110 mil testes nas escolas e só 125 positivos

Em proporção, continua a ser baixo o número de casos Covid positivos descobertos nas escolas durante a testagem em massa a professores e funcionários. O mais recente balanço do Ministério da Educação aponta para uma taxa de positividade de 0,1%, o que corresponde, em números absolutos, a 125 casos positivos num universo que ronda os 110 mil testes realizados em todo o continente.

Como ontem aqui assinalei, há casos de covid-19 em escolas de norte a sul do país, com especial incidência no 1.º ciclo e no pré-escolar, onde o desconfinamento se iniciou mais cedo e os cuidados, por parte das crianças, são menores. No entanto, nada disto transparece nos resultados dos testes em massa que se insiste em fazer ao pessoal docente e não docente, e que não dando um retrato fiável da realidade da pandemia em meio escolar, acabam por transmitir uma falsa sensação de segurança.

Tenta-se descobrir possíveis infectados usando testes que não detectam assintomáticos; testam-se os adultos que trabalham nas escolas quando todos sabemos que é nas crianças que surgem os comportamentos de risco, como o uso incorrecto ou facultativo da máscara e a falta de distanciamento. É clara a inutilidade desta dispendiosa e incómoda testagem em massa que se anda a fazer desde Janeiro.

Está mais do que na altura de se repensar a estratégia, agindo de forma selectiva nos concelhos e regiões do país onde há notícia de surtos, alargando os testes aos alunos e recorrendo às tecnologias mais eficazes e menos invasivas que já vão estando disponíveis.

2 thoughts on “110 mil testes nas escolas e só 125 positivos

  1. O António refere um “retrato fiável”. Fiável??? Parece subentender-se que postivo = doente. Ora, todos sabemos que a realidade é muito outra. Importaria saber quantos dos positivos indicam de facto doença. Alguém sabe? Eu não sei e duvido que o ausente tenha mesmo uma ideia vaga. Porque será???

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    • Caro José, acho que nada no texto que escrevi permite subentender a ideia que refere. Sabe-se bem que entre as camadas etárias mais jovens a maioria dos infectados não desenvolvem a doença, permanecendo assintomáticos ou manifestando sintomas muito ligeiros. O problema é que ainda assim podem ser transmissores, contribuindo para o alastrar da pandemia e contagiando pessoas mais velhas, nomeadamente familiares, ou mesmo professores, que poderão desenvolver quadros graves da doença.

      Ao fim de mais de um ano de pandemia, poderemos ignorar ainda muitas coisas sobre a covid-19, mas há certezas que já podemos ter: deixar que o vírus faça o seu caminho, confiando que poucos ficarão doentes com gravidade e que a imunidade de grupo será por essa forma garantida é uma ilusão. O custo em vidas humanas, sequelas nos sobreviventes, colapso dos serviços de saúde e desenvolvimento de novas variantes, mais contagiosas e agressivas, é um preço demasiado elevado a pagar. Como em países como os EUA ou o Brasil se descobriu da pior maneira.

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