Critérios de avaliação: o caos instalado

Em época de “avaliação intercalar”, uma modernice que se tornou incontornável nas escolas organizadas em semestres mas perfeitamente dispensável nas restantes, reparo na indescritível charada em que se está a transformar a avaliação dos alunos. A ideia peregrina de levar cada escola a reinventar a roda à sua maneira, redefinindo autonomamente os seus critérios de avaliação, está a gerar imensas disparidades e confusões. Os normativos legais que deveriam orientar nesta matéria, definindo procedimentos comuns e a margem de autonomia de cada escola, são vagos e imprecisos.

Nalguns lados, inventam-se alegremente “domínios”, “rubricas”, “descritores”, “áreas de competências” em suposta consonância com as “aprendizagens essenciais e essa inenarrável vacuidade a que chamam o PASEO, um documento que todos citam mas ninguém entende e que como base de trabalho nas escolas é de uma completa inutilidade. Noutros lados, onde a imaginação escasseia, ou se reserva para tarefas mais produtivas, um laborioso copy/paste dos documentos produzidos em escolas mais papistas do que o Papa permite alcançar o mesmo resultado.

A verdade é que os novos critérios de avaliação, produzidos sob a égide do “54”, do “55” e do PASEO são muito mais crípticos e confusos para qualquer aluno ou encarregado de educação que os consulte, tentando encontrar resposta para as perguntas básicas a que estes documentos deveriam ser capazes de responder: o que vai ser avaliado, como o vai ser, que peso têm as diversas matérias, competências e instrumentos de avaliação?…

Depois de terem instituído a confusão e a desconstrução curricular permanentes, de reduzirem os programas disciplinares a um conjunto de “aprendizagens essenciais” que traduzem um efectivo empobrecimento do ensino-aprendizagem, os neo-eduqueses que pontificam neste ME dedicam-se a lançar o caos sobre a avaliação dos alunos.

Subjacente, uma ideia tão persistente quanto errónea: a de que uma avaliação mais rigorosa – que o actual modelo não garante, antes pelo contrário – conduziria a maior sucesso escolar. Bem pelo contrário: são a disparidade de critérios e a falta de rigor avaliativo que mais têm contribuído para a extinção quase completa das retenções. Para que os alunos passem sem saber, concretizando, da pior forma, o direito ao sucesso.

3 thoughts on “Critérios de avaliação: o caos instalado

  1. É verdade q andamos todos cansados e algo baralhado com o novo paradigma da avaliação. É verdade, também, que, muitas vez s, a retenção não traz benefícios para o aluno. Mas é verdade, também, que a exigência deve ser privilegiada. E também penso que, frequentemente, os encarregados de educação e os alunos não entendem muito bem o que é esperado deles, sobretudo quando os critérios são pouco precisos e muito extensos. É uma questão que deveria ser reanalisada.

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