Cada vez mais alunos sem aulas

A falta de professores nas escolas irá agravar-se no início do próximo ano com a reforma de docentes que, neste momento, têm turmas atribuídas, alertou o presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE). Segundo uma estimativa da Federação Nacional de Professores (Fenprof), há actualmente cerca de 100 mil alunos sem todos os professores atribuídos, mas os directores escolares dizem que a situação “vai piorar já em Janeiro”. 

“Os professores que se vão reformar no próximo ano têm neste momento turmas atribuídas mas, quando chegar o momento de se irem embora, os alunos ficarão sem professor e as escolas terão de encontrar substitutos”, explicou à Lusa Manuel Pereira. 

Este ano, já se reformaram quase 1.600 docentes e os sindicatos estimam que irão ser mais de dois mil até ao final de Dezembro. No próximo ano a situação será semelhante, já que os professores no activo são uma classe cada vez mais envelhecida.

A falta de professores para o preenchimento de necessidades surgidas ao longo do ano ameaça tornar-se uma doença crónica do sistema educativo público, pois o problema existe, irá necessariamente agravar-se com uma classe docente envelhecida e à beira da aposentação e o ME prefere fingir que nada se passa. Os responsáveis chegam a sugerir que a passagem destas vagas não ocupadas para a contratação de escola facilitará a sua ocupação. Mas não esclarecem de onde surgirão, subitamente, centenas ou milhares de professores disponíveis para assumir uma colocação longe de casa a troco de um salário que, em muitos casos, não cobrirá sequer para as despesas de deslocação.

De facto, nem em ano pós-pandemia e de recuperação do que chamam “aprendizagens perdidas”, foram capazes de dar às escolas a autonomia necessária para, por exemplo, completar os horários que vão a concurso, tornando-os mais atractivos e compensadores para os interessados e reforçando apoios educativos e outras actividades, em benefício directo dos alunos.

Tudo isto se torna ainda mais lamentável se pensarmos que estas situações seriam, como foram num passado não muito distante, perfeitamente evitáveis. Bastaria dar indicações às escolas de não atribuição de serviço lectivo aos docentes que, no decurso do ano lectivo, se irão aposentar. Com outras tarefas atribuídas, estes professores continuariam a ser úteis nas suas escolas durante os últimos meses ao serviço, ao mesmo tempo que se poderiam contratar, desde o início do ano, todos os docentes necessários para assegurar o funcionamento pleno das actividades lectivas. Mas a vertente economicista prevalece sobre as boas práticas pedagógicas, e o ministério prefere fazer aqui as suas poupanças.

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