Leituras: Matilde Rosa Araújo – A Fita Vermelha

fita-vermelha.JPGEu tinha começado a ensinar. Era muito nova então. Quase tão nova como as meninas que eu ensinava. E tive um grande desgosto. Se recordar tudo quanto tenho vivido (já há mais de vinte anos que ensino), sei que foi o maior desgosto da minha vida de professora. Vida que muitas alegrias me tem dado. Mais alegrias que tristezas.

Se vos conto este desgosto tão grande, não é para vos entristecer. Mas para vos ajudar a compreender, como só então eu pude compreender, o valor da vida. O amor da vida. O valor de um gesto de amor. O seu «preço», que dinheiro algum consegue comprar.

Eu ensinava numa escola velha, escura. Cheia do barulho da rua, dos «eléctricos» que passavam pelas calhas metálicas, Dos carros que continuamente subiam e desciam a calçada. Até das carroças com os seus pacientes cavalos.

A escola era muito triste. Feia. Mas eu entrava nela, ou digo antes, em cada aula, e todo o sol estava lá dentro. Porque via aqueles rostos, trinta meninas, olhando para mim, esperando que as ensinasse.

O quê? Português, francês. Hoje sei, acima de tudo, o amor da vida.

Com toda a minha inexperiência. Com todos os meus erros. Porque um professor tem de aprender todos os dias. Tanto, quase tanto ou até muito mais que os alunos.

Mas, desde o primeiro dia, compreendi que teria nas alunas a maior ajuda. O sol, a claridade que faltava àquela escola de paredes tristes. A música estranha e bela que ia contrastar com os ruídos dos «eléctricos», dos automóveis da calçada onde ficava a escola. Até com o bater das patas dos cavalos que passavam de vez em quando.

Porque, mais que português e francês, havia uma bela matéria a ensinar e a aprender. Foi nessa altura que comecei mesmo a aprender essa tal matéria ou disciplina – ou antes, a ter a consciência de que a aprendia.

Eu convivia com jovens (seis turmas de trinta alunas são perto de duzentas) que no princípio de Outubro me eram desconhecidas. Cada uma delas representava a folha de um longo livro que no princípio de Outubro me era desconhecido. Todas eram folhas de um longo livro por mim começado a conhecer. Não há ser humano que seja desconhecido de outro ser humano. Só é precisa a leitura.

Eu tinha agora ali perto de duzentas amigas. Todas aquelas meninas confiando em mim, esperando que as ensinasse; sorrindo, quando eu entrava, assim me ensinavam quanto lhes devia.

Mas um dia. Eu conto como aconteceu o pior. E conto-o hoje, a vós, jovens, que me podem julgar. Julgar-me sabendo este meu erro. E evitarem, assim, um erro semelhante para vós mesmos.

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Leituras: O Alentejo segundo Eugénio de Andrade

alentejo.JPGNo Alentejo, em fins de Julho ou princípios de Agosto, o olhar atinge o seu zénite. No horizonte raso e limpo tudo parece pegado à terra: muros, árvores, medas de palha, montes, quando se avistam distantes. Um delírio de luz sobe à cabeça, como a música das cigarras, e faz doer. As coisas todas estalam como romãs maduras, e ficam cheias de brilhos. Mesmo dentro de casa, com portas e janelas trancadas, a luz entra pelas frestas, entorna-se pelas tijoleiras e reflecte-se, tenuemente rosada, na brancura das paredes. No pátio, uma oculta água ergue-se num repuxo exíguo – e é pura delícia. Cheira a barro e a cal, cheira a coentros e a queijo seco. Cheira ao que é da terra e regressa à terra. Um som de guizos, o trote miúdo das mulas, o grito de uma criança, custam a distinguir, de tão longe vêm. Neste longo, ardente verão do sul apenas as cigarras têm modulações amplas. À roda tudo é silêncio e secura. Os próprios homens quase não têm fala, mas os seus olhos queimam como duas pedras expostas ao sol durante milhares de dias. Só eles afirmam que nem tudo no Alentejo nasce e morre acachapado à terra. Eles, e uns pombos bravos que subitamente rasgam o céu, como quem foge ao áspero, ardido, amargo coração do meu país.

