Liberalismo para totós… e colunistas aperaltados

O boneco já é um clássico das redes sociais, mas serve bem para compreender uma realidade simples que muitos fazem por desentender.

Basta substituir o imigrante pelo trabalhador desempregado ou em lay off forçado por causa da pandemia e o operário pelo “burguês em teletrabalho”, expressão insultuosa para designar o trabalhador que não ficou privado de emprego nem do seu rendimento habitual porque, mesmo confinado, continuou a trabalhar.

Quanto ao verdadeiro burguês, o dono e distribuidor das bolachas, esse manteve, e em muitos casos a aumentou, o seu rendimento. Continua a ser proprietário de meios de produção e redes de distribuição, podendo explorar a força de trabalho, tirando partido não só das novas oportunidades abertas pela globalização e pela economia digital, como das carências e novas necessidades trazidas pela pandemia. E, claro, continua a ter todas as facilidades para expatriar lucros para paraísos fiscais e recorrer à contabilidade criativa e às leis feitas à medida para contornar e minimizar as obrigações fiscais.

Redesenhado à medida da recente polémica nas redes sociais, o boneco poderia incluir um quarto elemento, representando uma pequena burguesia petulante e deslumbrada com a possibilidade de, papagueando umas idiotices, chegar às primeiras páginas dos jornais. Aparentemente, pensam pela sua cabeça, mas o que dizem e escrevem só é amplificado porque convém aos donos das bolachas.

Se uma coligação de interesses económicos e políticos criou a economia de casino que leva hoje a concentração de riqueza a níveis inauditos, os académicos aperaltados que transformaram as faculdades de Economia em escolas de negócios ao serviço dos senhores do mundo são objectivamente seus serventuários e aliados. Quando recorrem aos media para nos tentar convencer que devemos partilhar melhor as migalhas para que os pobres não morram de fome enquanto os ricos continuem a engrossar o seu bolo, a mensagem não é inocente, muito menos isenta. E é isso que precisa de ser intransigentemente denunciado.

Burguesa do teletrabalho será vosselência!…

Eu sou um trabalhador.

Toda a vida vivi do rendimento do meu trabalho. Nunca usufrui de rendas, lucros, juros ou outros rendimentos de capitais ou de bens ao luar. Nunca realizei mais-valias explorando a força de trabalho alheia para meu enriquecimento. Não me considero um burguês, um capitalista, nem escolhi estar em teletrabalho. Não passei, pelo facto de estar a cumprir o confinamento obrigatório, a trabalhar menos ou a deixar de cumprir qualquer dos meus deveres e responsabilidades profissionais.

Poderá a cronista, estrela ascendente no universo dos opinadores do regime, sentir o deslumbramento de chegar às primeiras páginas da imprensa com soundbites retumbantes e provocadores. Julgará talvez encontrar alguma sensatez na frase que proferiu. Mas a estratégia é mais velha do que a Sé de Braga: tentar virar os trabalhadores uns contra os outros. Trabalhadores braçais contra intelectuais. Contratados versus efectivos. Empregados do sector privado em oposição a funcionários públicos. Dividir para reinar, um lema de todos os poderes políticos económicos instituídos e certamente um desiderato caro aos patrocinadores privados da mais cotada faculdade de Economia, onde a nova estrela do comentariado lecciona.

É verdade que a maioria dos salários em Portugal são uma miséria. Mas não é esmagando ainda mais os rendimentos da classe média que melhoraremos a redistribuição da riqueza entre a população. Nem é penalizando os que têm emprego e podem proteger-se da pandemia – como se trabalho e saúde tivessem deixado de ser direitos e passassem à categoria de privilégios – que asseguramos melhores condições aos que têm de trabalhar, tantas vezes em condições precárias e inseguras, fora de casa.

Um combate efectivo às desigualdades e maior justiça social só podem ser alcançados com uma melhor redistribuição dos rendimentos. Isto significa tributar mais os rendimentos do capital, aliviando a tributação do trabalho: precisamente o contrário do que décadas de política económica neoliberal, posta em prática por governos de diversas cores políticas, produziram no nosso país.

