Já se sabe quem divulgou antecipadamente o exame?

exame[1]Bem me parecia que não.

Soube-se que um dos elementos da equipa que elaborou o exame de Português da 1ª fase do 12º ano divulgou antecipadamente, junto de alunos que eram seus explicandos, a matéria que iria sair na prova. Há indícios de que já teria cometido idêntica façanha em anos anteriores.

Mas saber-se quem foi e que medidas irão tomar perante o sucedido e para evitar que coisas destas se repitam, disso nada transpira.

Deve ser segredo de Estado, tal como a identidade dos autores das provas.

Na realidade, as preocupações do IAVE são outras…

O Instituto de Avaliação Educativa (Iave), responsável pela elaboração dos exames nacionais do ensino básico e secundário, quis restringir a reprodução comercial dos enunciados das provas, mas o Conselho Consultivo da Procuradoria-Geral da República (PGR) acabou por inviabilizar esta pretensão ao considerar que aqueles textos não estão sujeitos à protecção de direitos de autor, segundo apurou o PÚBLICO.

Nos exames do 9º é sobe-e-sobe

exames9.JPGOs alunos do 9.º ano tiveram não só média positiva nos exames de Português e Matemática, como em ambos os casos conseguiram melhores resultados do que em 2016.

Numa escala percentual de zero a 100, os resultados a Português passaram de 57% para 58% ao passo que a Matemática subiram de 47 para 53%.

Em comunicado divulgado nesta sexta-feira, o Júri Nacional de Exames destaca que na prova de Português cerca de 75% dos alunos obtiveram uma classificação igual ou superior a 50% e que o mesmo aconteceu com 57% dos estudantes no exame de Matemática. No conjunto foram realizadas 185.317 provas. Ainda segundo o júri, no processo de correcção estiveram envolvidos 3981 professores classificadores.

Tal como escrevi ontem em relação aos exames do secundário, também no básico estas médias não permitem demonstrar, e julgo que ninguém fará esta leitura, que a “fornada” de alunos de 2017  é melhor do que a de 2016.

O que se dirá inevitavelmente, e com isso fica quase tudo dito, é que os exames eram mais fáceis. Um poucochinho, no caso do de Português, uma bocadinho mais, no que se refere à Matemática. E provavelmente a SPM já antevia este mesmo resultado, quando criticava a prova demasiado fácil que saiu este ano.

Pela minha parte, prefiro colocar outras questões, baseando-me nos 32% de estudantes que tiveram menos de 50% no exame de Matemática.

Será que um terço dos nossos finalistas do ensino básico têm o nível insatisfatório de conhecimentos matemáticos que, ano após ano, é apontado pelos resultados dos exames?

E se assim é, como é que, mesmo sendo a Matemática uma das disciplinas com piores notas, a avaliação interna não reflecte, da mesma forma, essas dificuldades dos alunos?

E mais, como é que os alunos portugueses vão subindo de forma consistente nos resultados das provas internacionais e os exames não reflectem essa progressão?

Finalmente: como é que os progressos dos alunos surgem nos testes PISA e similares, que não contam para a avaliação dos alunos, e não se notam nos exames nacionais, onde os alunos deveriam esforçar-se mais, pois eles valem 30% da classificação final?…

O sobe-e-desce dos exames nacionais

Saíram os resultados da primeira fase dos exames do secundário e os principais prognósticos parecem confirmar-se:

  • No exame de Física e Química, este ano mais difícil, a média desceu de 11,1 para 9,9;
  • O exame de Matemática, um pouco mais acessível do que o do ano passado, mas ainda assim longe de ser “escandalosamente fácil”, como a SPM o qualificou, viu subir a média de 11,2 para 11,5;
  • Nos restantes exames, a tendência geral foi também no sentido de uma ligeira melhoria de resultados, pelo menos considerando apenas os alunos internos, uma vez que nos externos as notas descem substancialmente, como é habitual.

Contudo, desta análise anual do sobe-e-desce dos exames desapareceu um ponto que, na altura em que este modelo foi criado, nos disseram que seria fundamental: as médias dos exames iriam servir para avaliar o próprio sistema educativo, programas, metodologias, pedagogias. Permitiriam construir séries longas por onde se poderia analisar a evolução do aproveitamento dos alunos e o impacto das mudanças que se fossem imprimindo no sistema educativo.