Falei da luz do Alentejo, mas não é ela que verdadeiramente me liga e religa a esta terra: é demasiado ácida, falta-lhe uma doçura última, mediterrânea, que só encontraremos mais a sul. O que me fascina aqui é uma conquista do espírito sem paralelo no resto do país, numa palavra: um estilo. O melhor do Alentejo é uma liberdade que escolheu a ordem, o equilíbrio. Estas formas puras, sóbrias de linha e de cor, que vão da paisagem à arquitectura, da arquitectura ao vestuário, do vestuário ao cante, são a expressão de um espírito terreno cioso de limpidez, capaz da suprema elegância de ser simples. Povertà é talvez a palavra ajustada a uma estética alheia ao excesso, ao desmedido, ao espectacular. Ao luxo prefere-se a modéstia; à anarquia, o rigor; à paixão, um concentrado amor. O Alentejo é inimigo do barroco em nome da claridade. Mundo cerrado (quase apetecia escrever: encarcerado), sem dúvida; mas dos seus limites tira o alentejano a força. O seu olhar, na impossibilidade de ir mais longe, irá cada vez mais fundo, e o que lhe sai das mãos é fruto de uma paisagem enxuta, quase hirta, de uma magreza reduzida ao osso. Uma paisagem essencial, de que pode orgulhar-se um homem, quando lhe reflecte o rosto ou a alma.

Eugénio de Andrade, Alentejo (1997).

Acordo ortográfico: tudo como dantes…

reforma-ort.jpgParlamento diz não a revisão do Acordo Ortográfico

MNE rejeita alterações a acordo ortográfico

Parlamento e Governo estão unidos na rejeição da revisão do AO90 proposta pela Academia de Ciências de Lisboa. Os argumentos vêm na linha do que já por aqui se foi antecipando: um tratado internacional não se altera unilateralmente, há que concluir a primeira fase do processo, que é a aprovação e a entrada em vigor do AO90 em todos os países que o aprovaram, e só depois se poderá pensar em alterações.

Gabriela Canavilhas, ex-ministra da Cultura e actual deputada do PS, vai um pouco mais longe, e devolve a bola, ou melhor dizendo, a proposta de revisão do acordo, para o lado da ACL:

“Porque é que a Academia não apresenta as suas sugestões em sede própria?”, questiona a deputada socialista, referindo-se ao Instituto Internacional da Língua Portuguesa, que trabalha na constituição do VOC [Vocabulário Ortográfico Comum]. “A ACL tem orçamento proveniente do OE para participar no VOC, não sei porque não o fez até agora”, acusa a ex-ministra da Cultura.

Canavilhas considera ainda a atitude da ACL como “extemporânea e um bocadinho lírica” com o único fito de representar as “vozes dissonantes”. “Reconheço que o AO tem falhas e que este é um documento sensato”, mas não pode ser exposto como uma “conversa de café” ou uma “tertúlia literária”, como classifica a audição que esta terça-feira ocupou os deputados da Comissão Parlamentar de Cultura por mais de três horas.

A linguagem obscena de Valter Hugo Mãe

E a tua tia sabes de que tem cara, de puta, sabes o que é, uma mulher tão porca que fode com todos os homens e mesmo que tenha racha para foder deixa que lhe ponha a pila no cu.

vhm-o-nosso-reino.jpgA passagem faz parte do livro O Nosso Reino, de Valter Hugo Mãe, que consta – ou constava – das propostas do Plano Nacional de Leitura para alunos do 3º ciclo. Mas um grupo de pais de alunos do 8º ano de escolaridade da Escola Secundária Pedro Nunes, de Lisboa, considerou a linguagem imprópria para adolescentes de 13 e 14 anos e protestou contra a inclusão deste livro entre as leituras recomendadas para este nível etário.