Não deixa de ser curioso que não se questione a fundo a fraude descarada nas contas do Novo Banco, onde continuamos a injectar dinheiro público. Que os monopólios naturais da energia e as grandes empresas da distribuição continuem a aumentar e a expatriar os seus lucros e a beneficiar da crise sem que se equacione a necessidade de, esses sim, darem o seu contributo para a recuperação da economia. Que se tenha transformado a TAP num imenso sorvedouro de dinheiro público sem quaisquer garantias de sustentabilidade futura da empresa ou dos postos de trabalho que andamos a sustentar artificialmente. Que os grandes devedores do regime continuem a ser tratados como cidadãos de mérito, em vez de serem obrigados a pagar o que devem.

Entretanto, a prosa aperaltada foi amplamente discutida no Twitter, onde @speraltalisboa escreve e polemiza com regularidade. Acompanhei um pouco da discussão e, sinceramente, a polemista desiludiu. Susana Peralta é livre de ter as suas ideias e, como professora da escola de economia&negócios com mais peneiras do país, sentir-se-á até investida de alguma autoridade para proferir afirmações mais ousadas. Mas não teve arcaboiço intelectual para defender até ao fim o seu ponto de vista ou, o que também não lhe ficaria mal, admitir que a argumentação foi excessiva ou que não se expressou da melhor forma. E acabou nesta triste figura: afinal já não quer taxar os rendimentos do trabalho mas sim os supostos ganhos de capital que os “burgueses em teletrabalho” terão auferido.

Acham mesmo que quando falo de “cobrar impostos à burguesia do teletrabalho” estou a falar de impostos sobre o rendimento do trabalho? Claro que não. Muitas dessas pessoas bem pagas do setor dos serviços tem rendimentos de capital que aumentaram durante a crise e são tributáveis.

Mas nada disto é dito na entrevista original. O que ficou escrito, preto no branco, é a taxação de toda a “burguesia em teletrabalho” que não perdeu rendimentos, não se ressalvando sequer que serão apenas os que têm salários elevados – há teletrabalhadores, por exemplo no sector dos call centers, a ganhar o salário mínimo -, muito menos qualquer referência a rendimentos de capital. A tentativa de virar o bico ao prego está ao nível, não de uma professora universitária, mas de um aluno pouco estudioso que, incapaz de distinguir trabalho e capital, improvisa uma teoria da treta para se safar. Mas nestas coisas, já se sabe: mais depressa se apanha um mentiroso do que um coxo.

Houve uma parte substancial das pessoas em Portugal que não perderam rendimentos, toda a burguesia do teletrabalho, todas as pessoas do setor dos serviços que, aliás, são as pessoas mais bem pagas, o que também me inclui a mim. Esta crise poupou muito as pessoas que trabalham neste setor e são as pessoas com mais escolaridade. Podia-se perfeitamente ter lançado um imposto extraordinário sobre essas pessoas para dividirmos o custo desta crise.

Ouvir os especialistas

Daqui.

Polvo açoriano

A grande coligação das direitas açorianas mostra ao que veio.

Nada ficam a dever aos Césares e demais famílias socialistas…

E assim vão combater os grandes problemas do arquipélago, a corrupção e o RSI dos pobres…

Imagem de origem indeterminada, em circulação nas redes sociais.

O problema cigano

Aparentemente, existe mesmo um problema cigano, a somar a muitos outros, no interior do país. Os dados desta tabela necessitariam de análise mais vasta e aprofundada, entrando em consideração com outros factores. Mas podem ser um ponto de partida para olharmos com mais atenção para problemas reais das populações abandonadas e dos territórios esquecidos no Alentejo, na Beira Interior, em Trás-os-Montes.

