Serviço público: 707.PT

707.JPGEscrevi há dias, por aqui, sobre o abuso das chamadas telefónicas de valor acrescentado que as grandes empresas cobram a quem lhes liga através da linha de apoio aos clientes. Em vez de encorajarem e agradecerem o contacto dos clientes desta forma, que lhes possibilita grandes poupanças, muitas optam por penalizar os consumidores, transformando o apoio telefónico em mais uma fonte de lucro.

Pois agora surgiu um site que presta um verdadeiro serviço público: divulga números telefónicos alternativos às linhas “oficiais” de apoio ao cliente. Estes números, geralmente escondidos ou divulgados de forma muito discreta, permitem contactar as empresas gratuitamente ou ao custo de uma chamada normal, dependendo do tarifário do cliente.

Sempre que procurar um número alternativo a uma linha telefónica começada por 707 ou 808, comece por consultar o…

707.PT

Manter fora do alcance das crianças

bebe-telemovelPoderia ser um aviso a colocar nos telemóveis e nos tablets que todos os dias são confiados a bebés e crianças pequenas, para que estejam entretidos e não incomodem os pais, ocupados com outras tarefas ou lazeres. Pelo menos de acordo com um estudo britânico recente que vem confirmar o que pediatras e outros especialistas em desenvolvimento infantil há muito recomendavam.

As crianças até aos 3 anos que usam smartphones e tablets dormem menos. Por cada hora de uso, são menos 15 minutos por dia e, apesar de fazerem sestas mais longas, demoram mais tempo a adormecer. Este é o resultado de um primeiro estudo, da Birkbeck, Universidade de Londres, que pretendia avaliar a existência de perturbações do sono nos bebés que usam estes aparelhos.

Apesar de só agora ser conhecido o impacto negativo no sono, dois pediatras portugueses já desaconselhavam o uso destes aparelhos antes dos 3 anos. “Já era conhecido que o uso dos écrans, nomeadamente quando associados a jogos, perturba o sono, porque, uma vez desligados, o cérebro continua ativo. Aconselho, depois de jantar, ler e outras atividades mais relaxantes, nunca écrans”, referiu ao DN Mário Cordeiro.

Também Fátima Pinto – que estudou ainda o impacto dos écrans televisivos no desenvolvimento das crianças – aconselha que pelo menos até aos 2 anos as crianças não usem tablets ou smartphones. “As questões de desenvolvimento relacional e de comunicação ficam prejudicadas quando as crianças são entregues aos écrans”, defende a médica.

Claro que dar ocasionalmente um aparelho destes para a criança se entreter, como antigamente se ligava a televisão à hora dos desenhos animados ou, mais recentemente, se usavam os leitores portáteis de DVDs para distrair os miúdos em longas viagens de carro, não trará problemas. O complicado é quando se começa a fazer disto a rotina, em vez de conversar e interagir com a criança ou de a habituar a manusear brinquedos, material de desenho, blocos de construções ou livros em papel. É a relacionar-se com os outros que se desenvolvem competências sociais; é a mexer e a manipular objectos físicos que se desenvolve a motricidade fina, e não a lambuzar um ecrã colorido e faiscante.

Naturalmente que a internet e os jogos de computador têm coisas boas e não devem ser diabolizados, como referem os especialistas ouvidos para a reportagem do DN. Mas nas idades de que estamos a falar, não será errado acrescentar que, quanto menos internetes, melhor…

A religião nas escolas públicas

padre.jpgCompreende-se que, nos tempos que correm, os professores de Educação Moral e Religiosa Católica evitem fazer proselitismo religioso e não queiram que as suas aulas sejam confundidas com sessões de Catequese. Os nossos colegas que leccionam a disciplina percebem a importância de tratar temas e promover actividades que interessem aos alunos que se inscrevem na disciplina. Até porque, se assim não for, as inscrições, e com elas a abertura de turmas e a existência de horários para os docentes, irão diminuindo irremediavelmente.

Nesta escola secundária a disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC) é tão popular que mesmo sendo a última hora e meia no horário, os alunos não deixam de aparecer. Mais surpreendente ainda, aparece até quem não está inscrito. Vêm porque “nesta aula podemos colocar dúvidas e somos ouvidos como não somos noutras disciplinas”. A explicação é dada por Bia e conta com acenos de concordância dos colegas em redor. Para o professor Jofre o sucesso da disciplina está ligado às atividades que fazem fora das aulas, mas também aos conteúdos e à forma como estão organizados. “Eles não vêm pela religião. E o nosso papel também não é o de fazer catequese, mas de os provocar. Eu provoco para eles pensarem e para deixá-los inquietos.”

