Músicas do Mundo: Strato-Vani – Alte Kameraden

Eficiência nórdica

Oito funcionários de um lar na Alemanha foram vacinados individualmente com cinco doses da vacina contra a covid-19 da Pfizer/BioNTech, dos quais quatro foram hospitalizados porque começaram a manifestar sintomas ligeiros de gripe.

Os Países Baixos decidiram iniciar a campanha de vacinação contra a covid-19 em janeiro, apesar de já toda a União Europeia ter começado, considerando que “a pressa” visa dar “um espetáculo simbólico”, mas é perigosa.

“Temos de seguir um caminho seguro, não é responsável começar mais cedo”, explicou o ministro da Saúde holandês, Hugo de Jonge, aos deputados, sublinhando que o que seus parceiros europeus estão a fazer “não é prudente”.

O Parlamento holandês não compreende, no entanto, que todas estas questões técnicas e logísticas demorem quase duas semanas mais do que no resto da União Europeia.

O líder da extrema direita (PVV), Geert Wilders, acredita que a abordagem oficial “é errada” e classificou-a de “amadorismo”, enquanto os socialistas lamentaram que os Países Baixos “estejam a ficar para trás novamente”, como aconteceu – segundo referiram – com a aplicação móvel de rastreamento do coronavírus ou com a capacidade de fazer testes.

Regresso às aulas na Alemanha

alemanha-escola-covid.JPGNa Alemanha, o novo ano lectivo já começou, embora nem todos estados tenham já iniciado as aulas. O que possibilita, informa o Público, que aqueles que começam mais tarde olhem atentamente para os constrangimentos que a pandemia está a colocar aos que arrancaram primeiro.

Em Portugal, a um mês do arranque do ano lectivo, a experiência alemã pode bem ser uma antevisão do que nos espera em Setembro: o aparecimento aleatório de casos positivos, o abre-e-fecha de escolas, a monitorização constante, as contradições entre as regras de segurança estabelecidas, que tornariam quase impossíveis os contágios, e a realidade concreta das escolas, onde isolamentos e distanciamentos se revelam muitas vezes impossíveis de aplicar correctamente.

Na semana passada, Hamburgo e Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, ambos no Norte, foram os primeiros a recomeçar as aulas, que foram logo suspensas ao quarto dia num liceu na cidade de Ludwigslust, depois de uma professora ter tido um teste positivo — embora a professora não tivesse chegado a dar aulas, houve mais dois casos de professores infectados. Todos os alunos e funcionários estavam, entretanto, a ser testados. Em Rostock, depois de um aluno de uma escola básica ter tido um teste positivo, 67 colegas e professores foram postos em quarentena. 

No estado de Schleswig-Holstein, que recomeçou esta segunda-feira as aulas, uma escola básica encerrou depois de uma professora ter recebido um teste positivo, mas reabria esta quarta-feira para todos os anos com a excepção de um. Uma segunda escola registou um caso ligado a esta, da irmã de um aluno infectado, e dois anos tiveram aulas suspensas.

Em Hamburgo foram detectadas esta semana infecções num liceu e numa escola básica, e ainda um potencial caso num segundo liceu, levando à suspensão das aulas para alguns anos. 

As medidas de prevenção nas escolas são decididas por cada estado federado segundo orientações gerais, mas estas nem sempre podem ser cumpridas. Por exemplo, nem sempre é possível ter grupos de alunos fixos só com um professor, e nem sempre os edifícios das escolas têm salas suficientemente grandes para respeitar distância física.

Na escola de cara tapada

niqab.jpgO debate sobre o véu islâmico nas escolas europeias já tem anos, mas continua a travar-se nalguns países europeus. Não o mais consensual hijab, que cobre apenas o cabelo e o pescoço, deixando o rosto a descoberto, mas o niqab, que tapa o rosto quase por inteiro, deixando apenas os olhos a descoberto.

Da Alemanha, chega-nos a notícia de um aparente retrocesso: um tribunal superior não encontrou fundamentos legais para impedir uma jovem de frequentar a escola de cara tapada.

Admito que a legislação, demasiado ambígua nesta matéria, esteja a inibir uma actuação judicial mais assertiva dos tribunais. Mas o que parece é que a questão do véu islâmico está a ser indevidamente equacionada no plano da liberdade religiosa, quando se trata, no essencial, do desrespeito do direito à educação.

Aliás, a prática habitual de milhões de mulheres muçulmanas demonstra que é perfeitamente possível conciliar o respeito pelas regras de modéstia e decoro exigidas pela cultura islâmica com a exigência básica de que ninguém deve frequentar a escola, ou qualquer espaço público, de cara tapada.

Um tribunal em Hamburgo autorizou nesta segunda-feira (03/02) uma jovem de 16 anos a continuar usando o niqab durante as aulas. A mãe da adolescente entrou com uma ação na Justiça após o colégio proibir a menina de frequentar a escola com o véu islâmico que cobre o rosto, deixando apenas os olhos de fora. A atual decisão é final e não cabem mais recursos.

Para o Tribunal Superior Administrativo, não há atualmente uma base legal para a proibição do uso da burca ou do niqab em escolas. “A estudante pode reivindicar a liberdade de religião”, argumentou a Corte, acrescentando que uma base jurídica seria necessária para a interferência neste direito fundamental, mas “a legislação escolar de Hambugo não prevê isso”.

A mãe da jovem, que frequenta uma escola técnica, entrou na Justiça após a filha ter sido proibida pela direção da escola de frequentar as aulas com a vestimenta que cobre o rosto.

