Avaliar a integridade?…

A imagem, publicada num post recente de Paulo Guinote, corresponde a um excerto dos critérios de avaliação da disciplina de Cidadania e Desenvolvimento adoptados num agrupamento de escolas algures por aí.

A “responsabilidade” já se encontrava entre os parâmetros com que eram avaliadas à parte, até há bem pouco tempo, as “atitudes e valores”, uma prática que nas avaliações à moda do Maia se desaconselha. Mas a “integridade”? Será correcto, possível, praticável e desejável avaliar objectiva e quantitativamente a sua presença nos alunos sujeitos a avaliação?

A questão suscita polémica e natural desconforto: uma coisa é avaliar conhecimentos, competências e comportamentos observáveis e verificáveis; outra, muito diferente, é presumir acerca de princípios e valores que os alunos tenham, em maior ou menor grau, interiorizado.

Aqui, há um ponto importante que se vai despercebendo: o complicómetro avaliativo em acção na maioria das escolas tem origens evidentes, não apenas no “55” e legislação conexa, mas nesse monumento à vacuidade e ao pedantismo neo-eduquês a que chamam PASEO. É precisamente aí que encontramos os valores da “Responsabilidade e integridade” como devendo fazer parte do “perfil de saída” dos alunos no fim da escolaridade de 12 anos. É na redondez desta sorte de documentos que encontramos o fundamento para que, cada vez mais, se exorte os professores a avaliar, não o que os alunos sabem ou como se comportam, mas a forma como se perfilam. O que quer que isso signifique…

Pessoalmente, faz-me alguma confusão toda a tourada que se vem criando em torno da avaliação, uma área onde ainda não há muito tempo atrás predominavam preocupações de objectividade, justiça e rigor, mas onde agora parece valer tudo. O que interessa é criar uma salganhada de documentos, de forma a que haja critérios de avaliação para tudo o que os alunos façam na escola, que não faltem perfis, descritores, domínios e toda a demais parafernália que, nas escolas maiatas, é tantas vezes levada ao delírio. Como se o insucesso não se devesse, antes de mais nada, à falta de estudo e de empenho nas tarefas escolares e esta carência pudesse ser revertida com muito feedback e critérios de avaliação especiais de corrida… A ninguém parece ocorrer que seria muito melhor, para quem estuda e trabalha nas escolas, dispor de critérios de avaliação mais simples, claros e objectivos. Compreensíveis por todos, a começar pelos alunos que por eles serão avaliados.

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