Diz que não são generalidades

Não são generalidades, mas objectivos concretos, o que se pode ler no plano de recuperação de aprendizagens que já por aí anda a circular. Isto mesmo ripostou o ministro da Educação aos deputados que criticaram o tom vago e generalista do documento. Mas se dúvidas houvesse, os esclarecimentos subsequentes de Tiago Brandão Rodrigues encarregaram-se de as desfazer…

Confiamos nas escolas e por nelas confiarmos fizemos as escolhas que fizemos.

Escolhemos a autonomia educativa, o cuidar da transição entre ciclos e o equilíbrio das diferentes componentes do bem-estar dos nossos alunos.

Ouvir, pensar, decidir, implementar e avaliar. Estas são as fases da decisão política, todos concordaremos. O que decide, porém, a sua qualidade é o seu grau de participação, de envolvimento, de auscultação e de acompanhamento.

Criamos, com este plano participado, e criaremos com a sua implementação colaborativa, um espaço e tempo ampliados e fortalecidos para apoiar, com base na maior flexibilidade e intensidade, os anos de escolaridade mais afetados pela pandemia.

Na linguagem patusca de quem não tem queda para as letras mas gosta de dar um ar de letrado, o ministro tentou demonstrar apreço pelo trabalho dos professores. Disse que somos “artífices primeiros e fundamentais da resposta presente que a Educação deu e ainda dá”. A finalizar, acrescentou mais uma pérola do seu lirismo, destacando “a forma ativa e empenhada como, connosco, estão a construir um próximo ano letivo que será, ainda que não exatamente o que todos desejamos que seja, um ano matricial na recuperação das aprendizagens e na resiliência do ensino”. Comovente…

4 thoughts on “Diz que não são generalidades

  1. Depois do excelente comentário do António, só me apetece desmontar o paleio pesudo-erudito e pseudo-democrático do “ausente”. Destaco duas pérolas essenciais: “a sua qualidade é a sua grande participação” + “com este plano participado…criaremos”…
    Ora, uma vez que o dito não foi participado por quase ninguém (sequer conheço uma única pessoa que tenha participado), segue-se que, segundo os doutos critérios do ausente, a qualidade (eventual) deixa por isso mesmo de existir, obviamente. Logo não “criaremos” coisíssima nenhuma.
    Temos de reconhecer que a lógica interna do documento é imbatível. Nunca assisti a um governante que se anulasse tanto a si mesmo como este.
    Porque será???????

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    • Contudo, o homem que assim fala e procede é já o recordista em longevidade no cargo de ministro da Educação em tempos democráticos. Conseguiu o feito, inédito até à data, de completar uma legislatura em funções e prosseguir no governo seguinte.

      Alguma coisa, pelo menos no entender de António Costa e do PS, andará a fazer muito bem feita…

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  2. Ai, Tiago, Tiago!
    A gente a pensar que tu, jovem, tinhas umas ideias para a educação e afinal pareces um papagaio ou arara daqueles muito chatinhos que só falam muito baixinho.
    Ao menos poderias dizer algumas asneirazitas populares que a gente até te poderia achar mais graça.

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