A escola no cinema: O Sorriso de Mona Lisa

O Sorriso de Mona Lisa

Título original: Mona Lisa Smile, 117m, EUA, 2003.

sorriso-mona-lisa.jpgEste filme transporta-nos ao ambiente conservador de um colégio para raparigas de alta sociedade dos EUA, onde a chegada de uma nova professora de História de Arte, jovem e idealista, causa alguma perturbação.

Disposta a desafiar o conservadorismo do colégio para meninas de boas famílias, a professora, aqui interpretada por Julia Roberts, inicia as suas alunas na arte moderna, ausente dos programas da instituição. Tentando levar as raparigas, que na sua maioria parecem desejar apenas tornarem-se boas esposas e mães de família, a terem ambições próprias e a lutar por elas, a professora entra em conflito com a cultura dominante na escola e no meio social das suas alunas.

Não sendo propriamente uma obra-prima nem fugindo por completo aos clichés e ao convencionalismo romântico deste tipo de filmes, O Sorriso de Mona Lisa conta-nos uma boa história e explora de forma interessante a relação entre um modelo de escola e o meio social e cultural que lhe está subjacente.

A escola no cinema: Adeus, Rapazes

Adeus, Rapazes

Título original: Au Revoir Les Enfants, 104m, França, 1987.

adeus-rapazes.jpgA acção deste filme de Louis Malle decorre em plena II Guerra Mundial, na França então ocupada pelas forças nazis. Num colégio interno para rapazes a vida corre com a normalidade possível, que os padres que o dirigem tentam manter apesar dos constrangimentos e dificuldades inerentes à ocupação nazi e à guerra.

Retratando o quotidiano escolar e as relações de camaradagem entre os estudantes internos, a história foca-se num dos rapazes, Julien, e no tímido e introvertido Jean, um novo aluno que aos poucos acabará por se tornar o seu melhor amigo. Contudo, a vinda de Jean para o colégio está envolta em mistério e secretismo, pois o rapaz é judeu e a descoberta desse facto implicaria a prisão e a deportação pelas autoridades nazis.

O filme de Malle, com o seu quê de autobiográfico, explora com mestria o ambiente dos internatos na França rural do século XX e a relação ambígua dos Franceses com os ocupantes nazis, quando o colaboracionismo e a cobardia coexistiam com actos da maior coragem e altruísmo da parte dos que se opunham à barbárie nazi e tentavam proteger as suas vítimas.

A escola no cinema: Como Estrelas na Terra

Como Estrelas na Terra

Título original: Taare Zameen Par, 163m, Índia, 2007.

taare-zameen-par.jpgEste filme indiano leva-nos a acompanhar os problemas escolares de uma criança de oito anos que não aprende como os outros meninos. À primeira vista, um miúdo distraído, preguiçoso, desorganizado, por vezes desafiador e indisciplinado.

E quando tudo se encaminha para uma segunda reprovação, os pais preocupados acabam por enviar o pequeno Ishaan para um colégio interno com fama de conseguir domesticar até os “cavalos” mais selvagens. Mas isso não só não anula as reais dificuldades de aprendizagem como deprime ainda mais a criança, afastada do convívio familiar com os pais e o irmão.

O argumento desenvolve-se num tom morno até que nos começamos a aperceber do real problema desta criança: uma dislexia que só um jovem professor de artes colocado no colégio conseguiu identificar. O que fazer, a partir daqui, para ajudar Ishaan a superar a incapacidade de ler e aprender, recuperando ao mesmo tempo a autoconfiança e a alegria de viver?

No Youtube encontram-se numerosos vídeos com excertos do filme e também uma versão integral, legendada em Português.

A escola no cinema: Páginas de Liberdade

Páginas de Liberdade

Título original: Freedom Writers, 123m, EUA, 2007.

freedom-writers.jpgO filme conta a história de Erin, uma jovem professora colocada numa escola secundária de um bairro problemático e da relação tensa  e difícil que tenta estabelecer com os seus alunos, grande parte deles jovens marcados pela pobreza, violência, marginalidade, discriminação.

