Colaborações: ComRegras

No Topo: O calendário do pré-escolar

Terá passado quase despercebido nos restantes níveis de ensino, mas para quem trabalha na educação pré-escolar o calendário do ano lectivo 2071/18 concretiza uma velha aspiração do sector: a harmonização dos períodos lectivos com o 1º ciclo. Esta mudança implica o reconhecimento da importância do trabalho pedagógico no pré-escolar…

No Fundo: (de novo) A greve do dia 21

A greve, que ninguém queria verdadeiramente, foi marcada para tentar forçar o governo a um maior comprometimento com as reivindicações dos professores, em negociações que se eternizam sem resultados à vista. Contudo, estando marcados exames nacionais para esse dia, e sendo a sua realização considerada um serviço mínimo a assegurar em caso de greve, bastou ao ME invocar a norma aprovada pelo anterior governo para a esvaziar…

 

Ainda o calendário escolar

universitario.pngFilinto Lima lamentou […] que o calendário do próximo ano lectivo continue “refém da Páscoa”, o que leva a que exista um primeiro período “gigantesco” e um terceiro período “diminuto”, situação que vem mais uma vez pôr em cima da mesa a necessidade de se “avançar para uma organização semestral” das aulas, conforme tem sido defendido pelos directores.

Quando as pessoas engatilham uma determinada cassete, torna-se complicado.

No próximo ano lectivo, e segundo o calendário escolar já publicado, o 3º período “diminuto” terá 8 semanas e meia no 9º, 11º e 12º, 10 semanas nos restantes anos do 2º e 3º ciclos e secundário e 11 semanas no 1º ciclo e no pré-escolar.

Claro que o 1º período continua a ser enorme, mas isso nada tem a ver com a Páscoa. É o resultado de se insistir em não introduzir, a meio, uma pausa lectiva, como existe no 2º período e como se faz na generalidade dos países europeus.

Mas pela insistência já se percebeu que, pelo menos na semestralização do ano lectivo, os senhores directores querem mesmo ser colocados em pé de igualdade com os senhores reitores do ensino superior.

Calendário escolar 2017/18

Foi ontem publicado no Diário da República – Despacho n.º 5458-A/2017 – juntamente com o calendário de exames e provas finais. Segue o modelo esgotado e todos os anos criticado, mas que sucessivos governos se mostram incapazes de alterar ou renovar: um longo 1º período de 14 semanas sem interrupções, os outros condicionados, na sua extensão relativa, pela mobilidade da Páscoa. Este ano calhou que nem ficassem muito desequilibrados…

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A escola do século XXI continua, afinal de contas, a reger-se pelas luas, tal como o calendário religioso vindo dos primórdios do Cristianismo.

Como nada disto é decidido por professores retrógrados e conservadores, mas sim por secretários de Estado esclarecidos e muito à frente, tá-se bem!…

Colaborações: ComRegras

No Topo: O fim do ano lectivo

Foi um ano longo e desgastante, com dois períodos lectivos enormes e um terceiro que, reduzido a menos de dois meses, obrigou em muitos casos a um stress adicional para que se conseguissem concluir todas as actividades planeadas. Os dias encalorados de Maio e Junho reduziram o rendimento das últimas aulas do ano, e fizeram ansiar ainda mais pela chegada das férias escolares. Mas o fim das aulas não significa férias para os professores…

No Fundo: A greve do dia 21

Foi precipitada a marcação desta greve que ninguém deseja, embora o impasse negocial com o ME acabasse por justificar a iniciativa da FNE e da Fenprof, as duas federações sindicais de professores. Contudo, para que esta greve tenha sucesso há dois problemas que, nesta altura do campeonato, serão difíceis, senão impossíveis, de ultrapassar…

 

Fim do ano lectivo

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Termina hoje, no que a aulas diz respeito, para a maioria dos docentes. Mas os colegas do 1º ciclo e do pré-escolar ainda continuarão com os seus alunos por mais uns dias.

A todos, esperam-nos ainda as reuniões de avaliação e todas as burocracias do fim do ano escolar. Para alguns, somam-se as vigilâncias e as classificações de provas e exames.

Parabéns a todos os sobreviventes.

Calendário escolar para 2017/18

calendario.JPGAinda falta ouvir as autarquias e ajustar pormenores relacionados sobretudo com as provas de aferição. Mas o jornal i mostra-se ultimamente bem informado sobre o que se passa nos bastidores do ME, pelo que provavelmente a versão final do diploma a publicar não irá diferir muito do que ontem foi noticiado.

As aulas do próximo ano letivo vão começar entre 8 e 13 de setembro.

De acordo com a proposta de calendário escolar do governo – a que o i teve acesso – que aguardar parecer do Conselho de Escolas e da Associação Nacional de Municípios, o pré-escolar vai ser ajustado ao ano letivo do 1º ciclo. As atividades letivas destes dois anos escolares terminam no mesmo dia, a 22 de junho de 2018.

Desta forma, no próximo ano, os alunos do pré-escolar (dos três aos cinco anos de idade) vão entrar de férias uma semana mais cedo face a este ano.

As restantes datas do calendário escolar são semelhantes às deste ano. O 1.º período do ano letivo termina a 15 de dezembro e o 2.º período arranca a 3 de janeiro e termina a 23 de março de 2018, com o domingo de Páscoa marcado para dia 1 de abril.

No próximo ano, os alunos do 2.º ano vão realizar provas de aferição às disciplinas de Estudo do Meio e Português ou a Matemática, havendo duas datas previstas: para 15 de junho ou para 18 de junho. Já as provas de aferição para os alunos 5.º ano serão de Português, a 8 de junho, e de Educação Visual ou Educação Visual e Tecnológica, com data proposta entre 21 e 30 de maio.

