O plano de recuperação mais importante

aqui contei como a redução do número de alunos por turma e a adopção de modalidades de ensino semi-presencial deram a muitos professores espanhóis a possibilidade de experimentar a possibilidade de trabalhar, não com as habituais turmas de 30 alunos, mas com grupos bem mais reduzidos. Mesmo com as contingências da pandemia, o ensino mais individualizado e ajustado às características específicas dos alunos e das turmas conduziu a uma melhoria efectiva da qualidade do ensino e do sucesso dos alunos. E isto não foi nenhum guru ou especialista em Educação que descobriu. Foi uma constatação empírica dos próprios professores.

São esses professores que agora se entrincheiram contra o regresso das turmas numerosas no próximo ano lectivo. Um exemplo que merece ser conhecido e divulgado, pois todos os bonzos que por cá opinam com regularidade sobre Educação fogem como o diabo da cruz quando o tema é a necessidade de reduzir o tamanho das turmas. Mas também nisso não são originais. Limitam-se a seguir a agenda das OCDEs e multinacionais da Educação, que preferem promover alguns professores do ano escolhidos a dedo a criar condições de verdadeiro sucesso educativo para todos os alunos.

A este respeito, leia-se o que escrevia ontem, numa série de tweets inspirados, o nosso colega Samuel Paty

Este ano constatou-se pela primeira vez de uma forma objectiva e fiável, com dados e empirismo, que a redução do rácio professor/alunos melhora a qualidade do ensino. Centenas de milhares de professores e milhões de estudantes certificam-no. Pois bem, amanhã os gurus aparecerão nos meios de comunicação social a dizer que isto não tem influência.

E o problema não é que eles falem ou sejam sequer ouvidos. O problema é que esta gente está em todo o lado onde se decidem as leis educativas e o nosso futuro. Por isso a crítica furiosa e a necessidade de nos entrincheirarmos.

Não é normal que no debate educativo no Congresso houvesse 300 “especialistas” para falar e apenas dois deles fossem professores que diariamente põem os pés numa sala de aula da primária ou secundária real. Não é normal nem é lógico.

Nem tão pouco é normal que em cada artigo, reportagem, entrevista ou menção nos meios de comunicação social sejam sempre os mesmos professores universitários, gurus, xamãs e outros que só sabem citar-se uns aos outros e cujos estudos são apenas recortes de artigos com dados soltos reunidos ao acaso.

É mau que opinem? Não. Como não o é para pais, mães, associações, inspectores… MAS desde logo a proporção na opinião pública deve ser de 1 para 10 no mínimo. Para cada pessoa fora da sala de aula, deveria haver dez professores que passam 6 horas por dia com 30 alunos.

Quantos de vós puseram os pés numa verdadeira sala de aula durante pelo menos um ano? Nenhum? Bem, de 30 de vós, apenas 2, no máximo, têm espaço para dar a vossa opinião. Ou tiram à sorte ou decidem pela meritocracia. Aí já não me meto. Mas depois de dar voz a esses dois, pergunta-se a 20 docentes reais.

Dito isto, recordem. Apenas duas coisas fazem falta para melhorar a educação no nosso país:

– Rácios professor/aluno mais baixos, especialmente em zonas deprimidas e meios socioeconómicos baixos.

Eliminar todos os elementos segregadores, misturando ricos e pobres.

O resto é fumo.

One thought on “O plano de recuperação mais importante

  1. Certíssimo, mas não é nada que não se soubesse há muito. Apenas aqueles investidos de interesses inconfessáveis é que continuam a agitar outros espantalhos para ver se distraem o pagode. Fingem não perceber que os factos prevalecem sobre as suas narrativas diáfanas. Já é mais que tempo de se avaliar seriamente os profundos prejuízos que tais gurus causam ao sistema de ensino.

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