A resgatar bancos falidos… desde 2008!

E ainda há quem se admire de não haver dinheiro para o resto?…

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Corruptos de aquém e de além mar

salgadoO “irritante” caso de Manuel Vicente, o ex-vice-presidente angolano acusado de corrupção nos tribunais portugueses, deixará de ensombrar as relações políticas entre os dois países. O Tribunal da Relação de Lisboa decidiu finalmente separar a acusação ao político e empresário angolano do processo principal, remetendo-a aos tribunais angolanos.

Claro que isto é o mesmo que desistir de qualquer possibilidade de condenação do até agora arguido, uma vez que é sabido que Vicente gozará, em relação aos factos de que é acusado, da benevolência e provavelmente até da imunidade que em Angola se reserva aos poderosos do regime. Mas a verdade é que, não estando o acusado disposto a colaborar com a justiça portuguesa, a hipótese de o julgar e condenar em Portugal também eram muito reduzidas.

Acima de tudo, e independentemente do que é de bom tom dizer acerca da independência do poder judicial, reconheça-se que à nossa justiça, que deixa à solta tantos corruptos portugueses, e outros criminosos de colarinho branco, falta legitimidade para se dedicar a prender e a julgar cidadãos estrangeiros. Se desse conta dos que cá tem, pessoalmente já me daria por satisfeito.

O destino de Manuel Vicente não será diferente do de Ricardo Salgado, que continuará a descansado da vida apesar de ter sido o principal responsável por tudo o que vamos sabendo da gestão do BES e do GES. O respeitinho das autoridades angolanas pelos homens fortes do regime não é substancialmente diferente da reverência dos nossos juízes por quem também já passou por ser o dono disto tudo.

Desmascarar os corruptos

No Top-15 da corrupção mundial elaborado pela organização Transparência Internacional, há dois que falam Português:

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Isabel dos Santos, a filha preferida do eterno Presidente de Angola, o país que criou a mulher mais rica de África, testa de ferro de muitos e obscuros negócios, e que mantém a maior taxa de mortalidade infantil.

salgado

Ricardo Salgado, o principal responsável de um banco que alimentava a corrupção à escala internacional.

Estão bem acompanhados pelos ex-dirigentes da FIFA e  da Petrobrás e pelos antigos presidentes da Ucrânia, Egipto e Tunísia, entre outras personalidades e organizações promotoras e beneficiárias da corrupção em larga escala.

O site Unmask The Corrupt reúne mais informação sobre estes e outros grandes líderes da corrupção à escala global e permite ainda ao leitor, mediante registo, destacar algum deles com o seu voto.

 

Cavaco quer mais conversa

Diz ele que quer garantias.

A reunião com Costa durou meia hora, o líder do PS não saiu de lá indigitado nem prestou declarações à saída, mas levou trabalho de casa:

O Presidente da República pediu hoje ao líder do PS que desenvolva “esforços tendo em vista apresentar uma solução governativa estável, duradoura e credível”. A decisão de Cavaco Silva foi comunicada através de uma nota da Presidência da República, colocada no site minutos depois da saída de Costa de Belém. O chefe de Estado exige “clarificação formal” de seis questões.

A “clarificação” pedida diz respeito a garantias de aprovação de orçamentos e moções de confiança e respeito pelos tratados europeus e pelos compromissos com a NATO.

Os outros dois pontos referem-se à concertação social, que Cavaco quer ver respeitada, e à “estabilidade do sistema financeiro” que segundo o ainda presidente tem tido um “papel fulcral no financiamento da economia portuguesa”.

Aqui é que o presidente está enganado. Ou quer-nos enganar, hipótese mais provável. Se os bancos financiassem como deveriam a economia não precisaríamos de andar a vender empresas ao capital estrangeiro. Nem a injectar dinheiro público em sucessivos bancos falidos ou descapitalizados. Muito menos a pedir emprestado ao FMI e à União Europeia, não só para financiar o Estado e a economia mas os próprios bancos, os supostos financiadores disto tudo.

Antes de pedir satisfações a Costa, seria conveniente que o próprio presidente explicasse o seu conceito acerca do que é um sistema financeiro estável.

Terá alguma coisa a ver com o Novo Banco, uma brincadeira inventada pelo governo de Passos em conluio com o Banco de Portugal e que ainda não sabemos em quanto nos irá ficar?

bpncavaco[1]Ou com o BPN, o banco do PSD em que uns quantos accionistas privilegiados, incluindo o próprio Cavaco, lucraram em bom tempo, deixando um buraco de milhões a pagar pelos contribuintes?

Matérias em que o presidente e o seu partido, mais do que pedir explicações aos outros, deveriam começar por explicar-se eles próprios. Se tivessem honestidade e humildade para isso.

Os Portugueses podem confiar no BES, garante Cavaco

Julho de 2014: O Presidente da República diz aos Portugueses que podem confiar no BES. Reconhece que há uns problemazitos com a “parte não financeira” do grupo, mas que as “folgas” existentes permitem cobrir essas situações. Mais tarde viria a negar a existência destas declarações, afirmando categoricamente nunca se ter pronunciado sobre a situação do banco e demonstrando, uma vez mais, que a relação difícil com a verdade é um dos traços mais profundos do seu carácter.

Coelho e Portas em apertos

Passos Coelho e Paulo Portas foram recebidos na manhã deste sábado por um protesto de professores e de lesados do BES que aguardavam a sua entrada no mercado municipal de Braga. O primeiro-ministro, de braços levantados, pediu calma aos manifestantes, depois de ter sido cercado e pressionado a responder a questões pelos antigos clientes do Banco Espírito Santo.

Abordado por vários manifestantes enquanto tentava circular pelo mercado, Passos Coelho ouviu de perto palavras gritadas como “Portugal” e “gatuno”. Durante vários minutos, a acção de pré-campanha da coligação PSD/CDS viu-se encurralada nos corredores estreitos do mercado, com dificuldade em movimentar-se dada a afluência de pessoas no local.

Cada vez mais pressionado pelos lesados do BES, Passos Coelho saiu-se hoje com a sugestão de que quem perdeu as suas poupanças na mega-trafulhice deveria ir para tribunal reclamar aquilo que é seu. Oferecendo-se até, em desespero, para organizar uma “vaquinha” destinada pagar as custas judiciais de quem não tem dinheiro para avançar com o processo.

Por aqui vemos o que se ganharia se houvesse eleições todos os anos: forçados a vir junto do povo pedir o voto, os governantes ouvem o que não gostam e acabam a dizer mais do que quereriam.

Passos não teve pejo em mandar idosos que perderam as poupanças de uma vida ir litigar em tribunal, quando está farto de saber que este é um caso irremediavelmente perdido sendo tratado pelas vias judiciais, e só pode ter uma solução política, tal como política foi a intervenção do Estado no BES.

O ainda primeiro-ministro mostrou também a massa de que é feito quando admitiu com toda a naturalidade que a justiça portuguesa é só para quem tem dinheiro, reconhecendo que só recorrendo à caridade pública os lesados mais carenciados poderiam ir a tribunal reclamar os seus direitos.

Já o conselho de que não ganhariam nada em andar atrás da campanha da PAF parece não ter surtido efeito. No Porto, a noite começou animada, os lesados não desistem e a direita parece já estar a passar ao plano B, o favorito de sempre quando não consegue mais enganar as pessoas – a intervenção policial.

Um grupo de lesados do BES e outro de moradores de Miragaia protestaram ruidosamente frente ao edifício da Alfândega, onde a coligação PSD/CDS tem este sábado à noite um jantar-comício de pré-campanha. A polícia já teve de intervir.

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