Ora hoje já toda a gente percebeu que a subida ou a descida de umas décimas nos resultados dos exames apenas significam que a prova era um pouco mais fácil, ou difícil, do que a do ano anterior.

exames.JPGÉ hoje evidente que a estatística dos exames nos diz mais sobre as próprias provas, as equipas que as elaboraram e as orientações que lhes foram dadas do que sobre os estudantes que se submeteram a elas. Diz-nos mais sobre as idiossincrasias dos examinadores do que sobre o nível médio de conhecimentos dos examinandos.

E olhando para o gráfico que o Observador construiu com a evolução das médias dos principais exames também se percebe que não há ali qualquer leitura instrutiva que se possa fazer.

Noto que levámos demasiados anos a chegar até aqui. E pergunto-me quantos mais teremos de andar nisto até que se perceba que este modelo de exames está esgotado e não cumpre eficientemente nenhum dos objectivos para os quais foi concebido.

Colaborações: ComRegras

No Topo: Descoberta a autora da fuga de informação do exame de Português

Segundo o Expresso, as autoridades identificaram já a responsável pela divulgação antecipada de conteúdos da prova de exame de Português do 12º ano: uma professora de Português de uma escola pública da Grande Lisboa. Fez parte da equipa que elaborou as provas de exame, sendo ao mesmo tempo explicadora de um grupo de alunos do ensino secundário…

topo-e-fundo_ComRegras

No Fundo: Flexibilidade curricular

Duvido que o despacho que implementa a flexibilidade curricular, como experiência pedagógica, em cerca de 160 escolas e agrupamentos de todo o país, agrade à grande maioria dos professores. Que estão fartos de verem o respeito pelos seus direitos e a satisfação das suas justas aspirações eternamente adiados, ao mesmo tempo que se lhes oferece agora, como presente envenenado, uma “autonomia” que ninguém pediu…

Descoberta a autora da fraude no exame de Português

segredo.jpgUma professora de uma escola pública da Grande Lisboa que está envolvida na preparação dos exames nacionais foi identificada pelas autoridades como sendo a responsável pela fuga de informação relativa à prova de Português.

Segundo o Expresso, a docente dá explicações a alunos do ensino secundário e terá sido durante uma dessas aulas particulares que terá comentado informações relativas ao exame. Na sequência da fuga, uma aluna divulgou uma mensagem áudio na rede social WhatsApp em que descrevia as informações que uma amiga tinha acabado de receber.

De acordo com o mesmo jornal, não será a primeira vez que esta professora está envolvida numa questão destas. A docente faz parte há vários anos do grupo que prepara a prova de Português e, em anos anteriores, houve suspeitas não concretizadas que a explicadora tinha fornecido informações secretas aos alunos.

Ressalvando que se trata, para já, apenas de suspeitas, elas confirmam no entanto o que há muito tempo se vem notando: o secretismo e a falta de transparência na constituição das equipas que fazem as provas de exame, e o facto de não serem adequadamente salvaguardadas as incompatibilidades óbvias, como a de acumular estas funções com explicações particulares, potenciam fraudes e favorecimentos que provavelmente não apareceram só agora, mas que se tornam mais difíceis de esconder com o advento e a omnipresença das redes sociais.

Nem sindicalista, nem professora dos Salesianos: a professora suspeita de ter divulgado o teor da prova aos seus explicandos fazia parte da que equipa escolhida pelo IAVE para a sua elaboração. E continuava nessas funções apesar de, segundo o que agora é divulgado, já noutros anos se ter suspeitado de que não guardava segredo acerca do que iria sair nos exames.

E sem querer duvidar do empenho dos responsáveis ministeriais e judiciais no apuramento de toda a verdade, há que reconhecer que, não fosse a projecção pública e mediática que o caso teve, a tentação de o abafar seria mais do que óbvia. Mas fez-se o que era devido e, chegados a este ponto, resta apenas esperar que a investigação se conclua e o processo prossiga até às suas últimas consequências.

Apurar toda a verdade sobre esta fuga de informação, sabendo-se quem a executou e quem dela beneficiou, extraindo do sucedido todas as consequências legais e penais, é imperativo, não só para salvaguardar a imagem de credibilidade e rigor dos exames nacionais, mas sobretudo para defender a dignidade profissional de milhares de professores envolvidos, todos os anos, na elaboração, vigilância e classificação dos exames nacionais.

