Empregos que ainda não existem

Existe uma forte tendência para pensar em carreiras e oportunidades como se as novas gerações se estivessem a preparar para ocupar os empregos que agora são ocupados pelos mais velhos. Isto não é verdade. Os nossos jovens terão profissões que ainda não existem. Inventarão novos produtos que exigirão novas competências.

Os empregos que ainda não existem, as profissões que ainda não foram inventadas: uma converseta que nos habituámos a ouvir aos propagandistas da nova ordem educativa e que, como toda a propaganda que se pretende eficaz, contém em si mesma um fundo de verdade.

No entanto, nada disto é novo ou original. Todas as gerações acrescentaram algo aos conhecimentos, às técnicas, as formas de vida e organização económica e social, nesse longo mas irreversível processo de evolução da humanidade a que chamamos progresso. Cada geração nova teve de enfrentar os seus próprios desafios, e as dos nossos filhos e netos não serão excepção.

Curioso é verificar que os vendedores da banha da cobra educativa não passam, demasiadas vezes, de plagiadores sem escrúpulos. Incapazes de um pensamento original, limitam-se a recauchutar ideias e teorias do século passado, sem terem sequer a honestidade intelectual de citar os autores originais.

No caso em concreto do parágrafo que abre este post, trata-se de um excerto de um trabalho de 1958, da autoria de Devereux C Josephs, The Emerging American Scene, The School Review, Vol. 66, No. 1 (Spring, 1958). A ideia foi revisitada, em diferentes contextos, por diversos pedagogos, filósofos e políticos, como Bill Clinton, John Dewey ou, mais recentemente, Andreas Schleicher, o demagogo que preside à secção educativa da OCDE. A quem ficou curioso, sugiro esta interessante descrição de como evoluiu o conceito dos “empregos que ainda não existem” (em inglês).

One thought on “Empregos que ainda não existem

  1. Esta conversa encontra-se num pacote bem mais vasto, subtil e ambicioso.

    “O primeiro elemento da ideologia neoliberal é a crença de que não há alternativa social viável ao capitalismo.”

    “O segundo aspecto da mentalidade neoliberal, estreitamente ligado ao primeiro, é a aceitação da competição como modo de funcionamento da sociedade e princípio de vida. A sociedade e a vida são vistas como uma guerra de todos contra todos.”

    “Trata-se de uma ética na qual as desigualdades sociais não são vistas como um problema a ser superado, mas como uma saudável consequência do fato de que alguns são recompensados por serem mais inteligentes, criativos, talentosos, empreendedores, esforçados e, é claro, mais abençoados do que outros.”

    (DUARTE, 2020)

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