Um liberal desmascarado

Embora no discurso político a linguagem seja mais contida, e tentem disfarçar com alguma irreverência o mais puro egoísmo e falta de empatia, quando os autoproclamados liberais se soltam um pouco deixam bem à vista as pessoas egocêntricas, sem escrúpulos e mal formadas que nunca deixaram de ser.

Mas nem tudo está perdido, e o tweet infeliz, embora revelador, deu azo a centenas de comentários de desaprovação e de repulsa, de utilizadores que não se revêem na estupidez da atitude e muito menos no desprezo com que o desprezível Lobo se refere à involuntária companheira de viagem. Que certamente dispensaria a companhia pouco recomendável deste burgesso com o monco de fora.

O idiota, que diz que as máscaras não protegem, não consegue sequer perceber o básico: a máscara não serve tanto para lhe dar protecção a ele como para proteger os que o rodeiam, num espaço fechado onde não é possível o distanciamento físico.

Mas até se compreende. Trata-se de pensar nos outros, fazer alguma coisa pelo bem de todos em vez de estar cada um unicamente focado no seu interesse e no que entende ser a sua liberdade individual. Que ideias tão estranhas para as novas seitas de neoliberais, libertários, anarco-capitalistas e cripto-coisos…

4 thoughts on “Um liberal desmascarado

  1. Será um lobo alfa? Um beta? Um ômega?
    Creio que nenhum destes, que os lobos são inteligentes demais para serem misturados com o lobo que quer comer a avozinha do Capuchinho Vermelho, quiçá com o vírus Covid, pobre da “velha”.
    Hoje é dia do Senhor e não é bonito ser-se mauzinho. Por isso não vou desejar ao palerma do cryptolobo uma estadia nas UCI.

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  2. “Daniel Sampaio O psiquiatra sobreviveu para contar a experiência mais forte com que até hoje foi confrontado: a da luta pela própria vida. Infetado pelo vírus SARS-CoV-2 aos 74 anos, esteve internado durante 50 dias, precisou de ser entubado e ventilado, mas decidiu viver.”

    (…)”A infeção bacteriana quase me derrubou, pensei que ia morrer. Mas eu não queria morrer, pensava que ainda tinha alguns anos de vida, que queria fazer muita coisa e que tinha família e bons amigos. Sabia que se não fosse destruído, ia ficar uma pessoa melhor. Esta é uma mensagem importante que quero transmitir. Porque o sofrimento é muito grande, as pessoas não têm a noção do que é esta doença. É uma doença em que é fundamental lutar porque a própria doença provoca um desamparo. Porque para uma infeção ou para um cancro já há medicamentos, cirurgias. Aqui não há tratamentos específicos. São remendos. E a sensação de que o ar não entra e o cansaço absolutamente terrível são esgotantes.(…)
    Várias vezes pensei que ia morrer, mas tive grande determinação em viver. Também sempre disse que não era ateu, mas agnóstico, e lembrei-me de uma frase de Voltaire, que, quando indagado sobre a sua relação com Deus, dizia: ‘Cumprimentamo-nos, mas não nos falamos.’ Eu tenho muito respeito pela ideia de Deus, não sou crente, mas confesso que muitas vezes pensei em Deus e se ele me podia ajudar. Tive imensa gente a dizer que estava a rezar muito por mim, eu agradecia e foi muito reconfortante. Nunca minimizei a fé dos outros e a ideia de que Deus eventualmente me poderia estar a ajudar foi uma ideia boa. (…)

    https://leitor.expresso.pt/semanario/semanario2529/html/primeiro-caderno/sociedade/houve-momentos-em-que-achava-que-me-devia-deixar-morrer

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