A escola no cinema: A Família Bélier

A Família Bélier

Título original: La famille Bélier, 106m, França, 2014.

familia-belier.jpgEsta é a história de uma família invulgar: um casal de agricultores e dois filhos adolescentes. São todos surdos, com excepção de Paula, a filha mais velha do casal, que funciona como elemento de ligação da família com o mundo exterior.

A vida corre feliz e sem problemas até à entrada em cena de um novo protagonista, Thomasson, o professor de Música que descobre em Paula um invulgar talento para o canto. Que, contudo, a sua família é incapaz de apreciar.

O filme explora a intensa e nem sempre fácil relação pedagógica entre Paula e o seu professor e leva-nos, pelo meio de uma catadupa de vivências e emoções típicas da adolescência, a acompanhar o dilema de uma jovem dividida entre continuar a dar à sua família o apoio essencial ao dia-a-dia ou seguir a sua vocação.

 

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A escola no cinema: O Sorriso de Mona Lisa

O Sorriso de Mona Lisa

Título original: Mona Lisa Smile, 117m, EUA, 2003.

sorriso-mona-lisa.jpgEste filme transporta-nos ao ambiente conservador de um colégio para raparigas de alta sociedade dos EUA, onde a chegada de uma nova professora de História de Arte, jovem e idealista, causa alguma perturbação.

Disposta a desafiar o conservadorismo do colégio para meninas de boas famílias, a professora, aqui interpretada por Julia Roberts, inicia as suas alunas na arte moderna, ausente dos programas da instituição. Tentando levar as raparigas, que na sua maioria parecem desejar apenas tornarem-se boas esposas e mães de família, a terem ambições próprias e a lutar por elas, a professora entra em conflito com a cultura dominante na escola e no meio social das suas alunas.

Não sendo propriamente uma obra-prima nem fugindo por completo aos clichés e ao convencionalismo romântico deste tipo de filmes, O Sorriso de Mona Lisa conta-nos uma boa história e explora de forma interessante a relação entre um modelo de escola e o meio social e cultural que lhe está subjacente.

Froilán e o direito ao sucesso

froilan.JPGO jovem Froilán de Marichalar é entre nós um ilustre desconhecido, mas o mesmo não sucede no país vizinho: é neto do antigo rei de Espanha e sobrinho do actual, Filipe VI. Quarto na linha de sucessão ao trono, rapaz bem parecido e namoradeiro, amante de farras e de touradas, aquele que tem sido apontado como neto favorito de Juan Carlos de Bourbon revela contudo um ponto problemático a seu desfavor: é pouco dotado para os estudos.

Os problemas escolares de Froilán começaram aos 12 anos, quando os fracos resultados levaram os pais a mudá-lo de escola. Contudo, parece que nenhuma escola se mostrou suficientemente boa para motivar o régio rebento, que passou por um internato inglês e dois colégios religiosos, sempre com notas fracas. Até que chegou ao equivalente ao nosso 8º ano de escolaridade, de onde já não conseguiu passar. Repetiu duas vezes, sem sucesso, o 8º ano e repetiria uma terceira vez se os pais, com o beneplácito dos avós, que têm pago as contas elevadas a este aluno problemático, não decidissem enviar o filho para um colégio de tipo militar nos EUA.

O sistema educativo norte-americano, ou a troca do colégio religioso pelo regime militar, aparentemente fizeram milagres: o aluno cábula e incapaz de se concentrar nos estudos fez aqui, em dois anos, o equivalente a cinco anos de escolaridade. E depois da cerimónia de formatura, regressou já a Espanha, em condições de frequentar a Universidade no próximo ano lectivo.

Em Madrid, Froilán irá estudar Administração e Gestão de Empresas numa selecta universidade internacional, The College for International Studies, onde a família pagará cerca de 20 mil euros anuais para usufruir de um ensino que lhe dá todas as condições para continuar no rumo do sucesso. Haja dinheiro, é caso para dizer, e quase todos os problemas encontram solução.

Trata-se de um centro muito exclusivo que tem apenas 200 alunos com um rácio de 15 alunos por professor. Uma formação semelhante à que recebia no “Pilar” e nos outros colégios privados de Madrid em que fez o seu agitado percurso escolar. Segundo se expõe na sua página web, “CIS é uma universidade, mas também uma Grande Família, na qual os alunos se sentem cómodos, cuidados e orientados na hora de tomar decisões académicas importantes”.

Ou, como já dizia no século XVII o grande poeta Francisco de Quevedo, poderoso caballero es don dinero…

A escola no cinema: Adeus, Rapazes

Adeus, Rapazes

Título original: Au Revoir Les Enfants, 104m, França, 1987.

adeus-rapazes.jpgA acção deste filme de Louis Malle decorre em plena II Guerra Mundial, na França então ocupada pelas forças nazis. Num colégio interno para rapazes a vida corre com a normalidade possível, que os padres que o dirigem tentam manter apesar dos constrangimentos e dificuldades inerentes à ocupação nazi e à guerra.

Retratando o quotidiano escolar e as relações de camaradagem entre os estudantes internos, a história foca-se num dos rapazes, Julien, e no tímido e introvertido Jean, um novo aluno que aos poucos acabará por se tornar o seu melhor amigo. Contudo, a vinda de Jean para o colégio está envolta em mistério e secretismo, pois o rapaz é judeu e a descoberta desse facto implicaria a prisão e a deportação pelas autoridades nazis.

O filme de Malle, com o seu quê de autobiográfico, explora com mestria o ambiente dos internatos na França rural do século XX e a relação ambígua dos Franceses com os ocupantes nazis, quando o colaboracionismo e a cobardia coexistiam com actos da maior coragem e altruísmo da parte dos que se opunham à barbárie nazi e tentavam proteger as suas vítimas.