1,6 mil milhões para a Educação – mas falta o resto…

“Apesar de qualquer esforço, os dias e meses que se perderam com o ensino presencial foram muito prejudiciais para o desenvolvimento das crianças e do seu processo  de aprendizagem”, começou por referir António Costa durante o seu discurso de encerramento no 23º Congresso do PS, em Portimão.

Face a estas dificuldades no ensino geradas pela pandemia, o secretário-geral dos Socialistas, agora reeleito,  e primeiro-ministro prometeu que o próximo objetivo do Governo passa por executar “um programa de recuperação das aprendizagens”, onde vão ser investidos 900 milhões de euros, tanto no “reforço da flexibilidade e autonomia dos processo de tutoria” como também no reforço de “técnicos especializados no apoio à recuperação de todas as crianças e jovens” prejudicados pelo ensino à distância.

Elegidos como prioridade no Programa de Recuperação e Resiliência, diz António Costa, estão a modernização das escolas profissionais e docentes. “Os que ficaram para trás na recuperação das escolas vão ter a resposta”: 750 milhões de euros que vão ser investidos na “modernização das instalações, na aquisição de novos equipamentos, qualificação de professores e técnicos.

“O ensino profissional tem que ser um de primeira qualidade”, reforça.

À falta de melhores ideias, António Costa engatilha uma vez mais o discurso dos milhões que serão vertidos no sector da Educação. Mas não é sequer preciso ser muito perspicaz para perceber que quando o “investimento” se faz em torno de negociatas de “equipamentos” e “formações”, pouco dinheiro chegará efectivamente às escolas, para ser gasto onde verdadeiramente faz falta: no apoio directo aos alunos “prejudicados” pelo ensino à distância.

Em concreto, continuamos com turmas “normais” de 28 alunos e turmas com alunos que justificam redução a funcionar “em desconformidade”, pois nem as medidas preventivas da pandemia nem as alardeadas necessidades de reforçar o apoio aos alunos justificaram, até agora, qualquer redução do tamanho das turmas. Quanto a professores de apoio, psicólogos, terapeutas e outros profissionais especializados de que as escolas se encontram carentes, o que temos são medidas pontuais e avulsas que vão permitindo uma ou outra contratação temporária aqui ou ali.

Um novo ano lectivo sem novidades, mas com muitas apreensões para quem se preocupa com os seus alunos e o futuro da Educação – eis o que se antevê…

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