O discurso racista e xenófobo de André Ventura alimenta-se deste estado de coisas, e embora a maioria dos votos que recolhidos pelo candidato da extrema-direita provenham do litoral, onde se concentra a larga maioria dos votantes, é no interior do país que o crescimento eleitoral é mais expressivo.

Para o futuro, servirá de pouco bramar contra o “fascismo” se não se enfrentarem os reais problemas da desertificação, do envelhecimento, do desemprego, da falta de horizontes e de condições de vida. Pois não é pela negação da realidade que o descontentamento, a frustração e a revolta deixam de existir. Como muito bem explica Luís M. Jorge nesta inspirada sequência de tweets

1. Parece que afinal uma boa parte dos concelhos do país onde há muitos ciganos concorda com Ventura quando ele diz que “existe um problema cigano em Portugal”. Isto só surpreende vegans alternativos da Estefânia.

2. Parece que afinal não é boa ideia despejar comunidades à bruta em concelhos do interior e deixar que se esgadanhem com os velhos nas mercearias onde sapos de loiça chocam a nossa virtude liberal. Somos rápidos a detectar o “preconceito”, desde que não seja o nosso.

3. Conheço bem um dos concelhos daquele quadro. É fácil de descrever, se pensarmos no Far West. De um lado temos os índios, do outro reformados a ver o Goucha. Entre ambos há terra queimada. Ninguém se “visita”. As conversas entre os dois lados são forçadas, e nunca acabam bem.

4. Se uma casa ficar algum tempo vazia, é assaltada. Se um turista incauto se atrever a explorar a paisagem que resta intocada pelos incêndios anuais, entra na zona dos índios e é acolhido por olhares carregados, crianças descalças, cães a rosnar.

5. É assim há décadas. Zonas que tinham uma economia rural – que tinham hortas, olivais, lagares, fornos de pão, sapateiros, ferreiros, albardeiros, alfaiates, barbeiros, alambiques, produtores de queijos ou de enchidos, agora têm velhos a olhar para ecrãs e gente a roubar.

6. E as autarquias? Arranjam as estradas, fazem centros de dia ou festas para a “terceira idade”, constroem casas novas para os índios em arredores a que nunca regressam. As escolas funcionam. Médico só há quando há. Existe mérito nas Juntas, mas há mais cimento do que mérito.

7. Os vegans da Estefânia, nos intervalos do ioga, enquanto metem porquinhos de estimação no “insta” e tentam condenar o último cronista reacionário de um jornal de referência ao desemprego, chamam a estas pessoas “deplorables”. Porque não há palavras em português, of course.

8. Na assembleia da república, nas tvs, nos podcasts, gente que nunca viu uma galinha disserta sobre a “agricultura sustentável”, as ciclovias, os direitos dos transexuais, e faz proclamações lancinantes contra o “fascismo”.

9. No terreno, um terreno baldio no fundo do inferno onde um voto conta tanto como um voto na Estefânia (que chatice), alguém deita fogo à palha ressequida. Os índios não votam. Os velhos votam no Goucha. Os vegans tapam os ouvidos e berram contra o “fascismo”.

Como dizia Voltaire, ver ser uma bonita fogueira.

Presidenciais 2021

De umas Presidenciais sem entusiasmo nem grandes surpresas, algumas notas soltas no rescaldo da noite eleitoral…

Marcelo Rebelo de Sousa cumpre a expectativa da reeleição à primeira volta, prosseguindo o que já se tornou tradição na democracia portuguesa no que se refere aos segundos mandatos presidenciais. Os cerca de 60% dão-lhe uma margem mais do que confortável, mas longe do quase unanimismo que provavelmente ambicionaria.

Ana Gomes consegue um honroso segundo lugar, embora com menos votos do que, em eleições anteriores, obtiveram outros candidatos fortes da área socialista. A vitória sobre André Ventura deveria levar este, se fosse homem de palavra, a abandonar a liderança do partido. Não o fará, obviamente, desde logo porque o partido é ele próprio e depois porque o seu resultado está longe de ser uma derrota: em muitos concelhos do interior desertificado e empobrecido do país, o facho aparece em segundo lugar, por vezes com mais de 20% dos votos. Significa que existe descontentamento e que há problemas reais das populações que não estão a ser ouvidos e tidos em conta pelos partidos tradicionais e que este descontentamento tenderá a alimentar, agora e no futuro, projectos populistas e autoritários, ainda que disfarçados de anti-sistémicos.