Na aula a que o DN assistiu, o tema não podia ser mais adequado para estes jovens que têm entre 15 e 16 anos. Os estudantes de ciências económicas começaram a abordar o amor. “O importante é que eles descubram dimensões de si próprios que não conhecem, dentro dos valores e da cidadania de matriz católica”, aponta o professor.

Num Estado laico, haverá sempre fundadas dúvidas acerca da legitimidade de existir educação religiosa nas escolas públicas paga com o dinheiro de todos os contribuintes. O interesse de um elevado número de alunos, e das suas famílias, nestas aulas, será assim a melhor forma de assegurar a sua continuidade.

Já uma escola pública andar a ensaiar cânticos religiosos e a celebrar missas em horário lectivo é muito estranho. Um procedimento anticonstitucional e ilegal a merecer averiguações e apuramento de responsabilidades da parte do ME. Até porque poderá, ao que nos diz a notícia do JN,  não ser caso único.

Os alunos de uma escola básica de Alfândega da Fé andaram a ensaiar cânticos católicos nas aulas de Educação Musical para uma missa pascal que deverá realizar-se na escola, segunda-feira, em pleno horário letivo.

Grandes, para quê?

aeroporto-porto.jpgO Aeroporto Francisco Sá Carneiro foi eleito o melhor da Europa para estruturas com dimensão entre 5 e 15 milhões de passageiros.

A distinção veio do Airports Council International, uma associação profissional mundial de operadores de aeroportos – 2016 Airport Service Quality (ASQ) Awards.

Quando ressurge o lobby aeroportuário de Lisboa, na sua ânsia pelo segundo aeroporto e as eternas querelas sobre a sua localização ideal, o prémio – mais um! – agora atribuído ao Aeroporto do Porto, com base na avaliação feita pelos utilizadores, vem-nos recordar que temos no Norte do país um aeroporto bem mais agradável e eficiente do que o congénere lisboeta.

Que está ainda longe de atingir a saturação e que tem, ao contrário de Lisboa, potencial para captar passageiros do norte de Espanha.

Que dois aeroportos de média dimensão servem melhor o país do que a tentativa de esvaziar o Porto para tentar concentrar em Lisboa tráfego suficiente para justificar, depois dos fiascos do TGV e das SCUTs, mais um elefante branco, agora no sector aeroportuário.

Rentabilizar e aproveitar o que temos e nos serve perfeitamente, em vez de insistirmos no endividamento e na despesa para termos o que não nos faz falta: com os longos anos que já levamos de crises, congelamentos e austeridades, era tempo de termos já aprendido alguma coisa.

Os currículos mudam, os manuais mantêm-se

livros2Como já por aqui se tinha aventado, a anunciada flexibilização dos currículos não é uma reforma curricular, “emagrecer” os programas não implica refazê-los e fazer ajustes nos currículos não tira nem põe nenhuma disciplina. Logo, não serão necessários novos manuais escolares.

A associação dos editores de manuais anunciou-o…

“Para evitar, desde já, especulações e desinformações como aconteceu no passado recente, a APEL informa que não foram introduzidas quaisquer alterações nos manuais escolares em vigor no próximo ano lectivo que reflictam as mudanças anunciadas pelo Ministério da Educação.”

E o ME confirmou:

Contactado pelo PÚBLICO, o Ministério da Educação faz saber apenas que “está a preparar instrumentos de flexibilização curricular e não uma reforma curricular, pelo que não há qualquer motivo para se proceder à alteração de manuais escolares”.

Da parte de professores, fartos de constantes mudanças, e dos pais, nada interessados em reformas que obriguem a abrir os cordões à bolsa, também não haverá, decerto, objecções.

Quando os miúdos fazem perguntas difíceis

sex-education.jpgResponder às perguntas das crianças sobre sexo ou explicar-lhes temas como o terrorismo ou a morte não são tarefas fáceis para muitos pais. Haverá uma idade indicada para falar sobre cada um? O que dizer? Os especialistas contactados pelo DN recomendam que só sejam abordados a pedido das crianças e sempre de acordo com as idades. Regra geral, primeiro surgem questões sobre a gravidez, a morte e as doenças e só mais tarde sobre o terrorismo ou o aborto.

