O génio da banalidade

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Cavaco Silva reapareceu ontem naquilo a que chamam a Universidade de Verão do PSD, apenas para mostrar que continua ressabiado com a actual solução governativa e ainda mais com o seu sucessor na Presidência da República. Uma assombração, como sugere Joana Mortágua?

Saí de casa e entrei no carro e assisti a um anti-milagre de ressuscitação. Parece que ouvi no rádio uma voz do além, das profundezas, a dizer uma série de disparates e afinal era o Cavaco Silva que tinha voltado, não se sabe bem de onde, para dizer umas coisas.

O que ouvi não foi muito, mas o cinismo, o argumento tortuoso, as meias palavras e as meias verdades típicas do discurso cavaquista, isso estava lá tudo. E recordou-me o retrato certeiro de José Saramago, possivelmente a pessoa que melhor definiu este político tão medíocre quanto mesquinho:

Sempre que fala o professor Cavaco Silva está dando uma lição. Mas hoje descobri – não direi exactamente com surpresa – que tudo quanto ele diz é banal. É uma espécie de génio da banalidade.

 

 

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O incompreendido

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© Público

Terrível! Trump andou a ler o livro de Cavaco…

E agora diz que Barack Obama lhe colocou os telefones da Trump Tower sob escuta.

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Já não é a primeira vez que Trump se sai com este tipo de “terríveis” acusações. E, claro, o twitterismo tem destas coisas. Em 140 caracteres por mensagem, não se pode dizer tudo…

Como tem acontecido com outros assuntos que o presidente dos EUA leva para o Twitter – nomeadamente as acusações de fraude no processo eleitoral de novembro do ano passado – Trump não forneceu pormenores ou outros detalhes que permitam perceber em que informações se baseia para avançar com as alegadas escutas de Obama.

Cavaco à quinta

cavaco.jpgCavaco Silva saiu hoje do buraco para apresentar o seu novo livro, onde ajusta contas com o passado e com alguns políticos que com ele se cruzaram, reservando especial destaque para o antigo primeiro-ministro José Sócrates.

De quem Cavaco nos faz questão de dizer, aliás, que sempre sentiu reservas e desconfianças.

Já de outros figurões com quem conviveu demoradamente, com quem fez negócios, que convidou para os seus governos e de cujas fraudes e desmandos vamos ouvindo falar, desses o ingénuo Cavaco nunca teve razões para de algo desconfiar.

Soube entretanto, graças à prestimosa colaboração da conta Twitter de Adolfo Dias, que o livro de Cavaco, cuja compra NÃO recomendo, é o primeiro de uma série que irá ter ilustres continuadores. Vejam as cenas dos próximos capítulos, perdão, as capas dos próximos livros:

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São Cavaco recolheu ao convento

cavaco_mocidadeUm jantar e um almoço em sua homenagem, três reuniões do Conselho de Estado, uma ida oficial à Madeira e uma presença na celebração da Bolsa do Voluntariado. Resumem-se a estes sete eventos as saídas públicas do ex-Presidente da República, Cavaco Silva, nos oito meses que decorreram desde que deixou Belém. Prometeu “recato” e este continua a fazer lei na sua vida. É no “recato” do seu gabinete de dois pisos, que custou ao erário público meio milhão de euros em obras, no Convento do Sacramento, que estará a escrever o 3º volume da sua autobiografia, que retratará os seus últimos anos na presidência.

Tudo neste homem soa, sempre me soou, a falso, e continuo a ter dificuldade em compreender o que levou o povo português a conceder-lhe quatro maiorias absolutas, fazendo dele o governante eleitoralmente mais bem sucedido, até hoje, na história da nossa democracia.

O homem austero e materialmente desprendido que gasta meio milhão de euros dos contribuintes a instalar um escritório.

O asceta que recolhe ao convento para escrever as memórias em vez de se andar, como outros, a pavonear pelo mundo.

O professor universitário que em vez de nos ensinar a sua ciência prefere comunicar por silêncios, tabus e sinais de fumo.

O político com a mais longa e bem sucedida carreira de Primeiro-Ministro e Presidente que insiste em como não é político mas, tal como Salazar, um professor emprestado à política.

O hipócrita que dorme “de consciência tranquila” apesar de todos os trafulhas que promoveu à sua volta e de nem como Presidente de todos os Portugueses ter conseguido estar à altura das responsabilidades, comportando-se sempre como um chefe de facção.

Falar claro

Eu desde o início do mandato tenho adotado uma posição que é: não há porta-vozes meus, não há fontes de Belém, a única fonte de Belém sou eu, é o Presidente. E o Presidente, quando entende que deve falar, fala claro, não fala mais ou menos, não fala assim-assim. Podem as pessoas gostar ou não gostar, mas diz exatamente o que entende que deve dizer.

cavaco[2]Acho que há um certo mestre dos tabus e dos sinais de fumo, do recurso sistemático aos recadeiros e aos desmentidos, que deve ter ficado com as orelhas a arder…

O último segredo

cavaquismo.jpegNo mesmo dia da homenagem emotiva a Mário Soares, Cavaco Silva, o homem dos silêncios e dos tabus, teve também a sua almoçarada com os amigos. E disparou:

Muita coisa se sabe sobre a forma como exercia as minhas funções de Presidente da República. Mas também há muita coisa que não se sabe, porque tomei a decisão de manter muita coisa reservada na convicção de que essa era a melhor forma de defender o superior interesse nacional.

Como não espero novas e surpreendentes revelações sobre as fraudes dos bancos do regime que Cavaco e os seus correlegionários políticos fundaram ou privatizaram, nem sobre o bando de trafulhas e malfeitores que protegeu ao longo da longa carreira política, parece-me que isto é apenas publicidade antecipada ao livro de memórias.

A não ser que tudo tenha sido ainda pior do que conseguimos imaginar