Mas, relativamente a Ventura, há mais: o candidato que agora obteve nas urnas quase meio milhão de votos poderá ter, se tivermos em conta a elevada abstenção e projectarmos este valor no total do universo eleitoral, mais de um milhão de potenciais apoiantes: ou seja, cidadãos sensíveis ao discurso securitário, racista, xenófobo e proto-fascista do líder do Chega.

Quanto a João Ferreira e Marisa Matias, embora tenham tido boas prestações em campanha – mais ele, com um discurso quase sempre incisivo, oportuno e bem articulado, do que ela, notoriamente menos inspirada do que em campanhas anteriores – são candidatos derrotados na medida em que não conseguiram segurar, sequer, o eleitorado habitual dos respectivos partidos. Aliás, a esquerda é toda ela derrotada numas eleições em que os quatro candidatos oriundos do universo PS-BE-PCP não atingem, juntos, nem 25% dos votos expressos.

Finalmente, o liberal Tiago Mayan demonstrou que a narrativa liberal com que se tenta construir uma alternativa política à direita continua pouco convincente e desajustada da realidade económica e política do país. O voto liberal tende a concentrar-se em nichos da população jovem e urbana, o que a noite eleitoral tornou bem visível, pois só já para o final, com o apuramento dos votos nos maiores centros urbanos, é que o candidato da Iniciativa Liberal conseguiu relegar Tino de Rans, seguramente o candidato com menores ambições, para o último lugar.

Fecha tudo!

O Conselho de Ministros ainda não terminou, mas a decisão já é dada como certa pela imprensa matinal.

Claro que a escola deveria ser sempre presencial e que as alternativas de ensino à distância representam sempre um empobrecimento das aprendizagens. No entanto, quando de um dos lados da balança estão perdas irreparáveis na saúde e nas vidas dos portugueses e do outro umas semanas de aulas que, de uma forma ou de outra, se irão recuperar, é evidente a escolha que terá de ser feita, que neste momento só peca por tardia.

Quanto aos inúmeros defensores da escola presencial que agora enfiam o rabo entre as pernas, haverá que lembrar que, tivessem sido outras as políticas na preparação do ano lectivo e na sua gestão no contexto da pandemia – turmas mais pequenas, regime de turnos, reorganização de espaços e equipamentos, recurso ao regime semi-presencial – e poderíamos ter ainda condições, neste momento, para conservar pelo menos os alunos mais novos na escola.

Incompreensivelmente protelada a solução inevitável, só resta agora aplicá-la na sua versão maximalista: fechar tudo!…

Pensamento do dia

…de um apoiante assumido da solução política a que se convencionou chamar geringonça. Que não deseja o regresso da direita ao poder, mas não abdica de um olhar crítico sobre o que se passa à sua volta nem está disposto a branquear os erros clamorosos na gestão da pandemia que, nos últimos tempos, se têm vindo a acumular.

Quando a pandemia escalou nos EUA, tornando-se o país com maior número e infectados e mortos pela covid-19, a culpa foi da política irresponsável e negacionista de Donald Trump.

No Brasil, com a gestão incompetente de Bolsonaro e idêntico negacionismo da gravidade de mais uma “gripezinha”, idem aspas.

E em Portugal, quando estamos já com taxas de infecção e de mortalidade por covid-19 proporcionalmente superiores àqueles dois países, a culpa é… dos portugueses?…

Aparições

Cine-teatro de Serpa, 10 de janeiro de 2021. NUNO VEIGA/LUSA

Consta que Salazar apareceu a André Ventura durante a recente deslocação a Serpa. E disse-lhe:

– Meu filho, juntos vamos ressuscitar o fascismo. Mas primeiro faz a barba e corta o cabelo, que pareces um cigano.

