Faltam professores, técnicos e funcionários

Na semana em que arranca oficialmente o ano lectivo, e quando o ME se prepara para, mais uma vez, anunciar a reabertura das escolas dentro da normalidade, as federações sindicais denunciam a eterna falta de profissionais nas escolas para assegurar o arranque em pleno das actividades lectivas.

A falta de incentivos dificulta cada vez mais a movimentação de professores do norte e do centro do país – onde continua a haver muitos docentes desempregados ou com contratos precários – para o sul e a região de Lisboa, onde a falta de professores se agrava de ano para ano. Com uma classe docente cada vez mais envelhecida aumentam também as baixas por doença e, consequentemente, o recurso cada vez mais frequentemente a substituições ao longo do ano.

A completar o quadro, temos a falta crónica de assistentes operacionais e de psicólogos, terapeutas e outros técnicos indispensáveis a uma escola verdadeiramente inclusiva que muitas vezes apenas o é no papel.

A realidade retratada pelos sindicatos não é nova, o que tarda são as soluções.

As duas maiores estruturas sindicais de professores – Fenprof e FNE – apontam as mesmas preocupações no arranque de mais um ano letivo: faltam professores e funcionários e a precariedade da carreira docente volta a obrigar muitos a separarem-se das famílias.

Cerca de 1,2 milhões de alunos do 1.º ao 12.º ano começam as aulas, a partir de terça-feira, numa altura em que ainda estão a decorrer processos de colocação de professores e concursos para a contratação de assistentes operacionais.

“Estamos a acompanhar o processo de reserva de recrutamento de professores e este ano não deverá ser diferente dos anteriores. Já se sabe que em zonas do país, como Lisboa e Vale do Tejo, há sempre falta de alguns professores a algumas disciplinas como é o caso de Informática”, disse o secretário-geral da Federação Nacional da Educação (FNE), João Dias da Silva, em declarações à Lusa.

A ideia é corroborada pela Fenprof: “Algumas escolas de Lisboa, Setúbal e Algarve não conseguem arranjar professores a várias disciplinas, como Português, Geografia, História e Biologia”, disse à Lusa Mário Nogueira, que acredita que “a situação será ainda pior do que nos últimos dois anos”.

Segundo o secretário-geral da Fenprof, “o problema vai notar-se ainda mais cedo” porque há “cada vez mais pessoas a reformarem-se e isso obriga a novas contratações”.

Com base na idade dos professores, a Fenprof estima que este ano se irão aposentar cerca de 2.100 docentes, tendo em conta já se aposentaram quase 1.600 só este ano.

No caso dos docentes aposentados que trabalham em escolas a sul do país, a sua substituição torna-se mais complicada, explicaram à Lusa os dois sindicatos.

“A maioria dos professores vive no Norte e Centro e por isso é mais difícil aceitarem colocações a Sul, porque implica mais gastos com habitação e deslocações”, explicou Mário Nogueira, lembrando que a maioria dos docentes não são jovens em início de carreira: “Os professores que este ano entraram para os quadros do Ministério estão a quatro anos de fazer 50” e muitos têm uma família constituída.

Às aposentações somam-se ainda as baixas médicas que obrigam a uma substituição.

Para as duas estruturas sindicais são necessários programas de incentivos para dar resposta às despesas acrescidas, mas também para chamar os jovens para a profissão.

O secretário-geral da FNE, João Dias da Silva, disse estar também preocupado com os processos de contratação de assistentes operacionais, que na sua opinião “deveriam ter começado mais cedo e estar já concluídos”.

O Ministério da Educação anunciou um reforço de pessoal não docente, mas João Dias da Silva recorda que “existe todo um procedimento concursal que é demorado no tempo”.

Estão ainda a decorrer vários concursos e a tutela permitiu o prolongamento por mais seis meses dos contratos dos cerca de 1.500 funcionários que terminaram a 31 de agosto.

Nas escolas faltam também técnicos especializados, acrescentou Mário Nogueira, contando à Lusa que ainda recentemente falou com uma psicóloga que “era a única num agrupamento de dois mil alunos”.

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4 thoughts on “Faltam professores, técnicos e funcionários

  1. A “origem” das baixas médicas, vulgo horários temporários

    As aulas ainda não começaram, mas o número de baixas- médicas já é impressionante (ver RR2). Como será nas próximas semanas ou meses?
    Fazendo uma rápida ronda por todos os grupos disciplinares, constacta-se :
    a) as escolas do sul são as mais atingidas. Motivo : os professores do norte aí colocados zarparam , ou seja, “adoeceram” repentinamente ( “compreende-se”, mas não se aceita) .
    b)disperso por todo o território, temos um número muito elevado de horários de 14, 18 e 20 horas – são os professores mais “idosos”, os quais, mesmo antes de iniciarem o ano já estão exaustos.
    c) como é habitual, o 910 contribui para a festa com um incompreensível e desproporcionado número de baixas. Mesmo sabendo-se que os aguarda (aguardaria) uma vidinha flauteada, passatempista ,dispensável, sem responsabilidades nem esforço, uf!, já estão cansados!
    O problema é que a brincadeira custa-nos muitos milhões : quase 7000 laboriosas almas no efectivo ,MAIS umas larguíssimas centenas de substituições, ordenados de professor (!) ,imensos no 10.º escalão(!), é só fazer as contas ao custo-benefício.

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  2. Com esse sarcasmo todo em relação aos professores a Maria bem que pode candidatar-se a secretária do ministro, que com isso levará avanço sobre qualquer outro candidato ao cargo.
    Pena que não queira alargar o seu leque a outras possibilidades laborais com idêntica e mordaz atitude mas em relação à banca criminosa, às parcerias e a todo o tipo de injustiças que de uma forma geral se vêm abatendo sobre os professores de há muito tempo a esta parte.

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