Compreendo a preocupação destes pais, embora me pareça que poderão estar um pouco desfasados daquilo a que os adolescentes hoje se encontram expostos ou facilmente acedem graças à omnipresença da internet e a todo o tipo de conteúdos a que, sem filtros nem barreiras, ali conseguem encontrar. É precisa uma boa dose de ingenuidade para pensar que esta leitura confrontou os seus filhos com um tipo de linguagem sexualmente explícita que nunca teriam lido nem ouvido antes.

E claro que a boa literatura deve ser desafiante, retirar-nos da nossa zona de conforto, pôr-nos no lugar do outro e encarar outras realidades. Como bem explica Valter Hugo Mãe:

Lamento que quem discuta acerca do desconforto de alguns pais, de jovens de 14 anos, com “o nosso reino”, pareça ter-se esquivado a ler o livro e a perguntar se o choque provocado vem da sua efectiva leitura ou das duas frases que se autonomizaram sem contexto, parecendo sugerir que a obra é um exercício de perversão.
[…]
Acho muito bem que os pais que considerem os seus filhos imaturos para lerem determinadas obras os orientem noutras leituras. Como acho muito bem que os pais que reconheçam maturidade aos seus filhos os acompanhem em leituras desafiantes, no sentido de verdadeiramente esperar algo dos jovens que não seja apenas fútil e sempre adiado.
Sou a favor de não se tratar os jovens como estúpidos. Falta-lhes informação, mas a grandeza e a complexidade humanas estão plenamente contidas em alguém de 14 anos de idade. Importa saber se queremos fazer de conta que existem crianças com essa idade ou se preferimos atentar no esplendor do aparecimento de um ser mais pleno, perto de estar inteiro.
Seja como for, o que me compete dizer é que o meu livro não é um torpe discurso. É, muito ao contrário, uma exposição enorme de ternura. Para não o perceber basta não ler.

Também as duas associações de professores de Português tomaram posições sensatas e adequadas.

“Vivemos num tempo em que a liberdade é ameaçada por esse mundo fora e é nestes tempos que o papel do professor se intensifica na luta permanente contra a hipocrisia, o preconceito e todas as formas de discriminação”, afirmam em comunicado conjunto a Associação Nacional de Professores de Português (ANPROPORT) e a Associação de Professores de Português (APP).
Em reação às críticas sobre a inclusão do livro “O Nosso Reino” na lista de livros recomendados em leitura autónoma pelo Plano Nacional de Leitura, as associações defendem que é na escola, através dos professores, que começa a construção da verdadeira democracia, se derrubam “as barreiras sociais”, e se expõem “as fragilidades de uma visão enviesada e preconceituosa da realidade”.

Quem julgo que fica muito mal, em tudo isto, é a equipa do PNL e o seu responsável, com as suas explicações manhosas e atabalhoadas.

“Não está em causa a sua qualidade literária, o que houve foi um problema de inserção na lista. O livro entrou no 3.º ciclo por lapso, porque foi escolhido para o secundário”, disse à Lusa Fernando Pinto do Amaral, comissário do Plano Nacional de Leitura (PNL).

São centenas de livros e dezenas de listas que integram o PNL, pelo que é normal que ocorram erros deste tipo, explicou o responsável, exemplificando com um caso semelhante que aconteceu há uns anos com um livro da escritora Alice Vieira.

O que se esperaria de uma equipa que é paga com dinheiro público para escolher livros de qualidade recomendados a diferentes faixas etárias resume-se a duas coisas simples: primeiro, que fizesse um trabalho sério e rigoroso e, segundo, que fosse capaz de fundamentar e justificar cabalmente as suas escolhas, perante eventuais dúvidas e contestações. E não esconderem-se atrás do erro do computador ou de um colectivo em que todos decidem e ninguém assume o que faz e a razão por que o fez.

