geral. Com a anunciada descentralização para as autarquias locais, é de prever que ainda menos sentido façam estas representações do ME nas sedes das regiões administrativas. Mas nota-se que estar à frente de uma destas delegações continua a ser um cargo apetecível, tantos são os candidatos e tamanho o afã com que os que estão se agarram ao poder.

O que não se percebe é o esquema dúbio que se inventou para o provimento destes lugares: se o objectivo é ter pessoas de confiança política, então deveriam continuar a fazer como no tempo das DREs, em que cada governo que chegava nomeava quem entendia.

Se, pelo contrário, se pretende um perfil técnico, então deveriam promover, dentro dos próprios serviços, o funcionário mais competente para a função, sem andar a abrir concursos a qualquer pára-quedista vindo de fora mas dotado das ligações certas ao partido no poder.

A suspeita que fica é que pretendem as duas coisas: nomear os amigos, ou as pessoas influentes que interessa promover, convencendo-nos de que estão a escolher, por um processo justo e transparente, os mais capazes e competentes. Que – apenas por mero acaso! – têm cartão do partido.

Músicas de intervenção: Captain SKA – Liar Liar GE2017

Quem é o mentiroso?

lobo-xavier.JPGLobo Xavier confirmou que foi ele quem informou Marcelo Rebelo de Sousa do conteúdo dos SMS trocados entre o ex-presidente da Caixa e o ministro das Finanças. […]
Quando questionado sobre se leu as mensagens em causa, Lobo Xavier respondeu apenas que não poderia dar uma informação ao Presidente da República “sem dominar absolutamente” essa mesma informação.

domingues.JPGO ex-presidente da Caixa Geral de Depósitos António Domingues afirmou nesta sexta-feira que não partilhou as suas mensagens escritas de telemóvel com ninguém, dizendo não serem verdadeiras algumas considerações que foram feitas na praça pública sobre este tema.
“Eu não partilhei SMS com ninguém, quem conhece os meus SMS são os meus interlocutores e eu”, assegurou, dizendo que afirmações que surgiram na praça pública sobre o conteúdo destas mensagens “não é verdade”.