Como disse que disse?

paulo-rangel-anao-rezingao[1]Aquele ar presunçoso, engomadinho e bem falante engana um bocado, ao ponto de já lhe terem augurado um auspicioso futuro à frente do PSD.

Mas já outras vezes me quis parecer que o homem não tem os cinco alqueires bem medidos.

Se existe o direito ao suicídio, também existe o direito ao homicídio.

 

Luta pelo poder nas delegações da DGEstE

Dança-das-CadeirasContinua a saga dos concursos para selecionar os delegados regionais da Educação do Centro, Algarve e Alentejo. O subdiretor da Direção Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGEstE), entidade que gere as delegações regionais, bateu com a porta esta segunda-feira, tendo ficado no cargo apenas três meses. Segundo o i apurou, a escolha dos novos delegados regionais terá sido a razão da saída de Teodoro Roque.

Fontes ligadas ao processo contaram ao i que o subdiretor da DGEstE, também presidente do júri do concurso, entrou em conflito com a secretária de Estado Adjunta e da Educação, Alexandra Leitão, quem tem a tutela direta dos delegados regionais, na escolha dos novos dirigentes.

Diferentes fatores contribuíram para o desentendimento. Por um lado, entre os candidatos encontram-se algumas pessoas com ligações ao PS e, por outro, alguns dos critérios do concurso poderão beneficiar os três delegados que se mantêm em funções mesmo depois de o concurso ter sido anulado, há um ano e sete meses.    

O jornal i tenta lançar alguma luz sobre os imbróglios em volta dos concursos para a escolha dos delegados regionais da DGESTE, onde há mais de um ano os boys e as girls do PS e do PSD se degladiam sem que a “guerra” tenha fim à vista.

As antigas direcções regionais foram esvaziadas de boa parte das suas competências, há uns anos atrás, e transformadas em delegações de uma nova direcção-geral. Com a anunciada descentralização para as autarquias locais, é de prever que ainda menos sentido façam estas representações do ME nas sedes das regiões administrativas. Mas nota-se que estar à frente de uma destas delegações continua a ser um cargo apetecível, tantos são os candidatos e tamanho o afã com que os que estão se agarram ao poder.

O que não se percebe é o esquema dúbio que se inventou para o provimento destes lugares: se o objectivo é ter pessoas de confiança política, então deveriam continuar a fazer como no tempo das DREs, em que cada governo que chegava nomeava quem entendia.

Se, pelo contrário, se pretende um perfil técnico, então deveriam promover, dentro dos próprios serviços, o funcionário mais competente para a função, sem andar a abrir concursos a qualquer pára-quedista vindo de fora mas dotado das ligações certas ao partido no poder.

A suspeita que fica é que pretendem as duas coisas: nomear os amigos, ou as pessoas influentes que interessa promover, convencendo-nos de que estão a escolher, por um processo justo e transparente, os mais capazes e competentes. Que – apenas por mero acaso! – têm cartão do partido.

Músicas de intervenção: Captain SKA – Liar Liar GE2017

Quem é o mentiroso?

lobo-xavier.JPGLobo Xavier confirmou que foi ele quem informou Marcelo Rebelo de Sousa do conteúdo dos SMS trocados entre o ex-presidente da Caixa e o ministro das Finanças. […]
Quando questionado sobre se leu as mensagens em causa, Lobo Xavier respondeu apenas que não poderia dar uma informação ao Presidente da República “sem dominar absolutamente” essa mesma informação.

domingues.JPGO ex-presidente da Caixa Geral de Depósitos António Domingues afirmou nesta sexta-feira que não partilhou as suas mensagens escritas de telemóvel com ninguém, dizendo não serem verdadeiras algumas considerações que foram feitas na praça pública sobre este tema.
“Eu não partilhei SMS com ninguém, quem conhece os meus SMS são os meus interlocutores e eu”, assegurou, dizendo que afirmações que surgiram na praça pública sobre o conteúdo destas mensagens “não é verdade”.

Constrangedor

ronaldo-inaug.JPGNem Cristiano Ronaldo nem a ilha da Madeira tinham necessidade disto.

O pindérico busto encomendado para a cerimónia é de um horroroso mau-gosto.

Presidente e Primeiro-Ministro a perder o seu tempo num evento que seria embaraçoso se não estivessem já mais do que calejados nestas coisas.

O povo madeirense, que acorreu “às centenas” à inauguração, não parece ter-se entusiasmado com a homenagem.

Talvez o Governo Regional espere ganhar alguma coisa com isto. Ainda estamos é para saber o quê.