Lançar a “culpa” para um qualquer erro informático que fez o livro saltar de uma lista para outra é apenas, a meu ver, uma forma indigna e cobarde de fugir às responsabilidades. Que diabo, nas escolas também inscrevemos, todos os anos, centenas ou milhares de alunos em diferentes turmas, níveis de ensino e anos de escolaridade. E eles não fogem, de umas listas para outras, “por lapso”.

Continuo a achar que, em torno “do livro e da leitura” se têm andado a alimentar, a partir do depauperado orçamento da Educação, lobbies que andam muito longe de justificar aquilo que com eles é gasto. E a forma displicente como reagem às críticas é apenas uma de muitas evidências de que há estruturas no ministério mais centradas em servir-se a si próprias, ou a quem por lá anda, do que em prestar verdadeiro serviço público.

Brincadeira, disse ela

games.jpgLê-se a extensa prosa da dra. Lúcia Vaz Pedro, arvorada em defensora oficiosa do Acordo Ortográfico – que os seus verdadeiros responsáveis académicos e políticos, há muito enjeitaram a duvidosa paternidade – e, para além do relambório inconclusivo sobre as complicações e contradições do texto do acordo e da proposta de revisão da ACL, os argumentos que sobressaem continuam a ser os mesmos de sempre, e ambos muito fraquinhos: o da autoridade e o do facto consumado:

Não nos podemos esquecer que há jovens que desconhecem totalmente a grafia antiga; recolocar consoantes mudas seria brincar com a língua, desvalorizando um tratado internacional.

Quando a Academia refere que estas sugestões constituem «um contributo que resulta de aturada reflexão […]», é altura de dizermos que preferimos refletir sem brincar, porque há mais de duzentos e cinquenta milhões de utilizadores da Língua Portuguesa e existe um tratado internacional que devemos respeitar.

Nota-se também aqui que, numa era em que a democracia aparentemente se universalizou, os tratados internacionais se tornaram o instrumento preferido para impor decisões autocráticas à revelia da vontade dos povos. Assim como, entre nós, a Igreja Católica continua a beneficiar de privilégios irrevogáveis por causa da Concordata, ou o Orçamento de Estado a ser submetido anualmente à aprovação de um directório de eurocratas não eleitos, também na ortografia nos dizem que não se pode mexer porque as regras se encontram blindadas por um tratado internacional que os outros parceiros, contudo, aplicam apenas na medida das suas conveniências.

Quando os acordos internacionais são usados para manietar a soberania dos povos, impedindo as discussões livres e as decisões democráticas, estamos a abrir a porta aos populismos proteccionistas que estiveram na base da eleição de Trump e que poderão levar mais países europeus a seguirem o exemplo britânico de abandono da UE e dos tratados europeus.

Quanto às “brincadeiras com a língua” que tanto incomodam a sisuda doutora acordesa, parece-me que quase todos os nossos grandes escritores brincaram com o Português, para deleite de quem os lê. Pelo que talvez fosse sensato deixar as brincadeiras linguísticas aos criadores literários, em vez das desinspiradas prelecções dos burocratas da língua sobre as regras do bem escrever.

Concordamos em desacordar?

ao90.jpgPor 18 votos contra 5, foram aprovadas pela Academia de Ciências de Lisboa as Sugestões para o aperfeiçoamento do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa que pretendem servir de base à discussão e posterior implementação de uma revisão do AO que o possa expurgar das suas maiores incoerências e arbitrariedades. Entre os que já se renderam à nova ortografia e os que teimam em usar as regras antigas, haverá ainda espaço para construir um consenso que ponha fim à proliferação de diferentes ortografias, antigas e reformadas, nos vários países da lusofonia?

