Habilitações ou “percursos formativos” para a docência?

As habilitações necessárias para dar aulas estão a ser alteradas para permitir alargar o leque de potenciais candidatos aptos a ensinar, anunciou esta sexta-feira o ministro da Educação. “Estamos a ultimar uma alteração ao despacho para habilitações para a docência que vai permitir alterar e alargar o leque de candidatos para a docência”, anunciou João Costa, durante uma conferência de imprensa destinada a fazer um balanço das listas de colocação dos professores, entretanto divulgadas.

As alterações ao diploma estão a ser preparadas e serão “publicadas brevemente”, faltando apenas realizar “algumas consultas”, disse. De acordo com o ministro, em vez de se associar a habilitação própria para a docência às listas de licenciaturas “olha-se para o percurso formativo dos candidatos”, tendo em conta as disciplinas realizadas no ensino superior em determinadas áreas.

Mais um coelho que se tenta tirar da cartola para resolver um problema que não se soube antecipar: a falta de candidatos para a docência num grupo de recrutamento específico, o de Informática, onde facilmente se encontram empregos mais bem pagos e com menos chatices do que ir para uma escola, a contrato temporário, dar aulas a 15 ou 20 turmas.

Já nem quero antever a trapalhada que aí virá com a análise do “percurso formativo”; percebe-se que é um eufemismo para escamotear o essencial da questão: como não arranjam professores habilitados, querem desenrascar com licenciados de outras áreas que tenham tido uma ou outra cadeira de Informática no seu curso superior.

Acrescento apenas que esta é uma matéria que, envolvendo condições de trabalho e de acesso à profissão, é de negociação obrigatória com os sindicatos. Mas o ministro, na linha do seu antecessor, apenas se acha obrigado a fazer “umas consultas”, como aliás já tinha sucedido na revisão do regime de mobilidade por doença. Não se esqueçam de vir depois falar em consenso, diálogo, compromisso…

4 thoughts on “Habilitações ou “percursos formativos” para a docência?

  1. Mesmo assim não têm muitas hipóteses de sucesso.
    Se algum jovem quiser ser professor, é fácil seguir essa via logo de início, até porque a entrada no ensino superior não é difícil dadas as médias baixas.
    Assim é um desenrasque para recém-licenciados enquanto aguardam por coisa melhor (e depois de experimentarem a dureza da escola ainda procurarão com mais vontade); vai ser um entrar e sair contínuo com óbvias consequências para os alunos.
    Melhorar as condições e os salários de quem já lá está e de quem quer realmente ser professor? Está quieto…

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