Pensamento do Dia

autocarrosVotar em alguém não é como casar, é como apanhar um autocarro. Talvez não haja um autocarro que vá exatamente para onde tu queres ir. Mas há-de haver um que vá para as redondezas. Não apanhar autocarro nenhum porque nenhum vai exatamente para onde queres é estúpido.

Mais estúpido ainda é apanhares um na direção contrária. Apanha o autocarro que for para mais perto de onde queres ir e deixa-te de purismos ideológicos!

Daqui.

15 thoughts on “Pensamento do Dia

  1. Se eu quiser ir do Porto para Braga e todos os autocarros forem para Sul, parece-me melhor ficar apeada.
    Muito simplesmente, em algumas eleições, não existem candidaturas minimamente aceitáveis.
    Concretizando, em quem vota uma eleitora de esquerda?
    No PS? Não é de esquerda. Nem com vacas a voar!
    O PCP, o Bloco e o Livre assinam de cruz quase tudo o que faz o PS. Deixaram de ter uma estratégia clara e independente dos ventos dominantes.
    Restam apenas uns grupelhos que na maior parte das autarquias nem apresentam candidaturas.
    EU FICO EM CASA.
    E ainda me podem agradecer por não contribuir para a formação de ajuntamentos.

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    • Percebo o dilema.
      Mas a questão é: se assumimos que não vale a pena reforçar alternativas ao PS e ao PSD, acabaremos, no limite, com todas as autarquias dominadas por um destes partidos.

      Mesmo que não vão exactamente para onde eu quero ir, ou que nem sequer tenham o itinerário bem delineado, eleger um ou dois vereadores do PCP e/ou do BE ou de algum pequeno partido ou movimento de cidadãos para uma vereação dominada por PS ou PSD, é decisivo para evitar a constituição de maiorias absolutas. E estas, já sabemos, são o maior cancro da nossa democracia.

      É isto, sobretudo, que me leva a não ficar em casa.

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  2. Isso é muito bonito, mas quando não há autocarro nenhum, antes pelo contrário, só resta optar pelo maior partido português e que ganha folgadamente todas as eleiçoes, o da abstenção. Aliás, o facto de os partidos sempre terem monopolizado o voto é um mau serviço prestado à dita democracia. Depois ainda se queixam de os votantes serem cada vez menos. Pudera!!!!

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  3. Não vejo nenhum motivo para se ficar em casa em dia de eleições, quaisquer que elas sejam.
    Pertencer ao “partido da abstenção” é cómodo ou muito trendy. Em qualquer caso é uma grande treta e uma grande treta de desculpa.
    Ainda há pouco tempo o voto era interdito a mulheres, a minorias e a outros cidadãos. E não consta que os partidos políticos que iam a votos fossem assim tão diferentes. No entanto lutou-se por esse direito.
    Já não há paciência para estes “pruridos”.

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    • É isso mesmo!
      Nem parece de pessoas informadas achar que o melhor é ficar em casa…
      Os partidos do costume (aqueles que não queremos que obtenham maioria absoluta) até agradecem.
      Será que as pessoas não percebem que abstenção, voto branco e voto nulo não entram no apuramento dos resultados?!…

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    • E ninguém se pergunta por que razão os brancos, nulos e abstenções não são contados como legítimas expressões da opinião do povo? São ou não são? E se são, como é óbvio, porque razão as elites no poder (ou próximo dele) insistem em fingir que tal realidade não existe? Vamos lá parar oara pensar um pouco…

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      • Essas situações são contabilizadas, como se sabe. O que não é possível é atribuir um significado único e concreto a todas as formas de abstencionismo. Se os brancos e nulos ainda podem ser considerados votos de protesto, os que não votam podem faze-lo por muitas razões: estão distantes e não se podem deslocar, doentes ou em isolamento profiláctico, são idosos fragilizados que vivem sozinhos e não tem familiar ou pessoa amiga que os leve a votar. Há aqueles que não votam por simples comodismo e mesmo entre os abstencionistas militantes haverá que fazem do seu não-voto um protesto contra o sistema, ou seja, querem algo diferente, enquanto outros pretenderão ostensivamente afirmar que não querem saber de política para nada.

        De resto, eleições fazem-se para escolher pessoas para cargos políticos e como tal os lugares não podem ficar vazios. Na prática o que sucede é que quanto maior for o abstencionismo, mais fácil é aos candidatos e partidos com maior capacidade de arregimentação obterem as suas vitórias. Imagine-se um candidato que garante à partida, entre apoiantes, militantes partidários e outras clientelas locais, 10 mil votos. Se houver 20 mil votos expressos tem, com 50% e a eleição ganha. Mas se votarem 40 mil, distribuindo o voto por diferentes candidatos, o dos 10 mil fica apenas com 25%.

        Alguns abstencionistas querem, com a sua não participação, mudar o status quo. Paradoxalmente, a sua atitude é o que mais contribui para que nada mude, cristalizando o poder e os inerentes vícios nos mesmos de sempre. A ideia de que mudamos alguma coisa simplesmente colocando-nos à parte e abstendo-nos de participar é completamente estranha ao longo curso da história da humanidade. As coisas só mudam quando há comprometimento das pessoas em algo que possa desencadear a mudança.

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        • Naturalmente que reconheço validade aos argumentos do António, embora seja preciso fazer algumas rectificações. É certo que essas expressões eleitorais são contadas, mas apenas para meros efeitos estatísticos, já que a lei as considera como não válidas. Curiosamente, de entre as razões elencadas no texto, a principal não foi indicada, a de que o eleitor não se vê representado nas propostas a concurso. Porque será?

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          • E como é que resolvemos isso? As listas são formadas por pessoas, e nenhuma é perfeita nem há duas iguais. Nestas eleições, até existe a possibilidade, real em muitos concelhos, das listas de cidadãos independentes.

            Por outro lado posso achar, e como eu muitos, que fulano seria ideal para presidente da câmara ou da junta, mas a pessoa em causa não está para aí virada. Não gostamos dos que se candidatam. Abstemo-nos em massa e fica o lugar vazio? Julgo que isso não acontece em parte alguma deste mundo. O poder, tal como a natureza, tem horror ao vazio.

            Parece-me que podemos sempre fazer melhores ou piores escolhas. Mas teremos sempre de escolher entre os disponíveis…

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  4. Todos sabemos como o sistema adora presentear as pessoas com escolhas impossíveis do tipo Macron vs Le Peine. Eu recusarei sempre ser obrigado a optar entre a peste, a cólera e a sida por considerar que tal não é escolha coisíssima nenhuma.

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    • Não quero ser insistente, mas na generalidade dos concelhos houve muito mais do que duas ou três alternativas. No meu concelho eram 8, e seriam mais se uma delas não fosse uma coligação de 7 partidos e movimentos.

      Existe o direito legítimo de as recusar todas, que não contesto, mas dizer que são todos do sistema parece-me algo excessivo.

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