A decisão da Justiça gerou críticas no país. O secretário da Educação de Hamburgo, Ties Rabe, afirmou a atual legislação precisa ser reformada para incluir a proibição da burca e do niqab em escolas.

“Uma boa escola e uma boa aula só são possíveis se todos os alunos e professores mostrarem o seu rosto. A aprendizagem precisa da comunicação aberta”, ressaltou Rabe.

A organização de direitos da mulher Terre des Femmes saudou a iniciativa de Rabe e afirmou que tolerar que uma adolescente de 16 anos use um véu que cobre todo o rosto é “em muitos aspectos uma concessão fatal às estruturas de poder patriarcal”.

A diretora geral da ONG, Christa Stolle, disse que a burca e o niqab violam a dignidade humana da mulher e ressaltou que especialmente instituições de ensino precisam ser locais seguros e neutros.

Músicas do Mundo: Martynas Levickis – Dança Húngara n.º 5

A escola no cinema: A Onda

A Onda

Título original: Die Welle, 107m, Alemanha, 2008.

die-welle.pngQuando entre nós se discutem as virtualidades do trabalho de projecto e da aprendizagem colaborativa, talvez venha a propósito ver – ou rever, no caso de quem já conhece – uma história que tem como pano de fundo a semana de projecto, comum nos liceus alemães. Partindo de um tema-problema concreto – perceber se o nazismo teria condições para renascer na Alemanha do século XXI – um professor pouco convencional desenvolve com a sua turma uma experiência social que entusiasmou a maioria dos jovens, recriando a dinâmica social e a mentalidade colectiva que estiveram na origem dos fascismos europeus. Mas, aos poucos, as coisas vão ficando fora de controle…

Fica o trailer do filme e, embora não a recomende, pois não sou adepto de dobragens, uma versão integral dobrada em português do Brasil.

Uma geringonça alemã?

O anúncio de Martin Schulz como candidato a chefe do governo alemão continua a dinamizar o SPD nas sondagens. O partido social democrata reúne agora 28% das intenções de voto, mais 8 pontos que na sondagem anterior e a apenas 6 pontos da CDU/CSU de Angela Merkel.

Angela Merkel será certamente uma adversária difícil de bater, mesmo pelo prestigiado Martin Schulz, ex-presidente do Parlamento Europeu, o “alemão bom” que lidera agora o partido social-democrata alemão.

Mas o facto de o SPD estar a subir nas sondagens, retirando intenções de voto tanto à CDU de Merkel como ao partido neo-nazi AfD, alimenta as esperanças de que possa, em conjunto com outros partidos de esquerda – o Linke e os Verdes -, alcançar a maioria absoluta no parlamento federal, o Bundestag.

sondagem-de.jpg

Irá o mais rico e populoso país da União Europeia construir também a sua geringonça?

Músicas de Natal: Helene Fisher – Kling, Glöckchen

Natação obrigatória

burkini2.JPGO caso, relatado no Público, sucedeu na Alemanha: uma rapariga muçulmana de 11 anos recusou-se a participar nas aulas de natação juntamente com colegas do sexo masculino, mesmo envergando um burkini. Perante a avaliação negativa decorrente da recusa da aluna, os pais levaram a queixa até às mais altas instâncias judiciais:

O Supremo rejeitou a argumentação apresentada no julgamento pelos pais da menor, de que ela poderia ficar dispensada de ir às aulas porque o burquini não vai ao encontro dos padrões de decência islâmicos, uma vez que revela as formas do corpo. Segundo o diário britânico The Telegraph, trata-se de uma rapariga descendente de marroquinos que vive em Frankfurt, e cujos pais desencadearam a acção em tribunal depois de a filha receber um “não satisfaz” por se recusar a participar nas aulas de natação.

A mais alta instância judicial alemã considerou, tal como as instâncias inferiores, que este argumento não é válido por não haver “regras obrigatórias no islão” que definam que roupas são apropriadas. A sentença refere que as escolas têm o dever de encorajar um “comportamento social” e estão autorizadas a tornar as aulas obrigatórias, e que as aulas de natação que juntam rapazes e raparigas não são “um impedimento sério à liberdade religiosa”, cita ainda o Telegraph.

Da mesma forma que discordei da proibição que algumas autoridades francesas quiseram impor ao uso do burkini nas praias, no Verão passado, também me oponho ao fundamentalismo de quem acha que uma rapariga de 11 anos, com uma veste como as que se vêem na imagem, está a revelar as formas do seu corpo perante os rapazes da sua idade.

É que ceder às pretensões dos pais da miúda significaria, na prática, uma de duas coisas: seria admitir que uma rapariga, pelo facto de ser muçulmana, possa ser dispensada da aprendizagem e da prática de uma actividade física e desportiva que faz parte do currículo obrigatório para todos os alunos. A alternativa seria aceitar, perante a invocação de princípios religiosos, a separação de sexos no ensino, algo que a escola pública há muito rejeitou, não discriminando em função do género, raça, religião ou qualquer outra das diferenças que nos fazem iguais enquanto membros da espécie humana.

Os Alemães em Paris

Yanis Varoufakis à conversa com Noam Chomsky: cinco minutos muito esclarecedores para quem quiser compreender no que se tornou, nos dias de hoje, o projecto europeu.

Da histórica rivalidade franco-germânica à austeridade imposta aos países periféricos, tudo isto ao serviço de um projecto antidemocrático e dominador que tem tudo para acabar mal.