A manchete – miserável – da semana

Habituados a que lhes sejam assacadas as responsabilidades por tudo o que corre mal na Educação, aos professores estaria destinada ainda mais esta: ao fim de uma vida de trabalho os malandros, vejam lá, decidem reformar-se, deixando os seus alunos sem aulas e o pobre ministério desprevenido pela falta de inesperada de docentes.

Julgo ser caso único entre todos os ministérios a existência, no ME, de uma direcção-geral exclusivamente dedicada à elaboração de estudos, estatísticas e outros documentos destinados a avaliar o funcionamento do sistema educativo e a identificar e analisar as suas necessidades e prioridades presentes e futuras. Uma função que a DGEEC vai cumprindo muito razoavelmente, sobretudo quando os cálculos até são fáceis de fazer: neste caso, sabendo quantos professores existem nos quadros e conhecendo a sua distribuição etária, bastam umas contas simples de somar e subtrair para calcular quantos estarão em condições de se aposentar em cada um dos próximos anos.

Pelo que a abordagem correcta de um tema tão sério para o futuro da Educação nunca poderia ser neste tom de quem insinua culpas dos professores. O que há a explicar à opinião pública não é complicado: mais de metade dos professores dos quadros do ME têm mais de 50 anos, pelo que dentro dos próximos 10 a 15 anos o sistema precisará de pelo menos alguns 50 mil professores para os substituir. E isto vai criar uma situação muito complicada porque, primeiro, se está a dificultar o acesso de novos professores à profissão, sendo previsível que nos próximos anos muitos deles abandonem em definitivo o ensino; segundo, não existem professores em tão grande número, nem está a ser acautelada a sua formação tendo em conta as necessidades futuras.

O JN é um jornal sério e até acredito que, no desenvolvimento da notícia, que não li por não ser assinante, tenham esclarecido os aspectos essenciais da questão. Mas nem sempre se consegue resistir às manchetes sensacionalistas e acusatórias…

3 thoughts on “A manchete – miserável – da semana

  1. “O JN é um jornal sério e até acredito que, no desenvolvimento da notícia, que não li por não ser assinante, tenham esclarecido os aspectos essenciais da questão.”…
    Será mesmo (um jornal sério)?
    Neste caso não foi, seguramente… Só publica o que lhe interessa, sem contraditório… Sério?!!!

    https://expresso.pt/sociedade/2021-09-06-Carlos-Vaz-Marques-vs-TSF-round-3-comunicado-do-Conselho-de-Redacao-da-radio-e-uma-tentativa-de-assassinato-de-carater-diz-o-jornalista-103d4659

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