As alterações ao texto do acordo ortográfico de 1990 (AO90) propostas coincidem com as que já tinham sido parcialmente antecipadas na comunicação social: a diferenciação de pára e para; pélo (de pelar), pelo e pêlo; pôr e por; recupera-se a terminação -ámos no pretérito perfeito para distinguir do presente do indicativo, -amos (ex: falámos, falamos); aceita-se a dupla acentuação em palavras como oxigénio/oxigênio ou tónico/tônico, mas com delimitação geográfica clara (uns em Portugal, outros no Brasil); retoma-se o acento circunflexo na 3.ª pessoa do plural do presente do indicativo, crêem, lêem, vêem, em lugar do creem, leem, veem imposto pelo AO90; nas sequências consonânticas recuperam-se as palavras que eram iguais em Portugal e no Brasil e que mudaram só em Portugal (concepção, recepção, etc), sugere-se a manutenção da consoante dita muda em certas palavras “para evitar arbitrariedades” (característica, por exemplo, em lugar de caraterística) e nos casos onde ela tenha “valor significativo, etimológico e diacrítico” (conectar, decepcionado, interceptar), mas sugere-se que continuem eliminadas em casos como acionar, atual, batizar, coleção, exato, projeto.

Por fim, no uso do hífen propõe-se a sua manutenção nas “expressões com valor nominal”, ou palavras compostas, como maria-vai-com-as-outras, em formas como luso-brasileiro, em vocábulos onomatopaicos (au-au, lenga-lenga), e propõe-se que se escreva pára-choques, pára-brisas ou pára-raios, mantendo-se escritas aglutinadamente palavras como mandachuva, paraquedas ou paraquedista. Há mais propostas, mas estes tópicos dão já uma ideia do que a ACL pretende sujeitar à discussão pública.

Depois deste primeiro passo, a ACL não quer deixar morrer o assunto. E além da Assembleia da República, que já manifestou vontade de ouvir o presidente da Academia, propõe-se envolver no debate também os profissionais da escrita: as três associações de escritores existentes em Portugal e os representantes dos jornalistas portugueses.

Significativamente, não se manifesta a vontade de ouvir também o que pensam sobre o assunto os professores. A experiência e a opinião de quem forma as novas gerações de leitores e escritores continuam, nesta como noutras matérias, a ser irrelevantes para quem decide.

Um acordo feito com os pés

nuno-pacheco.jpgInspiradíssimo Nuno Pacheco, no Público, a propósito dos desacordos em torno da ortografia portuguesa que o malfadado Acordo Ortográfico suscita desde 1990.

Depois de passar em revista os nomes de mais de 20 países cuja grafia é diferente em Portugal e no Brasil, centra as suas atenções no desporto mais popular nos dois países. Futebol escreve-se da mesma forma, lá e cá, mas quase tudo o resto varia, e não só na ortografia.

Numa discussão racional bastaria talvez o exemplo do mais popular jogo de bola e do vocabulário a ele adstrito para perceber a completa estupidez que é a tentativa de impor uma uniformização da ortografia a uma língua com tantas variações lexicais. E querer fazê-lo, ainda para mais, com base no critério da pronúncia, onde as diferenças ainda mais se acentuam. Há um Português de Portugal e outro do Brasil, sendo os dois variações da mesma língua que também nessa diversidade se enriquece.

No Brasil, desporto é esporte; equipa é equipe ou time; chuto é chute; golo é gol; guarda-redes é goleiro; defesa central é zagueiro; médio é volante; avançado é atacante; avançado-centro é centroavante; jornada é rodada; pontapé de baliza é tiro de meta; pontapé de canto é tiro de esquina; meias-finais são semifinais; poste é pau; melhores marcadores são artilheiros; relvado é gramado. Como é possível, então, jogar futebol assim? A resposta foi dada há décadas: joga-se e pronto.

O que tem o dito “desporto-rei” a ver com o AO90? Isto: são ambos feitos com os pés. Um com arte, outro sem ela.