Os alunos do 8.º ano vão ter provas marcadas a Matemática, no dia 12 de junho, e a Educação Física ou Educação Visual, cuja data será entre 21 de maio e 5 de junho.

Já os alunos do 9.º ano vão realizar (na 1.º fase) a prova final a Português (com peso na nota final dos alunos) no dia 22 de junho e a matemática no dia 27 do mesmo mês. A 2.ª fase das provas destes alunos vão decorrer a 20 de julho e a 23 de julho. 

Para os alunos do secundário, a 1.ª fase dos exames nacionais (obrigatória) estão marcados entre 18 de junho e 27 de junho, seguindo-se a 2ª fase das provas entre 18 de julho e dia 23 do mesmo mês. Mas nesta fase apenas podem resolver os exames os alunos que foram impedidos de resolver as provas por motivos de doença, devidamente justificada.

Férias e calendário escolar

Debater-Escola-Pública.pngAs férias escolares são o tema que, ao longo deste mês, irá percorrer os blogues da área da educação, numa iniciativa que dá sequência ao manifesto colectivo em defesa da Escola Pública e que pretende, agora, cruzar pontos de vista sobre outros assuntos. Acrescento assim o meu contributo aos de Paulo Guinote, José Morgado, Paulo Prudêncio e Assistente Técnico, entre outros bloggers que ainda irão escrever sobre o assunto.

Esta primeira abordagem aqui na Escola Portuguesa não pretende esgotar o tema, pelo que vou deixar por agora a questão da ocupação dos alunos em tempo de férias, nas escolas ou fora delas, para deixar antes algumas considerações sobre o calendário escolar.

Respeitando uma longa tradição comum aos países do sul da Europa, onde os Verões são quentes e prolongados (ou eram, que as alterações climáticas têm tornado o clima mais instável de ano para ano!) e os Invernos não atingem os rigores da Europa mais setentrional, o ano lectivo tende a desenvolver-se nos meses mais frios e amenos, correspondendo o Verão a um longo período de férias grandes. Juntamente com estas, as grandes festas religiosas da tradição católica, Natal e Páscoa, marcam o final dos períodos lectivos.

Comparando o nosso calendário com o dos países mais a norte, não há diferenças muito significativas quanto à duração. O que eles têm, mais do que nós, são pausas lectivas, que pontuam um ano lectivo com férias grandes não tão grandes. Não fazendo sentido, entre nós, importar o conceito nórdico de férias da neve, impõe-se contudo corrigir algum desequilíbrio existente no nosso calendário escolar. Estou a pensar num primeiro período excessivamente longo e desgastante, de 13 ou 14 semanas, que seria bem mais rentável se tivesse uma pausa a meio para recarregar baterias, como já há alguns anos se chegou a fazer, julgo que com bons resultados.

Ao antecipar-se o início das aulas em 2016/17 em cerca de uma semana, sem se olhar para o problema da extensão do 1º período, perdeu-se, a meu ver, uma boa oportunidade de intervir devolvendo, ali junto ao feriado de Todos-os-Santos, os dias ganhos com a antecipação do início das aulas.

Outro problema do nosso calendário escolar, e que obriga a que o despacho respectivo seja revisto todos os anos, é o que decorre de a Páscoa ser uma festa móvel. O segundo e terceiro períodos aumentam ou encolhem de ano para ano, em função das Luas que regulam, desde os tempos pré-cristãos, a incidência da festividade pascal. Mas aqui não há grande volta a dar, porque tanto o Carnaval (que segue as mesmas contas) como a Páscoa são tradições fortes em muitas zonas do país que não faz sentido ignorar.

Quanto ao final do ano lectivo, enfrentamos o paradoxo de sermos um dos países que mais cedo termina as aulas e também dos que mais tarde liberta todos os seus alunos e professores para o gozo das merecidas férias. Tudo por culpa, desde logo, de um calendário de exames demasiado prolongado e de um claro excesso de burocracias associadas ao que pomposamente se costuma chamar encerramento do ano lectivo.

De facto, entre os primeiros dias de Junho, quando terminam as aulas para os alunos que irão fazer exames nacionais, e o início de Agosto, quando saem os resultados das últimas provas, são praticamente dois meses em que não se ensina nem se aprende, nem tão pouco se desenvolvem actividades lúdicas e de aproveitamento dos tempos livres, porque tudo tem de estar sossegado para os muitos exames que se realizam. Os alunos são expulsos das escolas, onde só regressam para ver as notas e fazer os exames. E os professores devem permanecer enclausurados a classificar provas de exame, enquanto outros elaboram infindáveis relatórios, planos, inventários, estatísticas, desmultiplicando-se por imensas burocracias.

Ora um mês bem contado deveria dar para todas estas tarefas finais, e se não dá é porque andamos a exagerar na burocracia e na examocracia. Uma fase única de exames seria mais do que suficiente, com a ressalva de uma segunda chamada apenas para casos comprovados de doença ou outros motivos de força maior. E quanto à papelada, incluindo a digital, a maior parte da que produzimos actualmente deixaria de existir no dia em que se decidisse eliminar tudo o que se faz, não em proveito dos alunos, mas apenas para alimentar a máquina infernal de duas burocracias: a do ministério e a das escolas, que em muitos casos não lhe fica atrás.

Digamos que com as coisas bem feitas as aulas acabariam em meados de Junho e a meio de Julho já todos estariam a entrar de férias.