Leituras: A aprendizagem baseada em projectos prejudica os alunos

O ranking da Austrália em testes internacionais como o PISA tem vindo a cair há muitos anos na maioria das áreas curriculares. Essas quedas têm sido concomitantes com uma maior ênfase na aprendizagem por projectos em detrimento da instrução explícita. A aprendizagem por projectos envolve a descoberta de nova informação pelos próprios estudantes, em vez de a informação lhes ser explicitamente apresentada. Este artigo sugere uma relação de causa e efeito entre a ênfase na aprendizagem por projectos e a redução do desempenho académico.

A teoria da carga cognitiva explica porquê. Com base nos nossos conhecimentos de psicologia evolutiva e cognição humana, incluindo a memória a curto e longo prazo, a teoria sustenta que a maioria das crianças adquirirá competências ‘naturais’ – tais como aprender a falar uma língua nativa – sem escolas ou instrução. Os seres humanos evoluíram especificamente para adquirir tais conhecimentos automaticamente. Mas há outra categoria de domínio de conhecimentos específicos que não evoluímos para adquirir. Consiste em quase todas as disciplinas ensinadas nas escolas, desde a leitura e escrita até à matemática e ciência.

Tanto a teoria como as provas empíricas apoiam a instrução explícita como um método mais eficaz e eficiente de ensino deste novo conhecimento do que as abordagens de aprendizagem baseadas em projectos. Há, portanto, pouca justificação para a ênfase actual na aprendizagem por projectos. A ciência cognitiva sobre a aprendizagem está estabelecida.

John Sweller, Why Inquiry-based Approaches Harm Students’ Learning

Artigo completo disponível (em inglês) aqui.

10 thoughts on “Leituras: A aprendizagem baseada em projectos prejudica os alunos

  1. Os indispensáveis conhecimentos prévios

    Pergunta: a Joaquina poderá desenvolver um projecto de arquitectura – para a nova Casa do Povo de Traseiras – sem antes ter aprendido a desenhar, sem fazer “a mínima” do que é a geometria descritiva, a ergonomia aplicada à arquitectura, as propriedades físicas e estético- visuais dos materiais ,o enquadramento, a funcionalidade , a racional concepção dos espaços, etc., etc. ?
    Resposta : parece que sim.

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  2. Consta que a Joaquina, com tamanhas “competências”, vai apresentar um projecto da sua autoria ; espera-se que o Nora Filho – arquitecto inscrito na Ordem – assine.

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  3. Aprender as contas de multiplicar. Condição prévia e indispensável, julgo: saber a tabuada.

    A dona Rosa, com idade para ter juízo, quer a todo o risco que a criançada faça as contas de multiplicar sem primeiro aprender a tabuada. Como?
    Noutras áreas, mais sofisticadas, os requisitos serão idênticos.

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  4. Tudo isto faz lembrar o quão mais saudável era o óleo em vez do azeite que agora já não é.
    Fico à espera de um estudo que diga que uns cigarritos não são assim tão prejudiciais à saúde e fazem bem a qualquer coisa.
    Trabalhar em projectos não é mau. Mas, para o fazer, é preciso trabalho e necessita de muita orientação e duração controlada.
    “Aprender” só com esta metodologia tem muito para dar errado.
    Além do mais, pode não incluir alunos que precisem de outras formas de aprendizagem.
    A experiência diz que devo diversificar estratégias e metodologias e ter um feedback dos alunos.
    Não se pode ir do 8 ao 80.

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  5. Primeiro,
    O ensino por projeto tem vantagens em situações muito particulares. Quais? Quando a população alvo (alunos) se encontra num nível maturacional elevado, nomeadamente:
    1. Do ponto de vista cognitivo, os alunos sabem os requisitos necessários;
    2. Do ponto de vista emocional e afetivo, os alunos querem muito aprender.
    Ora, dá logo para ver que submeter todos os alunos a este método de ensino dará asneira.

    Segundo, que advém, em larga medida, do primeiro,
    A metodologia por projeto deve servir apenas como consolidação dos conhecimentos e nunca como transmissão inicial. Porquê? Porque o seu uso como forma de transmissão inicial das matérias anula o princípio pedagógico segundo o qual se apela à atividade apreensível (nos alunos), ou seja, não têm maturidade (saber) para entender aquilo que lhes está a ser pedido. Daí as progressões pedagógicas. Daí o ensino por disciplina.

    (ler a zona próxima do desenvolvimento de Vigotski)

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  6. “Essa impregnação do pensamento pós-moderno nos trabalhos dos divulgadores da teoria vigotskiana gera, como vimos, graves distorções dessa teoria” (Mézáros, 1996).

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