Jornalismo preconceituoso e mentiroso

Na turma do meu filho, a última semana de maio foi vivida num ambiente de fim de ano. Segunda-feira, dia 31, as aulas deveriam ter começado às 8:15 horas e terminado às 16:00 horas. Às 9:30 , o meu filho chegou a casa com a boa notícia – julga ele – de que as aulas estavam terminadas. Todos os professores que deveriam dar as aulas entre as 9:30 e as 16:00 avisaram que não iam aparecer. Alguns deles já avisaram mesmo que por este ano a coisa está feita. Não voltam mais à sala de aulas...

O jornal só se publica online, e chama-se Observador. A cronista é Raquel Abecasis, uma senhora que já foi, não sei se ainda é, jornalista, já foi candidata autárquica pelo CDS/PP e assume agora o conveniente papel de mãe de família, preocupada com a educação do seu filho, na desprezível tarefa de atacar, recorrendo a mentiras e falsidades, a escola pública. Ao contrário do habitual, não coloquei o link para a crónica mentirosa, escondida atrás de uma paywall.

O calendário escolar em vigor prolonga-se, no caso do 10.º ano, até ao dia 23 de Junho. Está em vigor em todas as escolas, públicas e privadas, do país. Como é possível que os professores de alguma escola decidam que não vão dar mais aulas neste ano lectivo? Saberá a cronista que essa não é uma decisão que deles dependa? Que na função pública as faltas são sempre justificadas, sob pena de, além de penalizações no vencimento e no tempo de serviço, poderem originar processos disciplinares? Terá consciência, a cronista caluniosa e incendiária, da gravidade das insinuações que está a formular? Que escola é essa, afinal, onde se decide acabar as aulas quatro semanas mais cedo do que está estipulado? Se a informação que apresenta é factual, porque não identifica a escola, explorando aquilo que seria, se fosse verdade, um verdadeiro furo jornalístico?

Este jornalismo de sarjeta, manipulatório e tendencioso, disfarça mal o projecto político e ideológico de direita que originou o Observador. O preconceito contra a escola pública e pela promoção do ensino privado sempre lá estiveram, mas havia até agora um pouco de pudor e uma tentativa de manter alguma elevação moral na forma como defendiam as suas convicções. Neste momento parece valer tudo, até a desinformação e a mentira pura e simples para descredibilizar a escola pública. E quando assim é, há uma opção clara a assumir em relação a um pseudo-jornalismo deste calibre: enquanto a linha editorial dos observadores for esta, não voltarei a divulgar ou a comentar por aqui os comentadores do pasquim.

3 thoughts on “Jornalismo preconceituoso e mentiroso

  1. Boa noite caro António Também optei por não partilhar links de vários OCS por cada vez ter mais dúvidas sobre o seu rigor e fontes de informação. Fui jornalista e professora em simultâneo durante anos, enquanto pude e me deixaram, mas a jornalista não morreu… Faz muito bem, cabe-nos como educadores educar também para os media, seleccionando com critérios éticos e deontológicos o que é digno de se chamar jornalismo. Solidariamente,Ana Luisa Pinho

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