Vigília pelos direitos dos professores

Os sindicatos de professores têm-se mostrado atentos e interventivos neste arranque do ano lectivo. Como toda a razão, sublinhe-se: a pandemia tem servido de excelente pretexto para o Governo protelar problemas, injustiças e arbitrariedades que penalizam os professores e degradam as suas condições de trabalho.

Perante um governo para o qual nunca é oportuno discutir direitos e reivindicações laborais, torna-se necessário ir multiplicando iniciativas que relancem perante a opinião pública os problemas da Educação, das escolas e dos professores. E que mobilizem os professores, já agora, na defesa dos seus direitos e interesses. A iniciativa do SIPE, ontem à noite no centro da cidade do Porto, foi um passo importante nesse sentido.

“Neste momento, o que está a acontecer é que temos um Ministério da Educação que se escudou na pandemia [de Covid-19], mas a pandemia não pode servir para acabar com a democracia, e a negociação e os direitos dos professores têm que existir numa sociedade democrática. Não tem existido, não têm sido abertas as portas a negociação”, afirmou esta quarta-feira à Lusa a presidente do SIPE, Júlia Azevedo.

Esta estrutura sindical convocou uma vigília para sexta-feira, às 21h00, na Praça Carlos Alberto, no Porto, para protestar “contra dois anos de silêncio por parte do Ministério da Educação”, explica o comunicado enviado à Lusa.

A iniciativa será precedida por um plenário em que serão decididas as próximas formas de luta.

Entre as reivindicações estão a abolição das vagas de acesso aos quinto e sétimo escalões da carreira docente e a reformulação do processo de avaliação.

Júlia Azevedo explicou que em causa estão as vagas insuficientes nesses dois escalões, que funcionam como um “travão” para muitos professores, e dá o exemplo das Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, onde é aberto “o número de vagas exatamente igual ao número de professores”.

Os professores pedem também a aposentação aos 36 anos de serviço, “independentemente da idade, assim como a possibilidade de pré-reforma, com direito a um vencimento justo”.

No que toca aos concursos, o SIPE quer que “seja respeitada a graduação profissional como único critério para colocação”, pede a diminuição territorial dos Quadros de Zona Pedagógica e a vinculação automática para docentes contratados, ao fim de três anos de serviço”.

2 thoughts on “Vigília pelos direitos dos professores

  1. “Tempo de serviço igual, escalão IGUAL, salário IGUAL ”

    Ora aí está: querem maior igualitarismo?
    a )O mérito ,o saber, as qualificações académicas ,o conteúdo funcional – não conta para nada. O que conta é o “tempo de serviço” ! Assim até o meu gato.
    b)Ser inculto e ignorante ou cultural e intelectualmente brilhante, tanto faz. O que importa é o “tempo de serviço”.
    c) Ensinar matérias complexas, arcar com responsabilidades e esforço ou passar tempo é o mesmo. O que conta é o tempo de serviço, ou seja, estar vivo.
    c) Entreter um NEE, tecer, chutar a bola ou dominar e ensinar uma matéria universitária é igual. O que conta é o “tempo de serviço”.

    Bibá estúpida carreira única, coisa única no mundo.

    Gostar

  2. Há várias maneiras de abordar o mesmo assunto…
    Deviam acabar com esta diferença salarial? Sim, não vejo isto como “trabalhamos mais horas letivas que os outros ciclos”, mas sim “a minha hora (minuto, segundo o ME) é mais barata do que a dos outros ciclos”. Parece-me que o ministério não vai mexer na idade da reforma, e por isso deviam todos passar a ter 1100 minutos e respetivas reduções, e acabava-se o assunto.

    Gostar

Comentar

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.