Não foi às aulas e ficou aprovado

O caso sucedeu numa escola secundária espanhola e reúne um conjunto de elementos que se vão tornando habituais na escola do século XXI: pais que querem substituir o dever de educar os filhos pelo direito de mandar na escola, directores tão prepotentes com os seus subordinados como temerosos dos inspectores, professores vulneráveis a pressões, critérios de avaliação e de transição de ano cada vez mais complexos mas que, no final, não interessam para nada, porque qualquer pretexto serve para concluir que a passagem de ano é a medida que melhor serve “os interesses do aluno”. Mesmo que este não tenha ido às aulas e para o passar seja preciso alterar oito classificações.

Claro que a excepcionalidade da pandemia ajuda à festa. Embora por cá não se tenha ainda, julgo eu, chegado ao extremo que aqui é relatado, a verdade é que já faltou mais…

A escola secundária Félix Rodríguez de la Fuente, em Sevilha (Espanha), está envolta em polémica depois de o jornal EL Mundo ter revelado que os professores de oito disciplinas decidiram mudar, subitamente, as notas de um aluno que iria ser reprovado. O aluno acabou assim por passar às ditas disciplinas sem sequer ter ido às aulas.

Segundo conta a publicação, a mudança de notas aconteceu depois de a mãe do aluno ter apresentado uma queixa em que acusava a instituição de ter negligenciado a educação do filho.

Por medo de uma inspeção, a diretora da escola acabou por persuadir os professores a retificar a situação e a mudar as notas.

Segundo documentos a que o jornal teve acesso, a mulher terá alegado que o filho era asmático e que não fora às aulas por receio de ser infetado, dado que era um doente de risco. Contudo, em momento algum apresentou um atestado médico confirmando a doença do filho. A mãe acusava ainda a instituição de não dar atenção ao aluno.

One thought on “Não foi às aulas e ficou aprovado

  1. Lá ,como cá

    a) A exemplo do que amiúde acontece em Portugal, em Espanha também há directores impreparados, sem nível, que nem para porteiros serviriam ( sem desprimor para estes) .
    b) A exemplo do que amiúde acontece em Portugal, os oito professores vergaram , abdicaram da sua honorabilidade, desprezaram a sua dignidade profissional e académica . Suprema humilhação: às mãos de uma “mulherzinha” com o perfil enunciado em a).
    c) a mãe fez graves acusações à Escola e ao seu corpo docente. Em sede própria terá (teria) de comprovar a veracidade de tais acusações. De contrário, configuraria um delito de calúnia e ofensa ao bom- nome. Se a Escola não agir, está, implicitamente, a dar-lhe razão. ( segundo consta, por cá também acontece. Impunemente)

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