O meu asteróide por um vínculo

Nuno Peixinho é um astrofísico português com uma longa carreira de investigação. Recentemente ganhou notoriedade e reconhecimento internacional ao ver ser atribuído o seu nome a um asteróide. No entanto, apesar do extenso currículo científico e académico, Peixinho é bem o retrato da precariedade que assola os cientistas e investigadores portugueses. Aos 50 anos, continua a trabalhar com um contrato precário. Se não for renovado, o mais certo é um dos mais prestigiados astrofísicos portugueses ver-se, mais uma vez, obrigado a emigrar…

“Toda a vida fui um trabalhador precário”, sublinha. Ex-dirigente da Associação de Bolseiros de Investigação Científica (ABIC), admite que, apesar de tudo, ao longo deste tempo foram dados alguns passos positivos pelos trabalhadores cientificos em Portugal, como o Seguro Social Voluntário (SSV), que passou a existir no início deste século para os investigadores com estatuto de bolseiros, e a substituição de várias bolsas por reais contratos de trabalho a termo. No entanto, a Fundação para a Ciência e Tecnologia, o financiador de quase todas as bolsas, paga apenas o SSV correspondente ao ordenado mínimo. Além disso, só podem usufruir desta contribuição os bolseiros com contratos com duração superior a seis meses. “Na altura [em que foi aprovada a contribuição], ninguém se preocupou com isso, porque a pessoa pensa que é uma situação passageira. Só que há quem chegue a estar vinte anos como bolseiro, portanto a descontar como se recebesse o salário mínimo”. O que além de penalizar muito a reforma também limita a obtenção de um empréstimo bancário, por exemplo. “Para um bolseiro, ter um empréstimo é um castigo!”

4 thoughts on “O meu asteróide por um vínculo

  1. A insustentável ignomínia do ECD. É tudo “igual”. Repelente.

    Sabem o que aconteceria a este brilhante astrofísico caso, para tentar obter estabilidade, optasse pelo ensino secundário ?
    Seria considerado e-xa-cta-men-te-i -gual a uma babá, a uma tecedeira provinda das escolas técnicas ou a um instrutor de ginástica !!!
    Bom fim-de-semana.

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  2. Exactamente igual não, porra! Contentar-se-ia com um terço do vencimento auferido por aqueles formidáveis “professores” !
    Renovo os votos de bom fim-de semana.

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  3. Nuno Peixinho poderia até não ser um daqueles agora nomeados de “eficazes”, dos “melhores” professores. Não faço a mínima ideia.
    Que é um investigador prestigiado, os factos mostram-no.
    Infelizmente não é só Nuno Peixinho com trabalho precário. Temos muitos investigadores de outras áreas aos quais acontece o mesmo. Alguns até andaram (ou andam) a vender enciclopédias porta a porta porque não quiseram emigrar.
    Precisamos destes jovens (e menos jovens) como pão para a boca se queremos desenvolver o país nas tecnologias, na indústria, na medicina e em tantos sectores como, por exemplo, o estudo dos mares e oceanos.
    Para estes, os fundos nunca chegam.
    Os fundos parecem ir mais para bancos, empresas mal geridas e estudos sobre professores “eficazes” que têm aparecido, sobre os VAP e mais aquelas fórmulas “matemático-estatísticas” que não acrescentam nada de novo e de importante.

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  4. Li uma citação algures que dizia que “se mede a cultura de um país vendo o salário que paga a um futebolista e comparando com o que se paga a um doutorado”…

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