A escola no cinema: O Sorriso de Mona Lisa

O Sorriso de Mona Lisa

Título original: Mona Lisa Smile, 117m, EUA, 2003.

sorriso-mona-lisa.jpgEste filme transporta-nos ao ambiente conservador de um colégio para raparigas de alta sociedade dos EUA, onde a chegada de uma nova professora de História de Arte, jovem e idealista, causa alguma perturbação.

Disposta a desafiar o conservadorismo do colégio para meninas de boas famílias, a professora, aqui interpretada por Julia Roberts, inicia as suas alunas na arte moderna, ausente dos programas da instituição. Tentando levar as raparigas, que na sua maioria parecem desejar apenas tornarem-se boas esposas e mães de família, a terem ambições próprias e a lutar por elas, a professora entra em conflito com a cultura dominante na escola e no meio social das suas alunas.

Não sendo propriamente uma obra-prima nem fugindo por completo aos clichés e ao convencionalismo romântico deste tipo de filmes, O Sorriso de Mona Lisa conta-nos uma boa história e explora de forma interessante a relação entre um modelo de escola e o meio social e cultural que lhe está subjacente.

A escola no cinema: O Dia da Saia

A escola no cinema é a designação de uma nova série de posts dedicada aos filmes que retratam a escola e o quotidiano de professores e alunos em diversas épocas, países e culturas. Tal como tenho feito com outros temas culturais, procurarei divulgar primordialmente cinematografias e filmes menos conhecidos, fugindo tanto quanto possível à hegemonia anglo-americana na indústria do audiovisual.

Nem todos os filmes estarão disponíveis nos circuitos comerciais, mas muitos deles encontram-se com relativa facilidade através da internet, por vezes mesmo em plataformas legais como o Youtube. Quanto a meios de legalidade duvidosa para “sacar” os que não se conseguem obter de outra forma, eles continuam a existir, mas não quero que algum zeloso polícia da internet me feche o blogue por os divulgar.

O Dia da Saia

Título original: Journée de la Jupe, 87m, França, 2008.

dia-da-saia.jpgO Dia da Saia é um filme francês pouco conhecido em Portugal, cujo argumento parte do dia-a-dia de uma turma problemática numa escola secundária dos arredores de Paris, que retrata de forma hiper-realista. No início atribulado de mais uma aula de Francês, a relação tensa entre a professora e os alunos indisciplinados e provocadores desencadeará, a partir de um incidente fortuito, um conjunto de acontecimentos inesperados e dramáticos: pretexto para a reflexão sobre os limites do multiculturalismo e a integração das minorias étnicas e religiosas na sociedade francesa.

Ó pai, não gosto de ser princesa!

Podemos não brincar mais a essa brincadeira de eu ser uma princesa?

baloico.gifEstas palavras ouvi-as a uma miúda em idade pré-escolar, dirigidas ao pai quando a levava a um parque infantil que há aqui para os meus lados.

Lembrei-me delas a propósito de uma crónica do Público onde se fala das meninas que desde pequenas querem – ou fazem-nas querer – ser princesas, e do irreal mundo cor-de-rosa que constroem para elas.

É claro que homens e mulheres são diferentes em muitas coisas (não vou pedir à minha filha para fazer chichi de pé), mas na dignidade são iguais. E a luta pela igualdade passa por muitos tabuleiros, alguns que normalmente nem valorizamos. Devemos combater os estereótipos desde pequenos. Sou fã do movimento “Pink Stinks”, que se revoltou contra a forma como os brinquedos e as roupas para meninas tentam tornar a vida delas cor-de-rosa, como se não lhes fosse permitido ousarem algo diferente.

Uma menina não pode ter carros, jogar à bola ou brincar com ninjas? Ou sujar-se toda no parque? Claro que pode. E, aqui entre nós, digo-vos que a minha até tem bastante jeito para o futebol e já trepa melhor pelo escorrega do que alguns rapazes com a idade dela. Ou seja, é tão natural vê-la de vestido (fica linda!) como de fato de treino, qual jogadora de râguebi a levar tudo à frente (fica igualmente linda!).

Nem de propósito está a ser lançado agora em Portugal uma série de livros sobre as antiprincesas. Diz a contracapa dos livros. “As antiprincesas não são do contra só porque sim: não se resignam, e lutam para fazer valer aquilo que pensam. Como não usam tiaras, podem virar tudo de pernas para o ar e arriscar o que bem lhes apetece, por exemplo mudar o mundo”.

Numa sociedade onde, apesar dos inegáveis avanços no reconhecimento dos direitos das mulheres e da igualdade de género, há ainda muitas mulheres que são vítimas de violência doméstica, de discriminação salarial ou de assédio sexual, é importante, em vez de promover estereótipos de género em torno de meninas fúteis, coquetes e mimadas, dar-lhes a mesma liberdade que habitualmente se concede aos rapazes para explorarem o mundo à sua volta e experimentarem coisas novas sem querer saber se são de menino ou de menina nem terem medo de se sujar.

