O significado da Páscoa

Qual o significado original da Páscoa? A verdade é que o seu significado é muito discutido. A Páscoa é a festa principal do ano judai­co, celebrada em meados de Nisan (Março-Abril), no primeiro sábado a seguir à primeira lua-cheia da Primavera. Para alguns autores a Páscoa teria designado um gesto ritual, uma dança sacrificial; para outros é a passagem do Sol pela constelação de Aries, ou da Lua pelo seu ponto culminante. O termo Páscoa deriva de «pesah», que significa «coxear ou saltar». Segundo o Êxodo, está relacionado com «passar longe» de Jeová que, na noite dos primogénitos do Egipto, passou longe das casas dos Israelitas porque os batentes e as portas tinham sido espargidos com sangue do cordeiro pascal. Na Bíblia a Páscoa está rela­cionada com o sacrifício do cordeiro.

Acredita-se, com bastante segurança, que a Páscoa era uma festa primitiva celebrada pelos pastores nómadas e que os Israelitas já a comemoravam muito anteriormente a Moisés; rapidamente se fundiu com a festa dos ázimos, que os cananeus solenizavam no começo da ceifa. Mais tarde, Páscoa e ázimos viriam a ficar ligados à saída do Egipto e a todos os acontecimentos com ela relacionados. Muitos au­tores acreditam que a Páscoa era uma festa de um antigo povo de pastores, dedicada à deusa da fecundidade, talvez feminina, que se celebrava no começo da Primavera. Há quem acredite que o sacrifício era oferecido ao deus lunar durante a noite de lua-cheia ou no equinócio da Primavera.

Uma rápida visão dos antigos rituais da Índia, Pérsia ou Egipto revela que existia um ritual de expiação que consistia em aspergir com sangue os umbrais das portas, na tentativa de uma reconciliação com o deus da casa. Um ritual muito semelhante ao que foi realizado na noite em que morreram os primogénitos do Egipto. Na verdade, este ritual ainda hoje é corrente entre os árabes e outros povos, com a intenção de afastar de casa e dos rebanhos as pragas e os demónios.

Jorge Blaschke, Os Grandes Enigmas do Cristianismo, 2006.

3 thoughts on “O significado da Páscoa

  1. Sem querer alongar-me, porque este é um tema que sempre me fascinou, é claro para mim que as religiões sempre foram o resultado da interligação do homem com a natureza, uma questão de sobrevivência, uma luta constante contra o medo e o desconhecido em tempos difíceis e de agradecimento em tempos de abundância.
    T.S. Eliot (escritor, dramaturgo, crítico literário inglês, 1888-1965) pertenceu à “Lost Generation” que agrupava escritores que reflectiam nos seus romances e poesias o pessimismo do mundo saído da 1ª guerra mundial. O poema “The Waste Land”, de 1922, é magnífico na alusão a esse mundo almas perdidas. A simbologia entrenha-se no poema com as lendas imemoriais da demanda pelo Santo Graal e a impotência do Rei Pescador cuja cura trará novamente prosperidade ao seu reino.
    A importância da água e a Páscoa (Abril) como renascimento e salvação individual e colectiva.
    E passo já a esta parte do poema, antes que divague mais…
    Para terminar, um excerto da “Waste Land”. O pessimismo temperado com uma esperança de renascimento interior.


    I. The Burial of the Dead

    April is the cruellest month, breeding
    Lilacs out of the dead land, mixing
    Memory and desire, stirring
    Dull roots with spring rain.
    Winter kept us warm, covering
    Earth in forgetful snow, feeding
    A little life with dried tubers.
    (…)

    V. What the Thunder Said
    (…)
    Here is no water but only rock
    Rock and no water and the sandy road

    The road winding above among the mountains
    Which are mountains of rock without water
    If there were water we should stop and drink
    Amongst the rock one cannot stop or think
    Sweat is dry and feet are in the sand
    If there were only water amongst the rock
    Dead mountain mouth of carious teeth that cannot spit
    Here one can neither stand nor lie nor sit
    There is not even silence in the mountains
    But dry sterile thunder without rain
    There is not even solitude in the mountains
    But red sullen faces sneer and snarl
    From doors of mudcracked houses
    If there were water
    And no rock

    If there were rock
    And also water
    And water
    A spring
    A pool among the rock
    If there were the sound of water only
    Not the cicada
    And dry grass singing
    But sound of water over a rock
    Where the hermit-thrush sings in the pine trees
    Drip drop drip drop drop drop drop
    But there is no water”
    (…)

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