Confirmada a fraude no exame de Português

iave.JPGSegundo o Expresso, os investigadores da IGEC e do Ministério Público já não têm dúvidas: houve mesmo divulgação antecipada dos conteúdos do exame de Português do 12º ano, que pelo menos dois dias antes da prova já corriam pela internet.

As diligências feitas até ao momento, nomeadamente a análise ao conteúdo da gravação que circulou no WhatsApp dias antes da prova, permitiram afastar qualquer hipótese de ter existido uma mera coincidência entre o que a aluna afirmou que ia sair e as questões que efetivamente constavam no enunciado do exame.

Para já, a investigação em curso apurou que a informação circulou sobretudo entre estudantes de algumas escolas de Lisboa, entre as quais o Colégio dos Salesianos, frequentado pela aluna que fez a gravação. O que não significa que a fuga de informação tenha tido origem num professor ou funcionário daquela instituição. Nem que a mensagem não tenha chegado a outros pontos do país.

Registe-se, antes de mais, um ponto positivo: parece que, pela primeira vez, o ministério se prepara para assumir, empurrado pela força das circunstâncias, que o sistema de exames montado a partir do IAVE e assente em rigorosos secretismos e formalismos, não é à prova de fraudes. E que estas podem partir precisamente das pessoas que deveriam merecer a maior confiança, pois são seleccionadas pelo próprio IAVE, entre milhares de professores, para elaborarem e verificarem as provas de exame.

Reconheça-se, também, a impossibilidade prática de penalizar os alunos que tenham tido conhecimento prévio da mensagem: a partir do momento em que a informação circula nas redes sociais, é praticamente impossível comprovar quem teve ou não acesso a ela e, no primeiro caso, distinguir entre os que a tomaram como informação fidedigna e os restantes, provavelmente a maioria, que não deram especial importância ao que tomaram como mais um dos muitos boatos que costumam correr nas vésperas dos exames.

Centremo-nos então no fundamental da questão, aquele de onde se anda a fugir como o rabo da seringa: do universo muito restrito de pessoas com acesso à prova e cuja identidade nós, simples mortais, desconhecemos, mas que o todo-poderoso IAVE pode perfeitamente identificar, quem divulgou o que não devia? Quem é que colabora com o IAVE na feitura dos exames de Português e dá explicações da disciplina a alunos que vão fazer exame? Já agora, isto é permitido pelos contratos que estas pessoas assinam? E serão elas assim tão imprescindíveis à Educação portuguesa que o Estado deva continuar, não só a esconder a sua identidade, mas também a ser cúmplice com a prática de crimes, encobrindo e desculpando a evidente desonestidade?

Recorde-se que se um professor comum, desprotegido pelo IAVE, fizesse algo semelhante, apanharia por certo um processo disciplinar com vista ao despedimento. E o Expresso, que tem apesar de tudo o mérito de continuar a falar de um assunto que os restantes jornais parecem querer deixar cair, só nos diz, no entanto, meia verdade: é difícil provar quem beneficiou, mas não é impossível, nem será especialmente difícil, descobrir o autor da fuga de informação. Que é a única coisa relevante que, neste momento, falta saber.

Colaborações: ComRegras

No Topo: Novas regras no 1º ciclo

Já vinha sendo anunciado há algum tempo, mas só esta semana saiu a clarificação, preto no branco: os intervalos entre as aulas, no 1º ciclo, contam como componente lectiva no horário dos professores. Foi finalmente corrigido um abuso que, não só discriminava os professores deste nível de ensino relativamente aos restantes colegas, como contrariava o disposto no Código do Trabalho…

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No Fundo: Fuga de informação no exame de Português

A notícia é da semana passada: uma aluna terá posto a circular, numa rede social, informação fidedigna sobre o conteúdo da prova de exames de Português do 12º ano que se realizou a 19 de Junho. Mas o assunto, a ser investigado pela IGEC e pela Procuradoria-Geral da República, teve esta semana novos desenvolvimentos. Primeiro soube-se que a autora da gravação seria aluna do Colégio dos Salesianos. Depois foi a garantia, dada pelo próprio ministro, de que o exame não seria anulado aos mais de 70 mil alunos que o realizaram. O que parece certo: não deve pagar o justo pelo pecador…