A violência dos opressores

Uma nova escalada de violência entre Israel e os Palestinianos relembra-nos a persistência, em pleno século XXI, de um estado colonialista à maneira do século XIX, o único a quem a comunidade internacional permite, com inteira impunidade, a anexação de territórios que não lhe pertencem.

Se procurarmos termos de comparação, a manta de retalhos cada vez mais desconexa que são os territórios palestinianos só encontra paralelo nos bantustões criados pelo regime sul-africano do apartheid. Sem receio de afrontar o politicamente correcto, nem as rotineiras acusações de anti-semitismo a todos os que criticam as agressões israelitas e defendem os direitos do povo palestiniano – que não é menos semita do que o judeu – pode facilmente constatar-se que é no estado fundado pelos sobreviventes do Holocausto que sobrevivem hoje os ideais nazis do estado racista e da limpeza étnica dos indesejados.

Sobra a questão da violência, e aqui há a salientar a enorme desproporção de forças em conflito. É evidente que os palestinianos nunca conseguirão derrotar militarmente Israel, pelo que a luta armada estará condenada a ser arma de extremistas. Que as provocações e humilhações israelitas continuamente atiçam, como justificação para manter o estado de guerra, as violências e as anexações.

Contudo, a violência do opressor e a do oprimido nunca deverão colocar-se no mesmo plano. Fazê-lo é aceitar a lei do mais forte, caucionando a exploração e a opressão. Como muito bem explicou, na televisão, o cantor popular Toy. As suas canções podem não corresponder ao melhor dos gostos musicais, mas o homem pensa bem. Clarificando o que está verdadeiramente em jogo no conflito israelo-palestiniano, Toy pede meças a muito intelectual encartado e colunista avençado da nossa praça…

One thought on “A violência dos opressores

  1. A falta de “elites pensadoras” sem preconceitos é tanta que é preciso vir o Toy fazer estas afirmações sem os “não sei” “tavez, sei lá” , “oscilo” que ficam sempre muito bem e soa a muito democrático. Muitas vezes, o que está nas entrelinhas desmonta este pensamento proto-blasé.

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