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A escola no cinema: O Sorriso de Mona Lisa

O Sorriso de Mona Lisa

Título original: Mona Lisa Smile, 117m, EUA, 2003.

sorriso-mona-lisa.jpgEste filme transporta-nos ao ambiente conservador de um colégio para raparigas de alta sociedade dos EUA, onde a chegada de uma nova professora de História de Arte, jovem e idealista, causa alguma perturbação.

Disposta a desafiar o conservadorismo do colégio para meninas de boas famílias, a professora, aqui interpretada por Julia Roberts, inicia as suas alunas na arte moderna, ausente dos programas da instituição. Tentando levar as raparigas, que na sua maioria parecem desejar apenas tornarem-se boas esposas e mães de família, a terem ambições próprias e a lutar por elas, a professora entra em conflito com a cultura dominante na escola e no meio social das suas alunas.

Não sendo propriamente uma obra-prima nem fugindo por completo aos clichés e ao convencionalismo romântico deste tipo de filmes, O Sorriso de Mona Lisa conta-nos uma boa história e explora de forma interessante a relação entre um modelo de escola e o meio social e cultural que lhe está subjacente.

Educar ou excluir?

harvard_shield_wreath.pngO que fazer quando uma centena de estudantes cria um grupo privado numa rede social para partilharem coisas que não querem divulgar publicamente e, entre eles, há uns dez que começam a publicar mensagens fazendo a apologia da pedofilia, do racismo ou do Holocausto?

Colocada a questão a qualquer um dos nossos pedagogos, decerto nos elucidaria sobre a necessidade de se fazer algum trabalho na escola para, começando por tentar perceber as reais intenções e convicções dos jovens, debater e desconstruir com eles o discurso de ódio e intolerância. Falar-nos-ia da necessidade de educar para a Cidadania, os Valores, os Direitos Humanos, a Sexualidade responsável, entre outras coisas que fazem parte do perfil do aluno e que, a par da leccionação das matérias académicas, compete também à escola ajudar a construir.

Pois bem, o problema que enunciei é real, mas não se colocou entre nós: surgiu na famosíssima Universidade de Harvard, com um grupo de caloiros. As mensagens trocadas pelos estudantes foram descobertas pelos responsáveis universitários, e a solução foi expedita e radical:

Após a universidade ter tido conhecimento das partilhas, dez membros do grupo – denominado “Memes de Harvard para adolescentes burgueses excitados” – receberam cartas da instituição, declarando que a sua admissão tinha sido anulada.

[…] de acordo com os estatutos da universidade, a Comissão de Admissão de Harvard “tem o direito de revogar a admissão de alunos” se o seu comportamento colocar em causa a “honestidade, maturidade ou o carácter moral” do estudante.

E assim se resolvem os problemas de ética e cidadania numa universidade cotada entre as melhores do mundo, que admitiu cerca de 2000 alunos escolhidos entre perto de 40 mil candidatos e onde as propinas ascendem ao valor astronómico de 2,5 milhões de dólares.

Excluir e rejeitar os que não partilham os nossos valores: eis o caminho fácil pelo qual a escola pública não pode nem quer enveredar.

Regresso ao passado

Segundo o New Yorker.

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A escola no cinema: Páginas de Liberdade

Páginas de Liberdade

Título original: Freedom Writers, 123m, EUA, 2007.

freedom-writers.jpgO filme conta a história de Erin, uma jovem professora colocada numa escola secundária de um bairro problemático e da relação tensa  e difícil que tenta estabelecer com os seus alunos, grande parte deles jovens marcados pela pobreza, violência, marginalidade, discriminação.

Determinada a não desistir, e depois de alguns desaires iniciais, Erin consegue aos poucos ir ganhando a confiança dos jovens até ao ponto de os convencer a partilhar, através da escrita, os seus sentimentos e os problemas do quotidiano.

Bem realizado e interpretado, Páginas da Liberdade é um filme que tenta demonstrar como a dedicação de uma professora consegue levar os seus alunos a superar os seus medos, angústias e frustrações, tornando-se melhores pessoas e dando um novo rumo às suas vidas.