Pensamento do dia

Antigamente dizia-se dos pobres que o eram porque gastavam na tasca o pouco que ganhavam.

Da pobreza no século XXI, diz-se hoje que é consequência da falta de literacia financeira. E o ministro da Educação concorda.

Na minha ingenuidade, estava eu convencido de que um salário decente deveria ser a primeira e inalienável condição para qualquer cidadão se libertar da pobreza. Afinal de contas ninguém gasta, bem ou mal, o dinheiro que não tem.

Quando, na relação desigual entre capital e trabalho, se permite a acumulação de riqueza entre os detentores do primeiro, a consequência inevitável é o alastrar da pobreza entre os trabalhadores.

Não é um problema de literacias. É mesmo de (re)distribuição de riqueza.

Andam, seguramente, a mangar connosco. E pior, sentem que o podem fazer impunemente.

One thought on “Pensamento do dia

  1. É muito fácil de perceber que não é falta de qualquer tipo de literacia, financeira ou outra, quando ter mais estudos deixou de significar ter melhor salário, tanto que há uma percentagem significativa de licenciados que ganham só o smn ou ainda menos e uma série de profissões que implicam um certo desgaste, qualificações diferenciadas ou multiplicidade de tarefas são agora remuneradas pelo smn ou pouco acima, caso dos motoristas de veículos de passageiros, dos assistentes técnicos do Estado, pessoal administrativo… No caso dos motoristas, consequência dos contratos colectivos renegociados há poucos anos, depois de o PS os ter deixado caducar. Acho muito bem que se aumente o smn, mas é praticamente o único que tem subido, tanto que cerca de 25% dos trabalhadores ganham só o smn e o salário médio líquido é quase o smn líquido, tão próximos estão. Subir muito o smn sem subir outros salários também leva a que se acentue a tendência de descartar trabalhadores menos “produtivos”, ou seja, sem experiência (mais de 20% dos jovens estão desempregados), as mulheres (porque têm filhos, supostamente faltam mais), os menos instruídos, os mais idosos (a partir dos 35/40), os deficientes ou doentes crónicos, e até acentua a emigração.

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