Maus resultados dos alunos e… mais um grupo de trabalho!

Menos de metade dos alunos do 6.º e 9.º ano mostrou ter o nível esperado em conhecimentos elementares no diagnóstico feito pelo Instituto de Avaliação Educativa (Iave), destinado a aferir o impacto do primeiro confinamento nas aprendizagens. Os testes incidiram sobre Matemática, Leitura e Ciências. Os resultados, apresentados esta segunda-feira, são ligeiramente melhores no 3.º ano, o outro nível de ensino avaliado.

Na Leitura, só 47,1% dos alunos do 9.º ano passou a “linha de corte”, demonstrando ter os conhecimentos esperados no nível 1. Este é o nível mais elementar que avalia a capacidade de “identificar informação explícita num texto”. Já no 6.º ano, foram 41,9% os alunos a atingir o nível esperado para os conhecimentos de nível 1.

O Iave hierarquizou as questões feitas aos alunos em Janeiro em quatro níveis, em função da sua dificuldade. Por exemplo, no 6.º ano só 27,4% dos alunos consegue atingir o patamar de conhecimentos desejado no nível mais elevado.

Sem surpresa, um estudo do IAVE anunciado com pompa e circunstância pelo quase-ministro João Costa, mas ainda não disponível online, veio revelar que a pandemia prejudicou as aprendizagens dos alunos portugueses. Em vez das provas de aferição que não se realizaram no ano transacto, o IAVE foi incumbido de avaliar, por amostragem, o desempenho desses alunos, para comprovar o que já era mais do que previsível.

No entanto, se avançarmos pelo desenvolvimento da notícia, descobrimos coisas curiosas. Por exemplo, que a expectável quebra nos resultados foi acentuada com a elaboração de testes relativamente exigentes, onde não bastaria alcançar os 50% das respostas certas, como é usual, mas 2/3 da prova avaliados positivamente…

É preciso, no entanto, notar que o Iave colocou a “linha de corte”, como lhe chamou o presidente daquele organismo, Luís Pereira dos Santos, num patamar que classificou de “exigente”. Ou seja, os alunos tinham que responder correctamente a dois terços das tarefas para serem colocados em terreno positivo.

O truque é antigo e já foi usado por governos de diferentes cores políticas: carrega-se nos tons do insucesso e da desgraça para forçar as mudanças que se quer implementar. Pinta-se um quadro sombrio, destinado a fornecer a justificação e criar a margem de manobra para implementar reformas e, no final, obter sucesso educativo. Seja ele real ou fictício, pois também se sabe há muito que, em política, o que parece, é…

Para já, as dificuldades trazidas pela pandemia já determinaram a constituição de um curioso grupo de trabalho,, onde ao lado de caras conhecidas da entourage de João Costa encontramos escolhas surpreendentes – ou nem tanto – como Susana Peralta, a burguesa do teletrabalho adepta de escolas de Verão para recuperar aprendizagens. A preocupação com a saúde mental levou à inclusão de duas psicólogas na equipa, sendo no resto constituída sobretudo por académicos, dirigentes ministeriais e directores escolares. No entanto, e no fundamental, não surpreendem. Para representar os professores, “vozes” que dizem querer ouvir, ficam-se pela representação singular através de um dos recentes galardoados com um prémio de professor do ano.

3 thoughts on “Maus resultados dos alunos e… mais um grupo de trabalho!

  1. E cá temos mais um grupo de trabalho!
    E mais uma vez, reunião e mais reunião cujo objectivo é a própria reunião em si.
    Ao menos aqui, apesar de tudo, há uma concretização:

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  2. Há equipas que vão mudando de peritos porque algo correu mal logo de início.
    E muda-se para algo mais expert que geralmente corre mal no meio e no fim.
    Lamentavelmente, eis a que correu mal logo no início, quando tinha tanto futuro….

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  3. Só consideravam positivo se respondessem crretamente a 2/3 do teste? Ou seja se tivessem 13,3 na classificação de 0 a 20 ou 3,3 na classificação de 1 a 5. Acham que se o ensino tivesse sido presencial nestes dois anos seriam melhores os resultados? Eu acho que não. É só um pressentimento.

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