A culpa é do Ministério da Educação

Cerca de 45 mil profissionais da Educação não terão sido incluídos nas listas de vacinação contra a covid-19 e continuam por vacinar. Os erros e as omissões cometidos pelas direcções das escolas na elaboração das listas iniciais foram entretanto corrigidos, mas o ME ainda não enviou os dados actualizados para a task force que coordena o plano de vacinação.

A acusação parte da Fenprof, que apresenta dados credíveis para tirar esta conclusão. E merece ser amplificada, pelo que revela da insensibilidade e da incompetência de um ministério que se especializou em inventar trabalho inútil e desgastante para os outros, mas é incapaz de fazer em tempo útil o serviço que lhe compete. Mas também, e acima de tudo, porque está a penalizar injustamente dezenas de milhares de profissionais docentes e não docentes que, mesmo sem terem sido vacinados, continuam a enfrentar os mesmos riscos de contágio que os colegas que já receberam a vacina.

A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) denunciou nesta terça-feira, 18 de maio, a existência de falhas na vacinação de pessoal docente e não docente que, diz, dever-se-ão ao facto de não terem sido enviadas à ‘task force’ as listas corrigidas ou atualizadas. Fenprof diz que aguarda “os indispensáveis esclarecimentos” do Ministério da Educação, “na certeza de ser essa a instância responsável pelo facto de muitos profissionais ainda aguardarem a chamada para a primeira dose da vacina”. Cerca de 165 mil receberam a segunda dose este fim-de-semana mas cerca de 45 mil profissionais do ensino e das respostas sociais que foram excluídos da vacinação contra a Covid-19 continuam à espera de ser chamados para a primeira dose.

“Na sequência dos ofícios ontem [17 de maio] enviados pela Fenprof a diversas entidades envolvidas no processo de vacinação de docentes e não docentes das escolas (Ministério da Educação, Ministério da Saúde e ‘task force’ para a vacinação), ainda durante o dia de ontem, responsáveis da ‘task force’ responderam, informando ter reencaminhado o ofício para o Ministério da Educação por ser essa a «entidade responsável pela centralização da vacinação dos docentes e não docentes dos diversos níveis de ensino na sua dependência»”, revela a Fenprof.

Segundo a estrutura liderada por Mário Nogueira, a Fenprof teve a indicação que informaram ainda que a ’task force’ coordenou a execução da vacinação de todos os docentes constantes nas listas que o Ministério da Educação lhes fez chegar, desde que os mesmos fossem elegíveis para o processo de vacinação, esclarecendo, diz, que “não seriam elegíveis, apenas, quem tivesse contraído Covid-19 e as grávidas, para além daqueles cujos dados fornecidos, estando errados, não tenham sido reconhecidos no registo nacional do utente”.

A Fenprof acrescenta que fica, assim, a aguardar “os indispensáveis esclarecimentos” do Ministério da Educação, “na certeza de ser essa a instância responsável pelo facto de muitos profissionais ainda aguardarem a chamada para a primeira dose da vacina”.

A organização sindical afirma ainda não compreender que o Ministério da Educação não tenha enviado as listas, como deveria, para a ‘task force’, na medida em que, logo que as escolas verificaram as falhas (algumas por incorreção de dados, mas, a maioria, sem justificação conhecida), enviaram para as delegações regionais da DGEstE (Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares), como lhes foi solicitado, novas listas com os dados de quem tinha sido “esquecido” ou “excluído”.

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