Estou bem: Sócrates segundo Palmeirim

Independentemente do que se possa pensar do pré-julgamento de Sócrates e da Operação Marquês – e muita água correrá ainda debaixo das pontes até que se chegue a uma decisão definitiva – está de facto muito bom este momento humorístico. Vasco Palmeirim e a sua equipa na Rádio Comercial.

3 thoughts on “Estou bem: Sócrates segundo Palmeirim

  1. Que bom soltar uma gargalhada ou um riso nestes momentos de picardias estéreis, lamentos e depressões várias.
    O humor parace ter entrado também em confinamento, e o sorriso dos olhos foi substituido por olhos esbugalhados – que mais nos irá acontecer?
    Rai’s parta a Lei de Murphy!
    No meio de tanta petição hiper-cromática, que tal uma petição para que os humoristas lusos sejam tocados pelas musas do talento?
    Se resultou com Camões…

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  2. E o que é que isto tem a ver com o post?

    “Aventuras de João Sem Medo”, de José Gomes Ferreira (1900-1985)

    João Sem Medo, o herói desta história “dotado da mais nobre virtude … a verdadeira coragem. A força do coração” mora na aldeia Chora-Que-Logo-Bebes, cujos habitantes vivem presos à tradição de que tanto se orgulham: chorar de manhã à noite.

    (…)
    Apesar de ficar a pouca distância da povoação, ninguém se
    atrevia a devassar a floresta. Não só por se encontrar protegida
    pela altura descomunal do Muro, mas principalmente porque os
    choraquelogobebenses – infelizes chorincas que se lastimavam
    de manhã até à noite – mal tinham força para arrastar o bolor
    negro das suas sombras, quanto mais para se aventurarem a com
    bater bichas de sete bocas, gigantes de cinco braços ou dragões
    de duas goelas. Preferiam choramingar, os maricas! Agachados
    em casebres sombrios, enquanto lá for a chovia com persistência
    implacável. Tudo isto incitava os habitantes da aldeia a andarem
    de monco caído, sempre constipados por causa da humidade, e a
    ouvirem com delícia canções de cemitério ganidas por cantores
    trajados de luto, ao som de instrumentos plangentes e monóto
    nos.
    O único que, talvez por capricho de contradizer o ambiente
    e instinto de refilar, que resistia a esta choradeira pegada, era o
    nosso João que, em virtude duma contínua ostentação de bravata
    alegre e teimosa na luta, todos conheciam por João Sem Medo.
    Ora um dia, farto de tanta chorinquice e de tanta miséria que
    gelava as casas e cobria os homens de verdete, disse à mãe que,
    conforme a tradição local, lacrimejava no seu canto de viúva:
    – Mãe: não aturo mais isto. Vou saltar o Muro.
    A pobre desatou logo aos berros de súplica que abalaram o Céu
    e a Terra:
    – Ah! Não vás, não vás, meu filho! Pois não sabes que essa Flo
    resta Maldita está povoada de Canibais Mágicos que se alimen
    tam de sangue de homens? Sim, meu filho, de sangue humano
    bebido por caveiras. Não vás! Não vás!
    Mas as implorações da mãe não impediram que, na manhã se
    guinte, João Sem Medo se esgueirasse de Chora-Que-Logo-Be
    bes e se dirigisse à socapa para o tal muro que cercava a floresta. (…)

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