Jornalismo nas escolas

Decorreu esta quinta-feira, 4 de Novembro, a partir da biblioteca da Escola Secundária Camões, em Lisboa, uma acção de formação destinada a professores promovida pelo Plano Nacional das Artes (PNA) em parceria com o jornal PÚBLICO. Cerca de 420 professores acompanharam, em directo, a sessão com o tema “O jornal como recurso pedagógico”, através do canal Youtube da Direcção-Geral dos Estabelecimentos Escolares.

O evento contou com a presença do Secretário de Estado Adjunto e da Educação, João Costa e do Secretário de Estado do Cinema Audiovisual e Media, Nuno Artur Silva. João Costa referiu-se ao jornal como “um mundo que se abre enquanto recurso pedagógico, na promoção de novas literacias mais aprofundadas, mas também, e sobretudo, na capacidade de trazer a cidadania para dentro das escolas”. Defendeu ainda que “o jornal e a imprensa livre são dos principais sintomas de uma democracia plena”. Trazer o jornal para a escola é, segundo o Secretário de Estado, “trazer o espaço do pluralismo, o espaço do debate, o espaço do diálogo, o espaço do confronto de ideias, mas também o território do conhecimento e não das pseudo-informações que vivem à nossa volta neste momento”. Nuno Artur Silva reforçou a importância dada ao jornalismo acrescentando que “quando o jornalismo está sob ameaça, também a democracia está”. E considerou que “a defesa da democracia faz-se na aula, na escola, com a ajuda do jornalismo”.

Um embrulho novo, com a chancela de governantes e comissários políticos, para uma ideia que está longe de o ser: introduzir o jornalismo na escola, seja através da leitura crítica de notícias e outros conteúdos da imprensa, seja pela perspectiva, ainda mais ambiciosa, da construção de jornais escolares.

A verdade é que nem as escolas portuguesas, onde a tradição do jornalismo escolar se perde no tempo, nem o próprio jornal Público, que desde a sua fundação apoia e promove os jornais escolares através da iniciativa Público na escola, precisariam deste paternalismo dos políticos de turno, que com os chavões agora em voga, vêm tentar ensinar o Padre Nosso ao vigário.

Claro que na era das novas tecnologias, os jornais, sobretudo nas suas versões em papel, aparentam estar em declínio. A voragem das redes sociais, que para um número crescente de cidadãos se tornou a quase exclusiva fonte de informação, ameaça não só a imprensa livre e independente, mas a própria sociedade instruída, informada e civicamente participativa que é a base de todas as democracias. O que agora pomposamente se chama literacia para os media é no fundo a tentativa de conseguir que a geração dos inapropriadamente chamados nativos digitais continue a usar e a valorizar os media e a reconhecer o seu papel insubstituível.

Contudo, a sobrevivência dos jornais não depende apenas dos seus leitores, nem da maior ou menor literacia que estes possuam para os ler e interpretar. Passa também pelo reconhecimento da credibilidade do trabalho jornalístico, demasiadas vezes colocado, nos tempos que correm, ao serviço de agendas ocultas e manipulatórias. Uma tendência a que nem o Público, geralmente reconhecido como um dos melhores jornais portugueses, se tem mostrado imune.

2 thoughts on “Jornalismo nas escolas

  1. Para estes gajos, falar de pluralismo e democracia é um exercício de cisnismo. E, quanto a desinformação, o que dizer? O João Costa é outra coisa para além de um demagogo? Um demagogo no poder, que impinge como científicas ideologias pedagógicas que hipotecam por completo a capacidade de um aluno, mesmo do ensino regular e no 12.° de conseguir interpretar qualquer notícia que não diga respeito a desporto, celebridades ou fait-divers.

    Gostar

Comentar

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.