Determinada a não desistir, e depois de alguns desaires iniciais, Erin consegue aos poucos ir ganhando a confiança dos jovens até ao ponto de os convencer a partilhar, através da escrita, os seus sentimentos e os problemas do quotidiano.

Bem realizado e interpretado, Páginas da Liberdade é um filme que tenta demonstrar como a dedicação de uma professora consegue levar os seus alunos a superar os seus medos, angústias e frustrações, tornando-se melhores pessoas e dando um novo rumo às suas vidas.

A escola no cinema: Os Coristas

Os Coristas

Título original: Les Choristes, 97m, França, 2004.

coristas.jpgO filme retrata o ambiente repressivo de um orfanato e casa de correcção para rapazes, na França rural do final dos anos 40.

Clément Mathieu, um professor de música que vem trabalhar para a instituição, logo se depara com o sistema repressivo imposto pelo director, o autoritário Rachin. Conseguirá o novo professor, através da música, seduzir as crianças e jovens turbulentos e indisciplinados, dando um novo rumo às suas vidas?

Este filme francês, um dos mais populares de todos os tempos, dá-nos uma visão inspiradora e comovente de um quotidiano escolar opressivo e perturbador, pois consegue mostrar-nos como, mesmo em circunstâncias adversas, a escola e os professores podem mudar, para melhor, o provável e infeliz destino de muitas crianças.

Filme completo, em francês e sem legendas, aqui.

 

A escola no cinema: O Inimigo da Turma

O Inimigo da Turma

Título original: Razredni Sovražnik, 108m, Eslovénia, 2013.

inimigo-da-classe.jpgNusa, professora de Alemão numa escola secundária eslovena, entra em licença de maternidade e precisa de ser temporariamente substituída. Mas enquanto Nusa mantém uma relação de grande afectividade e proximidade com os seus alunos, o novo professor, Robert, utiliza métodos muito distintos dos seus. Um acontecimento trágico ocorrido com uma das alunas irá potenciar o conflito com o professor substituto.

Muito bem dirigido e interpretado, o filme explora os eternos dilemas suscitados pela relação professor/alunos, onde o ponto de equilíbrio entre afecto e autoridade é por vezes difícil de encontrar. Deve o professor ser frio, autoritário e exigente com os seus alunos, ou amável e complacente, procurando acima de tudo entender os seus problemas e desculpar as suas falhas?

O olhar sóbrio e equidistante do filme, num registo quase documental que evita tomar partido, ajuda-nos a perceber diferentes perspectivas em confronto no desenvolvimento da relação pedagógica e a reflectir sobre as realidades e os desafios da profissão docente no mundo em que vivemos.

A Escola no Cinema: Clube dos Poetas Mortos

Clube dos Poetas Mortos

Título original: Dead Poets Society, 128m, EUA, 1989.

clube-poetas-mortos.JPGEis um clássico que dispensa grandes apresentações. Provavelmente já quase todos os leitores terão visto este filme, que ainda assim não poderia ficar ausente desta série de posts dedicada às visões cinematográficas sobre a escola.

A história desenrola-se a partir da chegada de um invulgar professor de Literatura a um colégio de elite norte-americano. A abordagem sedutora e anti-convencional do novo professor, a sua personalidade marcante e o contacto próximo com os alunos abrem a mente dos estudantes para a literatura a para a vida.

Numa história absorvente e bem contada há aqui e ali algum apelo ao sentimentalismo e diversas questões que o filme levanta nem sempre são completamente exploradas. Ainda assim, Dead Poets Society revelou-se um verdadeiro filme de culto logo após o seu lançamento e uma referência na abordagem cinematográfica da relação professor/alunos e do convencionalismo dos colégios internos elitistas e conservadores.