Embora continue válida a regra universal de bom senso que manda ajustar o teor dos temas e a linguagem usada à idade e à maturidade dos miúdos, a omnipresença de fontes de informação tendem a confrontar as crianças, cada vez mais cedo, com assuntos que despertam curiosidade ou causam perturbação. O terrorismo, o drama dos refugiados, ou até a morte de um familiar ou pessoa amiga podem suscitar dúvidas que, se não forem bem esclarecidas, se podem tornar perturbadoras.

A peça do DN está recheada de bons conselhos e de exemplos acerca da melhor forma de abordar temas difíceis com crianças. Ouvir a criança, perceber primeiro o que ela pretende saber antes de dar uma resposta. Entender que os mais novos questionam a partir de vivências concretas, não de temas abstractos. Por isso, se um miúdo faz uma pergunta “estranha”, o mais provável é que tenha contactado ou vivido algo que o perturbou.

Mais difícil, mas só marginalmente abordado na peça, é tratar estes assuntos no contexto escolar. É que aqui temos, em regra, uma turma inteira pela frente, e não apenas um ou dois filhos a quem dar atenção. Ora numa turma podemos ter alunos muito diferentes, tanto ao nível da maturidade como de vivências, gostos e interesses. E ao abordar temas suscitados por alguns alunos, estamos a envolver também os colegas que nunca tinham pensado em tais assuntos. Não lhes estamos a dar tempo para chegarem lá por eles mesmos na altura certa, segundo a abordagem recomendada pela maioria dos especialistas.

Claro que aqui voltamos ao ponto onde começámos: ao bom senso, esse auxiliar indispensável de todos os professores e educadores, que nos leva a procurar esclarecer as dúvidas dos nossos alunos, adequando as respostas ao contexto da turma e do meio em que os nossos alunos se inserem. E que igualmente nos ensina que há, não só conhecimentos, mas também princípios e valores, que devem ser transmitidos às crianças desde cedo, sem que se esteja à espera que elas os solicitem.

Consensos na Educação Física

educacao_fisicaOs professores e os pais estão de acordo quanto à importância da disciplina de Educação Física na escola e defendem a “importância desta estar presente em todo o percurso escolar”. A Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), o Conselho Nacional das Associações de Professores e Profissionais de Educação Física (CNAPEF) e a Sociedade Portuguesa de Educação Física (SPEF) assinaram um acordo, no sábado, em Trofa.

Depois de o ministério de Nuno Crato ter desvalorizado a Educação Física, não contabilizando a sua nota na média do secundário, o actual governo repôs esta disciplina em situação de igualdade com as restantes. O que me parece duplamente saudável, tanto pelo sinal que se dá aos alunos sobre a importância da actividade física, como por se assumir que, a partir do momento em que integram o currículo obrigatório, não há disciplinas de primeira e de segunda categoria.

Sobra o problema das médias de acesso ao ensino superior, e de um aluno com fracas capacidades ou pouca apetência para a Educação Física poder ver a disciplina baixar-lhe a nota de candidatura ao ponto de o impedir de entrar no curso ambicionado. Mas esse não é, a meu ver, um problema da disciplina do secundário; é antes o resultado injusto de um sistema de ingresso no ensino superior que subverte as classificações do secundário – que deveriam certificar apenas as aprendizagens neste nível de ensino – para através delas seriar e seleccionar os futuros estudantes do ensino superior. Subscrevo inteiramente, por isso, o que os representantes dos pais e dos profissionais de Educação Física ontem acordaram:

O acordo defende ainda que se altere – “é fundamental e urgente”, diz o texto a que o PÚBLICO teve acesso – o processo de seriação dos alunos ao acesso ao ensino superior. “O ensino secundário não deve ser considerado como um ensino pré-universitário, mas antes um ciclo integrado na escolaridade obrigatória”, logo, não se deve pedir-lhe a responsabilidade de “seriar os alunos” para o superior, cabendo às universidade e aos politécnicos fazê-lo.

Coerência ou falta de respeito?

be-parlamento.JPGO Parlamento dividiu-se na receção aos reis de Espanha. PS, PSD e CDS-PP aplaudiram o discurso de Felipe VI. Os deputados do PCP levantaram-se mas não aplaudiram. O Bloco de Esquerda permaneceu sentado.

Sou republicano, e tenho pouca simpatia por uma monarquia que, como é o caso da que existe em Espanha, que foi imposta por vontade póstuma de Franco, que derrubou a República democrática para impor uma feroz ditadura que só terminou após a sua morte.

Agora a verdade é que as decisões sobre o sistema político de Espanha dependem inteiramente da vontade dos Espanhóis, e faz todo o sentido que deputados de um partido assumidamente republicano como o Podemos permaneçam sentados nos seus lugares, nas Cortes, enquanto o Rei usa da palavra, para sublinhar a falta de legitimidade de um Chefe de Estado que não é eleito pelo povo.

