Recuperação de aprendizagens no Parlamento

Segundo um inquérito realizado pelo CNE aos diretores escolares, 2% dos estudantes não participaram nas aulas online, que começaram em meados de março do ano passado.

A percentagem “corresponde a cerca de 20 mil alunos”, disse Maria Emília Brederode Santos, sublinhando que, mesmo que fossem poucos, deveriam ser sempre prioritários.

O perfil destes alunos é conhecido: são crianças e jovens que pertencem aos grupos mais vulneráveis, são os mais desfavorecidos economicamente e também aqueles que as escolas sabem ser os mais desmotivados.

“São alunos que já estavam em dificuldades, com insucesso e em risco de abandono. Por isso, recomendaríamos que recuperar esses alunos fosse a nossa primeira prioridade”, defendeu.

Para o CNE deveriam ser canalizados apoios socioeconómicos e recursos humanos mais diversificados, como ter à disposição dos jovens assistentes sociais, mediadores culturais ou psicólogos.

Além destes, o CNE entende que deve ser dada também “uma atenção muito especial” aos alunos do 1.º ciclo, defendendo que, em vez de mais horas de trabalho extra, deveria haver a possibilidade de coadjuvação nas salas de aula.

A recuperação de aprendizagens “perdidas” durante os meses de confinamento continua na ordem do dia. Mas enquanto os professores trabalham nela desde o regresso ao ensino presencial, para o Governo, a oposição parlamentar, o CNE e os demais “especialistas em Educação”, o assunto continua a ser pretexto para debates, discussões, estudos e audições que culminarão num ambicioso plano a aplicar nos próximos dois anos lectivos de 2021/23.

Na semana que passou, foi a vez de o Parlamento ouvir a presidente do CNE e outros intervenientes e interessados na matéria, tentando perceber o que ficou realmente comprometido com o confinamento e o que será mais importante para recuperar o tempo e as aprendizagens perdidas. 

O tom geral das intervenções, a avaliar pelos relatos surgidos na imprensa, foi sensato e adequado à realidade. Colocou-se a tónica na identificação dos alunos mais vulneráveis – os mais novos, os que estiveram ausentes e desacompanhados durante o confinamento e os que necessitam de apoios especiais – e na necessidade de reconhecer e apoiar o trabalho que as escolas já estão a fazer. Em vez de planos megalómanos, burocráticos e centralizados que costumam agradar às equipas governativas, as escolas precisam de recursos e de autonomia para apoiar directamente os alunos, flexibilizando a constituição e o tamanho das turmas, aumentando apoios e tutorias, implementando coadjuvâncias quando se mostram necessárias.

Ainda assim, escaparam algumas ideias disparatadas, como sucedeu quando a presidente do CNE, embalada pelo seu próprio discurso, sugeriu que se fossem buscar alunos dos cursos de formação de professores ou docentes aposentados para reforçar apoios educativos. E contratar professores habilitados e desempregados para esse trabalho, não?…

3 thoughts on “Recuperação de aprendizagens no Parlamento

    • Pois…

      Mas geralmente não é preciso dar-lhes essas ideias, que disso lembram-se sempre.

      A criação de observatórios manhosos e de planos de formação é a forma de desviar para as capelinhas universitárias o dinheiro que deveria chegar às escolas e ser investido em apoio directo aos alunos que mais necessitam.

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