Professores franceses em greve

Em França foi dia de greve geral e protestos de professores. Milhares de pessoas saíram às ruas contra as repetidas alterações aos regulamentos anti-violência e de combate à pandemia de Covid-19 pelo governo de Emmanuel Macron.

Uma mobilização apoiada pela principal associação de pais franceses, auxiliares de educação e partidos de esquerda. Um manifestante dizia que estão “__fartos. (…) O protocolo é uma coisa, mas em geral, o problema é a forma como os anúncios são feitos, e como somos tratados pelo governo”.

Numa semana, o executivo de Emmanuel Macron modificou três vezes as regras de acolhimento dos estudantes. A mais recente para torná-las mais flexíveis para que o cancelamento de aulas seja o último recurso.

Segundo dados do Ministério da Educação, quase 40% dos professores aderiram à greve. Números diferentes dos apresentados pelos sindicatos que falam em 75%. Muitas escolas tiveram de fechar. Estima-se que uma em cada duas do primeiro ciclo não abriu portas.

Os professores queixam-se ainda da falta de meios para combater a Covid-19, entre eles máscaras cirúrgicas e medidores de CO2 para monitorizar a qualidade do ar nas salas de aula.

Na sexta-feira será decidido pelos sindicatos, em plenário, se haverá outras ações.

Nas escolas francesas, a vida não está fácil. Apesar de percentagens relativamente elevadas de vacinação no país – 90% dos maiores de 12 anos, com a vacinação dos 5 aos 11 também a decorrer – os novos casos de infecção pela covid-19 sobem em flecha nas escolas, atingindo alunos e professores. Para manter as escolas abertas, o Governo obriga alunos, professores e funcionários que contactaram com alguém infectado a fazer três testes à covid antes do regresso às aulas. Mas esta política está a lançar o caos nas escolas e nas famílias, com os testes a esgotarem nas farmácias e a impossibilidade, face ao elevado número de casos, de realizar os rastreios em tempo útil.

Do lado governamental, apenas uma certeza: querem as escolas abertas, custe o que custar. Mas mostram-se incapazes de definir uma estratégia coerente para o conseguir. As constantes mudanças de regras e orientações estão a exasperar os profissionais de Educação e são um dos motivos que levaram hoje à realização de uma greve que – algo impensável entre nós – está também a ter o apoio das associações de pais.

O ministro Blanquer, cuja demissão chegou a ser pedida durante os protestos, reconhece as dificuldades mas lembra que não é a greve que irá resolver os problemas. Está certo. A greve nada resolve só por si, mas clarifica a situação. Ela mostra inequivocamente que os professores estão fartos e exigem uma política mais coerente e eficaz para lidar com o impacto da nova vaga pandémica nas escolas de toda a França.

2 thoughts on “Professores franceses em greve

  1. Não admira que as autoridades andem à nora. Estes factos muito bem salientados pelo António vão confirmando o que já se sabia, ou seja, a alta eficácia das vacinas e a ainda mais alta eficácia dos testes. Até já são precisos 3. Mais confiáveis é difícil. Deve ser por isso que a FDA acaba de dizer outra coisa que sempre se soube: os testes PCR não são adequados para diagnosticar o C-19. Como se vê, a narrativa oficial, a versão única da verdade, abre cada vez mais brechas todos os dias. E cá vamos no melhor dos mundso, como dizia o professor português no Cândido de Voltaire.

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