Já o Rei de Espanha, de visita a Portugal e ao Parlamento português, é o mais alto representante do seu país, e é nessa qualidade que deve ser recebido com o devido respeito. Se não pela régia personagem, pelo povo que ele, bem ou mal, representa.

Concordo por isso com os que afirmam que, enquanto o PCP marcou uma posição política, os deputados do BE conseguiram apenas mostrar um gesto de má educação.

Emagrecimento curricular

emagrecer.PNGO Ministério da Educação pretende aplicar, já a partir do próximo ano letivo, “currículos essenciais” das diferentes disciplinas nos 1.º, 5.º e 7.º anos de escolaridade. A ideia, resumida ao DN pelo secretário de Estado da Educação, João Costa, é focar, nos programas, “aquilo que é essencial que os alunos aprendam para depois permitir uma melhor gestão do tempo e do trabalho” nas escolas.

O governante confirmou ainda ter pedido às associações de várias áreas disciplinares, com as quais esteve ontem reunido, que apresentem à tutela “um desenho” daquele que consideram o currículo essencial de cada uma das suas áreas. As primeiras propostas deverão chegar ao Ministério já no início de 2017.

Quando Nuno Crato anunciou as famosas metas curriculares, ainda lhe dei o benefício da dúvida, pensando que a ideia seria idêntica ao que agora se pretende implementar: definir um núcleo de aprendizagens essenciais em cada disciplina, tornando os programas exequíveis com os tempos lectivos disponíveis e a necessária diferenciação de estratégias pedagógicas.

Afinal, as metas acabaram por tornar os programas ainda mais extensos e complexos, complicando o problema de fundo em vez de o simplificar e resolver, pelo que a sua substituição gradual pelo conceito de “currículos essenciais” em cada disciplina é de saudar, desde que não seja uma mera cosmética eduquesa e se traduza realmente numa maior autonomia de gestão do currículo pelas escolas e professores.

Recorrendo a um exemplo simples para que se perceba bem a ideia, não faz sentido que numa disciplina, na escola A, com uma carga curricular de 90 minutos semanais, se tenha de abordar os mesmos conteúdos e atingir os mesmos objectivos que na escola B, onde a mesma disciplina é leccionada em 150 minutos por semana.

Na falta de uma reestruturação curricular cuja necessidade me parece evidente, sobretudo no 3º CEB, criem-se ao menos os meios que permitam definir prioridades educativas e focar as aprendizagens nos conhecimentos estruturantes e mais significativos.

Dêem-se aos professores as condições de uma verdadeira autonomia pedagógica, adaptando os currículos e as estratégias de aprendizagem ao meio escolar e aos alunos concretos que têm à sua frente.

Alunos com NEE no ensino superior

braille.JPGO Público aborda hoje, em desenvolvidas reportagens, a entrada no ensino superior de alunos com necessidades educativas especiais.

Só 14% das vagas no superior para alunos com deficiência foram ocupadas

Só Politécnico da Guarda não tem gabinete de apoio a alunos com deficiência

Articulação com o ensino secundário é “um problema”

Alda foi com o filho para o politécnico

São muito poucos os alunos com incapacidades físicas que chegam à universidade ou ao politécnico: as quotas anualmente definidas para estes jovens ficam, ano após ano, por preencher. Mas percebe-se que, em geral, os estabelecimentos de ensino superior até se esforçam por receber e integrar estes alunos, construindo uma resposta educativa personalizada à medida das suas necessidades.

E se estes alunos, pela persistência e força de vontade em superar as suas limitações, e as escolas superiores, por os bem receberem, merecem o nosso aplauso e incentivo, não se pode deixar de questionar que futuro reserva a sociedade para estes cidadãos. Será que, assim como lhes é dada, e muito bem, a oportunidade de estudar, também terão a possibilidade de retribuir, trabalhando, à medida das suas possibilidades, nas áreas em que se formaram?

É que o discurso neoliberal da competitividade e do empreendedorismo, que nas entrelinhas nos sugere que só para os melhores haverá um futuro à medida das suas ambições, é tudo menos um discurso de inclusão.

E no entanto, estes jovens que agora insistem em estudar, quererão um dia trabalhar, tornar-se úteis à sociedade que neles apostou e conquistar dessa forma a sua autonomia: é nisso que apostamos ou, na falta de uma resposta adequada, iremos condená-los a viver da ajuda familiar, de esmolas ou de subsídios?