 

O holandês provocador

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À piada de fino gosto de Jeroen Dijsselbloem, sobre os povos do sul da Europa que gastam o dinheiro em “copos e mulheres”, já muitos responderam à letra:

António Costa: Numa Europa a sério, o senhor Dijsselbloem já estava demitido neste momento. Não é possível que quem tem uma visão xenófoba, racista e sexista possa exercer funções de presidência de um organismo como o Eurogrupo.

Matteo Renzi: Jeroen Dijsselbloem perdeu uma excelente oportunidade para ficar calado. Numa entrevista a um jornal alemão, permitiu-se a reflexões estúpidas, não consigo encontrar melhor termo, contra países do sul, começando por Itália e Espanha

Rui Tavares: Nós devemos ficar agradecidos a Dijsselbloem. É que antes de ele ter dito a sua magnífica frase sobre “copos e mulheres” ainda havia quem procurasse mudar as regras para que ele pudesse continuar como presidente do Eurogrupo depois de deixar de ser ministro do seu país. Essas esperanças de Schäuble e de outros devem ter sido definitivamente enterradas.

Pedro Ivo Carvalho: Caro Jeroen, faça como fazem os cidadãos que não aguentam a bebida quando estão a mais numa sala cheia de adultos. Saia. Prometemos brindar à sua saúde.

Ferreira Fernandes: …para responder a Jeroen Dijsselbloem, um curso rápido de arte portuguesa chegava: um caralho das Caldas para ti, pequeno holandês.

Pela minha parte, espero apenas que a polémica não faça esquecer o essencial: que o partido deste social-democrata levou o maior trambolhão entre todas as forças partidárias que concorreram nas últimas eleições holandesas e já não fará parte do novo governo. O holandês provocador vai fazendo assim as despedidas, tanto do cargo de ministro das Finanças dos Países Baixos, como da presidência do Eurogrupo.

Provavelmente vê-lo-emos, em breve, nalgum cargo importante do internacionalismo monetário e financeiro, como tem sucedido com os ministros que servem zelosamente a receita austeritária neoliberal aos seus povos.

E se já não tiver oportunidade de vir descobrir os prazeres da vida na Europa meridional, ao menos que aproveite para acabar o mestrado.

A nomeação de Luísa Ucha foi ilegal?

ucha.JPGJá por aqui se tinha falado da possível incompatibilidade entre o cargo de Adjunta do SE da Educação exercido por Luísa Ucha e a qualidade de membro da direcção da Associação de Professores de Geografia. Que é eticamente reprovável, não me parece haver dúvidas. Que a nomeação foi ilegal, garante-o agora o jornal i, depois de ter consultado a lei e ouvido os juristas.

Segundo o decreto-lei 11/2012, que estipula as regras e as incompatibilidades dos gabinetes dos membros do governo, onde estão incluídos chefes de gabinete, adjuntos, técnicos especialitas e secretários pessoais, “os membros dos gabinetes exercem as suas funções em regime de exclusividade, com renúncia ao exercício de outras actividades ou funções de natureza profissional, públicas ou privadas, exercidas com carácter regular ou não, e independentemente de serem ou não remuneradas”.

As únicas atividades permitidas por lei a Luísa Ucha, que teriam de ser devidamente autorizadas pelo secretário de Estado e publicadas no seu despacho de nomeação, são: “Atividades em instituições de ensino superior, designadamente as atividades de docência e de investigação” e “atividades compreendidas na respetiva especialidade profissional prestadas, sem carácter de permanência” mas apenas “a entes não pertencentes ao setor de atividade pelo qual é responsável o membro do governo respetivo”, lê-se no número 3 do mesmo artigo 7º.

O que não é o caso, já que a Associação de Professores de Geografia está ligada ao setor de atividade tutelado por João Costa. E nenhum dos vários advogados ouvidos pelo i tem dúvidas quanto à situação “ilegal” da adjunta de João Costa. “Não tendo renunciado à direção da APG não podia ser adjunta do secretário de Estado”, dizem em uníssono os especialistas.

Note-se que nada me move contra Luísa Ucha que, acredito, será por certo uma competente professora e dirigente associativa, assim como uma adjunta empenhada e da inteira confiança pessoal e política do secretário de Estado que a nomeou para o seu gabinete. O que tem é de ter a noção do que são conflitos de interesses e perceber a impossibilidade de estar nos dois lados ao mesmo tempo e a necessidade de, podendo fazer bem as duas coisas, se dedicar a uma de cada vez.