A escola no cinema: Uma Turma Difícil

Uma Turma Difícil

Título original: Les Héritiers, 105m, França, 2014.

turma-dificil.jpgUm filme recente – não confundir com A Turma, do qual também já se escreveu por aqui – sobre uma temática que tem sido diversas vezes abordada pela cinematografia francesa: as turmas complicadas das escolas secundárias, recheadas de alunos desmotivados, indisciplinados e onde cada aula se torna um duro desafio mesmo para os professores mais persistentes e determinados.

Ora é justamente com uma destas turmas difíceis de um liceu de Créteil que a professora de História decide tentar algo de diferente das estratégias habituais, propondo aos alunos um daqueles desafios que geralmente se reservam às turmas mais promissoras: a participação num concurso nacional evocativo das memórias da resistência, da deportação e do Holocausto.

Ao longo do filme vemos como a participação no projecto, de início quase impossível, acaba por envolver os alunos, como constrói laços de amizade, solidariedade e cooperação entre os jovens e como acaba por constituir, não apenas uma bem sucedida tarefa escolar, mas também uma experiência transformadora das suas vidas.

 

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A escola no cinema: O Ódio Que Gerou o Amor

O Ódio Que Gerou o Amor

Título original: To Sir, With Love, 105m, Reino Unido, 1967.

to-sir-with-love.jpgUm filme britânico dos anos 60 cujo argumento se constrói em torno da chegada de um novo professor a uma escola suburbana de Londres, recheada de alunos problemáticos e desmotivados. O recém-chegado, engenheiro de formação, abraça o desafio de ensinar uma turma de alunos difíceis.

O filme pode parecer hoje um pouco datado, mas essa característica torna-se interessante porque nos permite comparar a escola secundária de há 50 anos com a dos nossos dias. Se a irreverência juvenil é intemporal, já as expectativas e preocupações dos jovens daquele tempo são bastante distintas: os rapazes e raparigas retratados no filme querem tornar-se adultos rapidamente: ter uma profissão, casar e constituir família, o que contrasta com a prolongada adolescência que hoje se vai estendendo até perto dos 30 anos.

Sidney Poitier interpreta bem o papel de um improvável professor que rapidamente se vê envolvido pelas dificuldades e desafios da nova profissão e dividido perante o dilema de regressar à actividade em que se formou ou retomar o trabalho, no ano seguinte, com um novo grupo de alunos…

 

A escola no cinema: A Família Bélier

A Família Bélier

Título original: La famille Bélier, 106m, França, 2014.

familia-belier.jpgEsta é a história de uma família invulgar: um casal de agricultores e dois filhos adolescentes. São todos surdos, com excepção de Paula, a filha mais velha do casal, que funciona como elemento de ligação da família com o mundo exterior.

A vida corre feliz e sem problemas até à entrada em cena de um novo protagonista, Thomasson, o professor de Música que descobre em Paula um invulgar talento para o canto. Que, contudo, a sua família é incapaz de apreciar.

O filme explora a intensa e nem sempre fácil relação pedagógica entre Paula e o seu professor e leva-nos, pelo meio de uma catadupa de vivências e emoções típicas da adolescência, a acompanhar o dilema de uma jovem dividida entre continuar a dar à sua família o apoio essencial ao dia-a-dia ou seguir a sua vocação.

 

A escola no cinema: A Turma

A Turma

Título original: Entre Les Murs, 128m, França, 2008.

a-turma.JPGUma escola secundária francesa, nos subúrbios de Paris. Alunos problemáticos, um ambiente multicultural, um quotidiano difícil e opressivo que se pressente para lá dos muros da escola: eis o cenário do filme de Laurent Cantet que tenta dar-nos, através da escola, um retrato da França contemporânea.