Pois o importante, como sublinha Hugo Daniel Sousa, é o respeito pelos direitos e pela dignidade de todos. Sejam homens ou mulheres, rapazes ou raparigas.

Por isso, não me cansarei de dizer ao meu filho que ele tem de respeitar as mulheres e defender os direitos delas. E repetirei à minha filha: “Nunca deixes que te faltem ao respeito. Nunca deixes que se aproveitem de ti. Nunca deixes que alguém tente baixar a tua auto-estima”. A minha filha não é uma princesa, não quer ser uma princesa, não precisa de ser uma princesa. Tal como o meu filho, ela só quer, só precisa, só merece todo o respeito do mundo.

Dia Internacional da (Super)Mulher

C6YF7cvWQAATT1X.jpg

40º Dia Internacional da Mulher

Poster_OBR_Lisboa

No Dia Internacional da Mulher, esta quarta-feira, Portugal alia-se à Paralisação Internacional de Mulheres, uma iniciativa que reúne grupos de mais de 30 países para protestar contra as desigualdades e violência de género. Em Lisboa, a concentração vai acontecer no Rossio, ao final da tarde, onde se prevê um acto simbólico de solidariedade com o protesto internacional sob o mote “Não Me Calo”. Apesar das greves que decorrerão noutros países, a Rede 8 de Março, que reúne colectivos feministas da Lisboa, preferiu organizar uma iniciativa simbólica convidando todas as mulheres a saírem mais cedo do trabalho ou a abandonarem, por algumas horas, as tarefas da casa. O protesto também acontece em Coimbra e Setúbal.

Nos últimos anos, tem-se notado uma tendência para tornar o Dia Internacional da Mulher numa efeméride cada vez mais vazia de conteúdo, uma espécie de Dia dos Namorados em que só Elas têm direito a presente. À crescente mercantilização e normalização do dia de luta pela igualdade de género, os movimentos feministas vêm agora responder com um conjunto de iniciativas que, em diversas partes do mundo, procuram denunciar e combater o machismo, a exploração, a discriminação e a violência a que milhões de mulheres continuam sujeitas.

A Paralisação das Mulheres inspira-se em protestos recentes na América Latina contra a exploração do trabalho feminino e o assassinato de mulheres às mãos de maridos, companheiros ou namorados. Ou na Polónia, contra as tentativas de voltar a criminalizar o aborto.

Em Portugal, a violência contra as mulheres continua a ser uma realidade perturbadora, assim como as persistentes desigualdades no mundo laboral: as mulheres trabalham mais, ganham menos e têm menos oportunidades de carreira profissional. E se as últimas décadas trouxeram alguns avanços no reconhecimento da igualdade de género e dos direitos das mulheres, a recessão económica e as correspondentes tensões sociais têm contribuído para um crescente conservadorismo social que põe em risco as conquistas recentes das mulheres.

A campanha mundial pelos direitos das mulheres fala em mil milhões de mulheres (um terço da população feminina mundial) que será vítima de violência, ao longo da sua vida, pelo facto de ser mulher: agredidas, violadas, sexualmente mutiladas, escravizadas ou traficadas. E um dos lemas desta campanha é solidariedade: as activistas reconhecem que a luta contra a exploração das mulheres corre a par de todas as outras lutas sociais e políticas de grupos e minorias igualmente explorados e discriminados. E juntos, mulheres e homens de todas as raças, orientações sexuais, nacionalidades e religiões terão maiores possibilidades de vencer a injustiça, a discriminação e o preconceito.

Um feliz Dia Internacional da Mulher para todas as Mulheres, e também para os Homens que gostam delas!…

Igualdade de direitos também é isto

ladiesnight.PNGUm bar situado no principal bairro noturno da cidade de Albacete, na região de Castela-Mancha, foi multado em 1500 euros por apenas cobrar entrada aos homens, deixando as mulheres entrar gratuitamente. O processo de contraordenação avançou por causa da queixa apresentada por um cliente a quem cobraram entrada e que denunciou o caso na Direção do Consumo.

Em Portugal, a prática de cobrar entrada apenas aos homens – ou consumo mínimo, o que vai dar no mesmo – estará generalizada, ao que consta, em inúmeros bares e discotecas. O que é discriminatório, e não só no pagamento que é imposto aos homens e de que as mulheres são dispensadas. A aparente vantagem que é dada às mulheres também não as dignifica, pois estão a ser usadas como chamariz para os clientes do sexo masculino.

Em Portugal, julgo que ainda ninguém se insurgiu contra o tratamento discriminatório na entrada em espaços de diversão nocturna ao ponto de apresentar queixa judicial. Quando alguém o fizer, estará a justiça portuguesa preparada para olhar a igualdade de género em todas as suas implicações?

Senhora não entra

Só os homens são capazes de avaliar o ano que termina e antever o novo que vem aí?

A avaliar pelas escolhas da Sábado e do Público, parece que sim.

Será que nem a dra. Teodora cumpre os requisitos? …

sabado.JPG

publico.JPG

E eis que a honra do convento é salva pelo jornal i:

i.JPG

Ou, como alguém disse num inspirado e oportuno tweet, são dez noivas para dez irmãos…