Reflexões em torno de uma pintura

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O site espanhol da National Geographic publicou um artigo muito interessante sobre o pintor Diego Velázquez e a sua obra-prima mundialmente conhecida, Las Meninas. Não se focando apenas na inspiração, na originalidade e no talento de Velázquez, mas explorando também o contexto em que o quadro de grandes dimensões foi produzido.

Quando pintou esta obra, que podemos considerar de maturidade, Velázquez era já um artista consagrado. Pintor oficial da corte de Filipe IV, o seu talento era reconhecido por todos. O que lhe faltava era o prestígio social que, na sociedade aristocrática espanhola do século XVII, estava reservado aos membros da velha nobreza. Mesmo tendo sido alvo dos favores régios, com a nomeação para diversos cargos e a atribuição de um título nobiliárquico, havia quem achasse o artista da corte indigno de tal posição. Afinal de contas, ele dedicava-se à pintura, exercendo assim um ofício mecânico. Ora a um verdadeiro nobre estava interdito o trabalho manual.

Vexado por estes preconceitos, Velázquez empenhou-se então em afirmar, através do quadro de que estamos a falar, que o seu trabalho era arte na sua forma mais pura, e não um mero ofício de pintar, misturando cores e reproduzindo figuras numa tela. Os diversos recursos estilísticos utilizados, a técnica muito própria do pintor e até a sua presença física, do lado esquerdo da imagem, tudo se conjuga para fazer desta obra-prima um manifesto em defesa da pintura como arte liberal e não como ofício mecânico assente na mera reprodução da realidade. E do estatuto social e intelectual do artista que a criou.

Para além do interesse pessoal pelo tema, há outra razão que me levou a escrever sobre ele num blogue especialmente dedicado à educação. É que, tal como no Antigo Regime sucedia com a pintura, também hoje a profissão docente se encontra numa aparente encruzilhada.

Em tempos de massificação das tecnologias de informação, do ensino à distância, das plataformas de e-learning, da aprendizagem automática, do conhecimento dito “na palma da mão”, qual deverá ser o papel do professor? Um técnico de TIC, um facilitador no uso das tecnologias?  Uma peça na engrenagem de um sistema de ensino padronizado e massificado? Um explicador de recurso quando a máquina se engasga e não consegue dar conta do recado, mas que em regra se dispensa, em nome de pedagogias mais modernas e apelativas?

A minha opinião é que o professor deve continuar a afirmar-se, no século XXI, como um profissional autónomo, crítico e criativo, um trabalhador intelectual cujo principal instrumento de trabalho não é a mão nem o computador, mas o cérebro. Trabalhando incessantemente na busca e na transmissão do conhecimento e na mais nobre de todas as tarefas, a de ajudar os mais novos a descobrirem-se a si próprios e ao mundo à sua volta, a adquirirem os conhecimentos e competências necessários à sua vida como futuros adultos autónomos, responsáveis e conscientes da sua vontade e das suas escolhas.

As novas tecnologias são ferramentas novas e, nalguns casos, bastante poderosas, capazes de dar maior alcance e eficácia ao trabalho dos professores. Mas, a não ser que estejamos a pensar em criar um ensino de quinta categoria para os deserdados da fortuna, é um erro pensar que os substituem. Não há educação de qualidade sem bons professores, reconhecidos e valorizados no exercício da profissão.

Covid’arte

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Rafael Sanzio (1483-1520) – Escola de Atenas

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No dia em que se assinalam 500 anos da morte de Rafael Sanzio, não poderia deixar de fazer aqui uma modesta homenagem ao genial pintor renascentista, cuja Escola de Atenas ilustra, desde o início, o topo das páginas deste blogue.

Este inspirado fresco, que decora a parede de uma das salas do Vaticano, é ele próprio uma homenagem à antiga cultura grega. No seu delicioso anacronismo, faz conviver diversos filósofos, artistas, escritores e cientistas do antigo mundo grego, num amplo espaço coberto por abóbadas de berço, cúpulas e arcadas – tudo elementos arquitectónicos que só com os romanos se vieram a integrar na arquitectura clássica.

No centro da pintura, sobressaem as duas figuras tutelares da filosofia antiga, Platão e Aristóteles. O primeiro, apontando para o céu, certamente evocando o mundo das Ideias. Já o seu discípulo Aristóteles, que aponta para o chão, manteve-se sempre mais atento do que o seu mestre às realidades terrenas – a Física antes da Metafísica…

Natividades: Brian Kershisnik

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Óleo sobre tela, 2006.

Natividades: Banksy – A cicatriz de Belém

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A alguns dias do Natal o último trabalho do artista Banksy foi revelado na simbólica cidade palestiniana de Belém, na Cisjordânia: um pequeno presépio em frente a um pedaço de muro perfurado por uma peça de artilharia.

“A cicatriz de Belém” simboliza uma “cicatriz da vergonha”. O muro simboliza a vergonha por todos os que apoiam o que se passa na nossa terra, todos os que apoiam a ocupação ilegal” da Cisjordânia por Israel desde 1967.

Músicas de Verão: 5ª Sinfonia de Beethoven – como nunca vista…

Natividades: Charles-André Van Loo – Adoração dos Magos

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Charles-André van Loo, Adoração dos Magos, óleo sobre tela, c. 1760.

Natividades: Gentile da Fabriano

Com os votos de Boas Festas a todos os leitores da Escola Portuguesa.

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Gentile da Fabriano, Natividade. Têmpera sobre madeira, 1427.

Natividades: Guido da Siena

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Guido da Siena, Natividade, têmpera sobre madeira, c. 1270.

Quadros Docentes – Excursão à Filosofia

Domingo de manhã. A companheira dormindo e eu madrugando para corrigir os testes…

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Edward Hopper, Excursão à Filosofia (1959)