45 mil docentes e não docentes por vacinar

O número de trabalhadores docentes e não docentes por vacinar não é, como se tentou dar a entender inicialmente, residual. O coordenador da task force admitiu na semana passada a existência de 45 mil pessoas nesta situação. Garantiu que não foi por culpa do grupo de trabalho que dirige que esta situação aconteceu – o que não custa a acreditar – mas não apontou uma data concreta para que estas vacinações em falta se realizem – o que não é aceitável.

Entre os professores sem vacina e sem resposta às suas reclamações há quem pertença a grupos de risco. E mesmo os que se consideram saudáveis estão diariamente expostos a um risco acrescido, à medida que o avanço nas medidas de desconfinamento vai induzindo comportamentos menos seguros da parte dos alunos. Por isso ponderam o recurso a atestado médico para proteger a sua saúde e a sua vida, algo que não deveriam ser forçados a fazer quando existe vacina disponível e têm direito a ela.

Quando à falta de respostas e de soluções, parece que, uma vez mais, a necessidade de encobrir as falhas e a incompetência de quem não fez o seu trabalho como devia se está a sobrepor à necessidade de corrigir rapidamente a situação vexatória e discriminatória a que o Estado sujeitou estes professores e funcionários das escolas. O que, além de lamentável, é perfeitamente escusado: não se pretende crucificar ninguém, apenas que se corrijam os erros que cometeram, integrando na lista de vacinação quem sempre lá deveria ter estado.

No Agrupamento de Escolas do Castêlo da Maia há 179 professores e dois não docentes ainda sem qualquer dose da vacina contra a covid-19. Uma situação que está a provocar grande ansiedade e se estende a várias escolas do País, com professores a ameaçarem com baixa médica.

“Não sabemos o motivo e a falta de resposta é a grande questão”, conta ao DN Marco Marques, diretor do agrupamento. O responsável garante ter falado “com quem de direito” e ter levado a cabo “todos os procedimentos necessários para resolver o problema”. “A lista que foi enviada para a testagem tem os mesmos dados daquela que foi enviada para a vacinação. Serviu para a testagem e não se entende o que falhou para o processo de vacinação”.

A situação, conta, está a criar “muita ansiedade aos docentes”. “Não se compreende esta situação e com uma justificação seria mais fácil de entender e de gerir. Era importante que nos dessem alguma explicação”, afirma.

Eva Matias, professora de Matemática numa escola da Amadora também não compreende “o silêncio” das entidades. “Ainda não fui contactada e o silêncio é inacreditável. Já fiz queixa ao Provedor de Justiça, enviei email para o Conselho de Ministros e Presidência da República e não tive resposta de ninguém”, explica. A docente, que sofre de hipotiroidismo – uma doença autoimune – diz sentir-se “psicologicamente afetada com a situação”. “Dou aulas ao 9º ano. São alunos que não foram incluídos na testagem e que têm comportamentos de risco próprios da idade. São idades críticas, estão enfiados nas casas uns dos outros a conviver, andam sempre todos juntos e sem máscara no exterior da escola”, sublinha.

A professora diz estar a “colocar a vida em risco diariamente” e pondera recorrer à baixa médica se a situação não se resolver. “Dou aulas há 23 anos e nunca meti baixa na minha vida, mas tenho muito medo de ir trabalhar. Não me sinto segura na escola e a verdade é que os alunos já não cumprem tanto as regras de segurança. Para eles, isto já passou”, conclui.

A opinião é partilhada por Fernando Couto, professor do Agrupamento de Escolas Cardoso Lopes, na Amadora, para quem a escola “não é, nem nunca foi um lugar seguro”. “A imagem que passam de segurança não é real e não é o ideal para evitar a contaminação. Não por culpa das direções das escolas, mas pela falta de cumprimento de regras por parte dos alunos. E é preciso não esquecer que por trás de cada criança há um agregado familiar. A escola não é um lugar seguro, nem o conseguirá ser porque não há capacidade para isso”, diz.

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