Educação em risco

Se a pandemia trouxe sérios contratempos à Educação em Portugal, afectando sobretudo os mais isolados e desfavorecidos, e ainda hoje não falta quem hiperbolize as “aprendizagens perdidas”, que dizer da situação potencialmente trágica nos países mais pobres do mundo, onde a pandemia se veio juntar a um extenso rol de dificuldades que condicionam ou impedem o acesso de milhões de crianças à escolarização?

A notícia faz um rápido ponto da situação em diversos países do mundo, especialmente na África Subsariana e no Sul da Ásia. E conclui: se nada for feito para contrariar o rumo dos acontecimentos, um quarto da população em idade escolar tem a sua educação em risco…

Este mês, a maioria das escolas e instituições de ensino de grande parte do mundo vão reabrir e os alunos vão regressar às aulas. Mas um quarto dos países – a maioria na África Subsaariana – têm sistemas escolares que correm risco extremo ou alto de colapso.

As Nações Unidas estimam que, pela primeira vez na história, cerca de 1,6 mil milhões de crianças não foram à escola durante a pandemia, havendo pelo menos um terço sem acesso ao ensino à distância. Além disso,  antes da Covid-19 ainda havia cerca de 260 milhões de crianças fora dos sistemas de ensino, o que corresponde a quase um quinto da população global dessas faixas etárias.

Agora, como grande parte dos países menos desenvolvidos enfrentam pobreza extrema, a pandemia da Covid-19, a crise climática e violência, começa a recear-se que haja uma “geração perdida de alunos”.

“Já sabemos que são as crianças mais pobres as que mais sofreram com o encerramento das escolas devido à Covid-19”, recordou Inger Ashing, CEO da Save the Children Internacional.

“Mas, infelizmente, a Covid-19 é apenas um dos fatores que está a ameçar a Educação e a vida das crianças hoje e amanhã. Cerca de metade dos 75 milhões de crianças que têm a Educação suspensa todos os anos, fazem-no devido a ameaças climáticas e ambientais, como ciclones, inundações e secas. As catástrofes climáticas já contribuíram para que mais de 50 milhões de crianças fossem obrigadas a deixar as suas casas. E os ataques abomináveis às escolas continuam em países como a Nigéria e o Iémen”.

Segundo o relatório da organização, há pelo menos 48 países em que a Educação está em risco, havendo “milhões de crianças ainda incapazes de entrar na sala de aula devido às medidas de segurança da Covid-19, os impactos económicos da pandemia e os ataques contínuos às escolas”. A isso soma-se ainda, destaca o documento, as 258 milhões de crianças em todo o mundo que já estavam fora da escola antes da pandemia.

“Os líderes têm de aprender com a crise da Covid-19, que interrompeu a escolaridade de mais de 90 por cento dos alunos do mundo, e sistemas de educação à prova de choque para garantir que as crianças de um quarto dos países do mundo não tenham o seu futuro comprometido”, alertou a organização de direitos das crianças.

De acordo com o novo relatório da Save the Children, “Build Forward Better”, a República Democrática do Congo, a Nigéria, a Somália, o Afeganistão, o Sudão, o Mali e a Líbia têm sistemas de Educação que estão em ‘risco extremo’. Já a Educação na Síria e no Iémen, na Índia, nas Filipinas e no Bangladesh, por exemplo, estão em “risco alto” de colapsar.

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