Professores de saia

O movimento já dura praticamente desde o início do ano lectivo. Nasceu como expressão de solidariedade com rapazes que foram alvo de discriminação por comparecerem na escola vestidos com roupas femininas. Recentemente, parece ter ganho um novo fôlego, à medida que mais professores se juntaram ao que é, basicamente, uma afirmação dos valores da tolerância, do respeito e da diversidade na escola pública.

Embora possa ser desafiadora de estereótipos e preconceitos, a mensagem que estes professores de saia pretendem transmitir aos seus alunos é, aparentemente, simples: podes vestir-te como quiseres, usar o cabelo curto ou comprido, brincar com bonecas ou gostar de jogar à bola: não é isso que nos define enquanto pessoas nem faz de nós melhores ou piores alunos ou cidadãos.

Os professores de uma escola na Espanha fizeram um protesto em solidariedade a um aluno expulso no ano passado por ir às aulas usando saia. Os docentes então apareceram na classe vestindo também a peça de roupa, falando sobre gênero e respeito.

Tudo isso faz parte do movimento Clothes Have No Gender (#roupanãotemgenero), que visa acabar com as normas estereotipadas de género no país europeu.

O movimento estava em seu momento mais alto no final de outubro e início de novembro de 2020, mas recentemente ganhou atenção renovada na vida real, online e na mídia, à medida que mais professores se juntaram ao protesto.

No início de maio de 2021, Manuel Ortega, 37, e Borja Velázquez, 36, começaram a frequentar as aulas vestidos com saias, em resposta a um caso de bullying na escola primária Virgen de Sacedon na cidade de Valladolid, onde trabalham.

De acordo com Velázquez, que falou com o El Pais, eles queriam ensinar às crianças que as palavras machucam e que é preciso mudar. Afirmaram ao veículo de imprensa que os meninos são livres para brincar de cozinha ou ter cabelos longos e as meninas cabelo curto e gostar de futebol. Algumas das coisas que eles ensinaram a seus alunos incluem que não há problema para os meninos estarem na cozinha ou ter cabelo comprido, mas também é perfeitamente normal que as meninas amem futebol e tenham cabelo curto.

9 thoughts on “Professores de saia

  1. Também demonstra alguma ingenuidade porque no mundo capitalista os normativos dos usos e costumes são rigidos, onde o empregador exige um código de vestuário e aparência, ao qual se o candidato ao emprego não obedecer, simplesmente não é contratado. E não adianta berrar porque o mercado é livre e logo o patrão também o é para impôr o que bem entender.
    E na escola, de forma subtil, também existe esse código, que pode não ser imposto mas é revelado em determinados momentos, onde há preterição ou discriminação, tanto para estudantes como para docentes.

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  2. Ai se moda pega!
    Para educar, incluindo pelo exemplo ( via eficaz), não é necessário ir tão longe – descer ao ridículo.
    Vamos devagar, devagarinho …

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  3. Há anos, um professor, ou melhor, um “professor” desportista/turista , apresentou-se numa vigilância de exames nacionais envergando uns reles calções, uma rasca camisete da alças e, nos pés … uns chinelos de praia! Foi considerado um desrespeito para com os alunos( e não só), sendo substituído. Não podemos entrar no modernaço valer tudo !

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  4. Até consigo perceber o que se pretende com a mensagem, mas tenho alguma dificuldade em aceitar que se quebre alguns códigos de conduta, que ajudam a regular as relações entre pessoas. Eu, quando leccionava, não permitia que os alunos do sexo masculino entrassem na sala de aula com chapéus ou bonés na cabeça. Às raparigas, se percebesse que um chapéu, uma boina, ou até um lenço na cabeça, fizesse parte da indumentária, e que não estivessem em causas motivações religiosas ou étnicas, não me opunha a que as mesmas mantivessem as cabeças cobertas. A nossa cultura determina certos comportamentos, numa longa tradição que gosto de manter. Na nossa cultura os homens descobrem a cabeça quando entram em espaços fechados, de interior. Acho que homens e mulheres têm os mesmos direitos e deveres, mas depois existem as diferenças. É bom de ver as mulheres exigirem serem tratadas de forma igual, e bem, mas depois reagem mal se, em certas circunstâncias, não lhes forem concedidos os privilégios da condição feminina, como por exemplo entrar primeiro num recinto, prioridade a um lugar sentado em detrimento do homem, etc. Eu, como cavalheiro, porque gosto de o ser, dou sempre o meu lugar a uma senhora. Querem acabar com esta forma de ser e estar?

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  5. Lá, como cá, nem sempre os professores (e professoras ) se dão ao respeito – dentro e fora da escola .Em consequência, a sua imagem social degrada-se, evidentemente.
    Também é verdade que se deve ao facto de , há uns anos a esta parte, todo o bicho- careta responder pelo título de professor (!) – sem nunca ter pegado num livro, “ensine” o que ensinar ,com qualificações muitas vezes inferiores aos alunos lá do agrupamento, tanto faz . O ECD premeia-o à mesma! À mesma, ou melhor, que é para não dizerem que é tudo igual.

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  6. Para além da modernidade do comportamento, que até fica bem na fotografia, vamos à questão essencial:

    1) O aluno foi expulso só mesmo por usar saia?
    2) Os professores, para além do simbólico protesto, empenharam-se em tentar anular a decisão, certamente arbitrária e injusta, da direcção do estabelecimento escolar?
    3) Em que escola está agora o aluno? Nessa escola pode usar saia?

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  7. Interessante artigo e vários comentários a serem contributo para a história da moda em Portugal e no Mundo. 🙂
    Tanto sofreram as mulheres para poderem usar calças e agora os homens…
    Serão os escoceses menos homens e menos felizes por usarem saia?
    Defendo o uso de ambas as peças, mas cada um(a) veste o que quiser, é-me irrelevante: no inverno e estações intermédias, prefiro o uso das calças; no verão, a saia/vestido, ajuda a arejar; já que é proibido andarmos nus…só quase e apenas na praia ou em festas, no caso das mulheres.
    O que é que isto tem a ver com a Educação? Tanto, se não a reduzirem ao Ensino…

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  8. Sou apologista que os homens usem saia, desde que seja… mini-saia .Não faltariam activistas . E não fundamento …

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