Em circulação pelas redes sociais…

Decisão política

Numa altura em que o Governo se prepara para fechar o país, realizou-se mais uma reunião com os peritos em saúde pública, no Infarmed. O primeiro-ministro anunciou no final as principais conclusões: houve um consenso para que as medidas “tenham um horizonte de um mês e com um perfil no início da pandemia”, ou seja, Março e Abril. A divergência esteve na questão das escolas. Fora de causa está a interrupção da avaliação que decorre no ensino superior – até porque nessa fase os alunos “fazem menos deslocações”, explicou depois o socialista José Luís Carneiro – e “nada justifica fechar as escolas até aos 12 anos”. Mas se estes são pontos de certeza, a incerteza está em torno do que fazer à escola para os alunos acima dos 12 anos. Aqui houve uma “divergência particularmente viva” entre os peritos e, por isso, a decisão será política depois de ouvidos também os responsáveis do sector da educação.

A Educação é há muito uma área secundária da governação, habitualmente arredada das grandes discussões políticas. No entanto, quando os números da pandemia batem todos os recordes e se prepara apressadamente um novo confinamento, o fecho das aulas presenciais assume-se como o grande pomo da discórdia entre políticos e especialistas de saúde pública.

Não por acaso, um dos maiores defensores do não confinamento das escolas é o ministro da Educação: Brandão Rodrigues sabe bem que quase nada foi feito, pelo ministério que incompetentemente dirige, para preparar um retorno ao ensino à distância em condições substancialmente mais favoráveis do que as do ensino remoto de emergência que vigorou em 2020. Com uma política educativa inconsistente, permeável a lobbies e a jogos de influência, replicando de forma inconsequente a agenda da OCDE e incapaz de ouvir e motivar as escolas e os professores, o actual ME acumula desaires, sendo as recentes descidas nos rankings das avaliações internacionais apenas o seu resultado mais visível. Por esse motivo, querem os alunos na escola, com muitas aulas, tutorias, mentorias e “recuperações de aprendizagens”, pois percebem que nada disto funciona no ensino à distância.

Do outro lado, mesmo dando de barato que as escolas são, ou tentam ser, lugares seguros, que as regras sanitárias se vão ali cumprindo, apesar de tudo, bem melhor do que noutros lugares e que as crianças adoecem e contagiam menos do que os adultos, percebe-se que o quotidiano escolar, que não se cinge às salas de aula ou aos rituais da desinfecção de mãos, é feito de riscos: os miúdos aproximam-se, tocam-se, retiram com frequência as máscaras para comer ou beber, misturam-se nas entradas e saídas dos edifícios escolares, viajam nos mesmos autocarros, frequentam juntos a cantina. Para muitos, a ida para a escola é também pretexto para a saída de casa, em descontraído desconfinamento, dos respectivos pais.

Na busca de um meio termo, vai fazendo caminho a ideia de um confinamento parcial, mantendo a escola presencial para a educação pré-escolar e os seis primeiros anos de escolaridade e remetendo os mais velhos, supostamente mais autónomos e capazes de ficar sozinhos em casa, para o ensino não presencial. Mas mesmo aqui não há consenso. Sem que nem os técnicos nem os governantes se entendam, a decisão final será puramente política. O que não é inédito, sublinhe-se. No primeiro confinamento, a decisão de fechar as escolas foi tomada à revelia do parecer dos especialistas, que se tinham pronunciado na véspera contra o confinamento escolar. Dessa vez, a coragem e o faro político de António Costa levou-o o tomar a decisão certa, a que permitiu a Portugal enfrentar com relativa serenidade a primeira vaga da pandemia, sem o impacto que teve em países próximos como Espanha ou Itália. Agora a situação é bastante pior, mas ainda vamos a tempo de, com decisões difíceis, mas ponderadas e corajosas, conter a pandemia.