Perante a turma complicada e desafiante, François Bégaudeau, o professor (na vida real), escritor e argumentista que é também o protagonista do filme, tenta gerir conflitos, promover uma ética de compreensão e respeito mútuos e criar dinâmicas positivas dentro da sala de aula, contrariando a atitude mais pessimista e conformista dos colegas mais velhos. Mas os adolescentes contestatários da turma não lhe irão facilitar a vida…

O filme, aclamado pela crítica e várias vezes premiado, foi filmado num liceu real, com alunos verdadeiros que se tornaram actores e actrizes durante a rodagem do filme. Reproduz assim, de uma forma muito realista, a atmosfera escolar que todos os que ensinam e aprendem nas escolas conhecem bem.

A escola no cinema: O Sorriso de Mona Lisa

O Sorriso de Mona Lisa

Título original: Mona Lisa Smile, 117m, EUA, 2003.

sorriso-mona-lisa.jpgEste filme transporta-nos ao ambiente conservador de um colégio para raparigas de alta sociedade dos EUA, onde a chegada de uma nova professora de História de Arte, jovem e idealista, causa alguma perturbação.

Disposta a desafiar o conservadorismo do colégio para meninas de boas famílias, a professora, aqui interpretada por Julia Roberts, inicia as suas alunas na arte moderna, ausente dos programas da instituição. Tentando levar as raparigas, que na sua maioria parecem desejar apenas tornarem-se boas esposas e mães de família, a terem ambições próprias e a lutar por elas, a professora entra em conflito com a cultura dominante na escola e no meio social das suas alunas.

Não sendo propriamente uma obra-prima nem fugindo por completo aos clichés e ao convencionalismo romântico deste tipo de filmes, O Sorriso de Mona Lisa conta-nos uma boa história e explora de forma interessante a relação entre um modelo de escola e o meio social e cultural que lhe está subjacente.

A escola no cinema: Adeus, Rapazes

Adeus, Rapazes

Título original: Au Revoir Les Enfants, 104m, França, 1987.

adeus-rapazes.jpgA acção deste filme de Louis Malle decorre em plena II Guerra Mundial, na França então ocupada pelas forças nazis. Num colégio interno para rapazes a vida corre com a normalidade possível, que os padres que o dirigem tentam manter apesar dos constrangimentos e dificuldades inerentes à ocupação nazi e à guerra.

Retratando o quotidiano escolar e as relações de camaradagem entre os estudantes internos, a história foca-se num dos rapazes, Julien, e no tímido e introvertido Jean, um novo aluno que aos poucos acabará por se tornar o seu melhor amigo. Contudo, a vinda de Jean para o colégio está envolta em mistério e secretismo, pois o rapaz é judeu e a descoberta desse facto implicaria a prisão e a deportação pelas autoridades nazis.

O filme de Malle, com o seu quê de autobiográfico, explora com mestria o ambiente dos internatos na França rural do século XX e a relação ambígua dos Franceses com os ocupantes nazis, quando o colaboracionismo e a cobardia coexistiam com actos da maior coragem e altruísmo da parte dos que se opunham à barbárie nazi e tentavam proteger as suas vítimas.

A escola no cinema: Como Estrelas na Terra

Como Estrelas na Terra

Título original: Taare Zameen Par, 163m, Índia, 2007.

taare-zameen-par.jpgEste filme indiano leva-nos a acompanhar os problemas escolares de uma criança de oito anos que não aprende como os outros meninos. À primeira vista, um miúdo distraído, preguiçoso, desorganizado, por vezes desafiador e indisciplinado.

E quando tudo se encaminha para uma segunda reprovação, os pais preocupados acabam por enviar o pequeno Ishaan para um colégio interno com fama de conseguir domesticar até os “cavalos” mais selvagens. Mas isso não só não anula as reais dificuldades de aprendizagem como deprime ainda mais a criança, afastada do convívio familiar com os pais e o irmão.

O argumento desenvolve-se num tom morno até que nos começamos a aperceber do real problema desta criança: uma dislexia que só um jovem professor de artes colocado no colégio conseguiu identificar. O que fazer, a partir daqui, para ajudar Ishaan a superar a incapacidade de ler e aprender, recuperando ao mesmo tempo a autoconfiança e a alegria de viver?

No Youtube encontram-se numerosos vídeos com excertos do filme e também uma versão integral, legendada em Português.