O homem não se manca?

Insiste em fazer o número, que já não é inédito, mas continua a ser desleal e deselegante, do ministro bom. Aquele que tenta a todo o custo manter as crianças na escola, a usufruir dos incomensuráveis benefícios de mais uma semana e meia de aulas presenciais em tempo de pandemia, contra as orientações insensíveis e malévolas da DGS.

Contudo, se a lealdade institucional não é o seu forte, o instinto de sobrevivência política mostra-se apurado. Tiago Brandão Rodrigues dá a entender a discordância, insinua a crítica, mas fica-se pelas meias palavras, evitando comprometer o seu futuro no governo e na política.

A seguir, tenta tirar capitalizar com a situação: perante o problema imprevisto, foi o ME que agiu prontamente no sentido de colocar em funcionamento o ensino online! Como se as escolas, no final de um ano lectivo repleto de confinamentos e desconfinamentos, ainda estivessem à espera de instruções do ministério para operacionalizar as aulas à distância…

Vai faltando a paciência para os dislates de um ministro cada vez mais irritante na sua incompetência e no seu oportunismo. Nem tanto pela ostentação destas “qualidades”, mas sobretudo por se perceber que é por ser como é que conseguiu o feito, inédito na história da nossa democracia, de ser chamado a cumprir um segundo mandato à frente do ministério da Educação.

O ministro da Educação disse esta terça-feira partilhar a frustração das famílias e comunidades escolares pelo encerramento de escolas em cinco concelhos do Algarve, devido à covid-19, mas remeteu a responsabilidade da decisão para as autoridades de saúde regionais.

“Partilho a frustração das comunidades escolares, das famílias”, afirmou Tiago Brandão Rodrigues, admitindo “algum desalento” por se fecharem escolas numa altura em que “uma parte significativa do resto da atividade económica [está] em funcionamento também na região do Algarve”.

Questionado pelos jornalistas sobre a decisão anunciada no domingo, de encerrar, até ao final do ano letivo, estabelecimentos de ensino em Faro, Loulé, Albufeira, Olhão e São Brás de Alportel, o ministro afirmou tratar-se de uma “responsabilidade das autoridades de saúde que assim o entenderam”, secundada pela Direção-Geral da Saúde, e que o Ministério da Educação “tem de cumprir”.

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