ME faz a descoberta do ano: alunos aprendem melhor com professores!

Os alunos que durante o ensino ‘online’ mantiveram um maior contacto com os professores foram os menos prejudicados pela pandemia de Covid-19, revela o diagnóstico das aprendizagens que confirma a importância dos docentes mesmo à distância.

Esta é uma das principais conclusões do segundo relatório do estudo diagnóstico realizado em janeiro pelo Instituto de Avaliação Educativa (IAVE) divulgado esta segunda-feira e que tinha como objetivo avaliar o impacto da suspensão das atividades presenciais nas escolas em 2020 devido à pandemia.

O estudo, que envolveu mais de 23 mil alunos do 3.º, 6.º e 9.º anos, procurou perceber o estado das aprendizagens em três áreas: literacia matemática; literacia científica e literacia de leitura e informação.

“Nada substitui o papel do professor e o que este estudo nos mostra é que, mesmo em contexto de ensino à distância, a presença do professor em interação direta com os alunos é muito melhor para as aprendizagens“, sublinhou o secretário de Estado e Adjunto da Educação na sessão de apresentação do relatório.

Segundo os resultados do estudo de diagnóstico, os alunos que tiveram aulas síncronas ‘online’ conseguiram melhores desempenhos nas três áreas avaliadas.

“Isto volta a reforçar o reconhecimento que todos temos de ter do papel que os professores desempenham e não endeusarmos máquinas que nunca vão substituir o papel dos professores”, defendeu João Costa.

Depois do enaltecimento do trabalho dos professores, que se saúda, embora mais não seja do que o reconhecimento de uma evidência, o secretário de Estado da Educação, acolitado pelo presidente do IAVE, voltou a uma ideia que lhe é cara, mas também já não é nova: a pandemia prejudicou as aprendizagens de todos os alunos, no entanto foram os mais carenciados, seja em equipamentos para o ensino à distância, seja em apoio familiar, os que sofreram maiores prejuízos.

O estudo agora divulgado pretende quantificar as aprendizagens perdidas pelos alunos que beneficiam da acção social escolar comparativamente com os restantes. E mostra que aprenderam menos, o que, para os professores no terreno, também não é notícia: já assim sucedia antes da pandemia.

O que aí vem também não surpreende: os professores são exortados a trabalhar os dados do estudo de diagnóstico e as dificuldades evidenciadas pelos alunos no sentido de as superar. Mas fica a dúvida habitual: será que sem o estudo do IAVE os professores não seriam capazes de perceber o que é que os alunos não sabem? É um estudo feito com uma amostra de alunos de todo o país que nos vai indicar o que devemos fazer em concreto com cada uma das nossas turmas e dos nossos alunos?

Assumindo os professores, como sempre fizeram, a sua parte, espera-se que também o Governo comece a fazer o que lhe compete: assumir que o combate pelo sucesso escolar pleno e pela igualdade de oportunidades no acesso à Educação não se faz só nas escolas. Se persistentemente se identificam factores extra-escolares que condicionam o insucesso, está mais do que na altura de desenvolver políticas económicas e sociais que atenuem ou corrijam esses desequilíbrios e desigualdades. Ou, enquanto essas assimetrias persistirem, instituir apoios directos aos alunos e às famílias em risco.

Limitar-se a mandar os outros fazer coisas é muito pouco para um Governo que continua, apesar das propaladas autonomias e descentralizações, a controlar ferreamente o orçamento da Educação.

One thought on “ME faz a descoberta do ano: alunos aprendem melhor com professores!

  1. ” … alunos aprendem melhor com professorEs ”

    E com as professorAs ? ” Atão nós não somos gente, porra?! “, questiona a dona Rosa, quase meio século na árdua função de mestre – escola e com esta idade a pregar a igualdade de género .” E ando eu – no Ajuntamento deTraseiras – a defender os WC comuns aos dois sexos !” .
    A vingança serve-se fria. Oiçam : ” pois fiquem sabendo que , nas reuniões de Trabalho Colaborativo, até ao Natal só abordaremos temas de especial interesse das mulheres : como cozinhar as migas da consoada; o casamento da Rosalina; os saldos na feira de Badajoz”.

    Gostar

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